terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sem desculpas

Eu ando me devendo desculpas,
que eu não sei mais pedir a mim,
esqueci como se faz pra se sentir bem...

É que nenhuma desculpa serve mais,
já estourei meu tempo para justificativas,
não há outras mais...

Não posso negar esse rádio quebrado,
essa memória passada da validade,
esses ouvidos que despertam ao som da tua voz,
esses olhos que te procuram...
esses braços que te necessitam...

Eu acho que já me perdi entre o bom senso e o gostar de te amar...

Manuella Mirna

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Que se vá com o vento...

Ouço a música entrando pelos meus poros e pairando entre meus ouvidos
Paro, levanto a cabeça e penso em nós dois,
Me lembro entre teus braços...
No que costumávamos ser,
No que não somos mais,
No que nunca seremos.
Pelo vidro eu vejo o reflexo das luzes de natal,
E quase tenho certeza de que um dia isso vai passar,
Quase tenho capacidade de deixar que isso se vá de vez.
Não foi a hora a meses atrás,
Mas ela está próxima,
Talvez hoje, talvez amanha,
Eu tenho quase certeza de que vai ser em breve.
Assim espero,
Não sei se estou pronta para ver isso enfim como passado...
Mas, independente de qualquer coisa, vai embora,
Eu queira ou não,
Vai, 
Porque tudo vai embora uma hora.
Como o vento que trouxe você para meus olhos atentos, para minhas mãos frias, para meus braços frágeis, para meu coração puro, para mim...,
Ele vai te levar também.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ameixeira em fuso

Você me diz "boa noite, minha linda", eu te digo "bom dia, meu bem".
Você me deseja "bons sonhos, meu anjo", eu te desejo "bons estudos, meu nerd".
Você me fala "bom trabalho, mulher maravilha", eu te desejo "sonha, bonito".
Você me fala que o brilho do lendário sol nascente não é tanto sem mim, eu te descrevo que a lua anda triste por não nos vê lado a lado.
Você conta as sakuras no jardim como se fosse pra mim, eu conto estrelas como se contasse os brilhos dos teus olhos azuis.
Você me diz que a saudade fica pior com o vento gelado no teu rosto, eu te digo que o calor sufoca sem a tua pele que me esquenta.
Você me diz "bons sonhos, minha bela"...
E não vejo a hora de te ouvir claramente dizer "bom dia, linda" no mesmo exato minuto em que eu te diga "até que enfim, meu bem!".

P.S. a ameixeira é sinal de resistência porque atravessa o rigoroso inverno japonês carregada de botões...

Manuella Mirna

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Desapego

Chega!
Não vou mais atrás de quem some por conta própria. 
Fiz e faço o que posso e acho que devo para manter quem gosto e me importo ao meu lado ou na minha vida. 
Mas se vai ou some é porque quer e o querer de cada um eu não posso mexer. 
Que seja assim então.


Manuella Mirna

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A menina dos pés de pássaro

[E ao olhar fundo nos seus olhos pela eterna vez, ele disse:]

Se eu soubesse que eu te encontraria, que um dia estaria com você, 
eu teria saído pelo mundo a tua procura muito antes.
Sairia pelas ruas e lugares perguntando às pessoas por você...

Perguntaria a elas sobre a garota dos pés de pássaro,
que anda como quem dançasse voando em pensamentos.
Sempre inquieta a busca de novos caminhos,
e do seu próprio ninho.
Ia dizer que ela morde a gengiva quando tá desconcentrada.
Abre a boca suavemente quando concentrada.
Abaixa a cabeça quando fica constrangida.
Arqueia as sobrancelhas com os olhos abaixados se se nota constrangida.
E morde os lábios se lhe percebem constrangida.
Juntas as sobrancelhas e franzi os lábios para demonstrar rir de algo com um doce e perfeito sarcasmo.
A risada dela é como sinetas tocando numa manhã clara após a madrugada, 
com o vento ainda frio balançando nossa alma.
Ela ri e tudo aqui dentro acorda.
As árvores agradecem batendo suas folhas em resposta.
É mágico a ressonância que isso tem a mim, a harmonia que ela tem com o universo...
Ela tem olhos castanhos, enigmáticos e fieis...
...e beija como se tocasse o céu:
com calma, surpresa e... entrega.

Manuella Mirna

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pensar sem dor, sem nó

É tão bom sentir saudade de quem faz bem a gente... 
dá um gosto bom (finalmente) pensar sem dor!




Manuella Mirna

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O velho dominó com teu nome

Uma folha caiu em minha frente,
quando ví teu nome escrito diante de mim.
Independente de ti, eu sei, mas ela caiu.
Caiu ela como despencou [as batidas do] meu coração.
E de um assalto a minha respiração parou,
quando do teu nome eu pude ver a tua face, 
dentro de mim.
Não me tocando suavemente (como antes),
mas fazendo tudo despencar, 
aqui, por ti, 
de novo.

Manuella Mirna

Não sonho nem sonhei, mas durmo ainda

Lí em um poema seco que os pensamentos falham quando querem exprimir alguma realidade, como falham as palavras para exprimí-los.
É que existe o que existe e o resto é um sono apenas.
Então o que sinto agora não é nem o resquício do que senti e realmente tive com você. Não existe. É simplesmente nada, um sono de uma lunática acordada.

Tu um sono? E eu que durmo acordada pensando em ti sou o que?

Me disseram que só existe o que existe.
Se você não está agora ao meu lado é porque não existe? E quanto a quando você esteve? E quanto a você continuar aqui dentro?

Você não pode existir no meu mundo agora, disso eu sei.
Mas eu sei e todos sabem que você já viveu aqui, comigo (e foi feliz, e me fez feliz), enquanto eu estava acordada e não sonhava ou dormia.

Hoje você não é um sonho, nunca foi, foi real.
Mas talvez hoje o poema seco e essas pessoas tenham razão,
talvez hoje eu durma e precise, de uma vez por todas, acordar de você,
que é, hoje, só um sono.

Manuella Mirna

Figurante ruim

E o mundo passa como se eu não estivesse nele...
Como uma figurante ruim: que tem os pés no palco, os olhos no ar vago sobre ele, o pensamento em seu próprio cenário particular e o coração... este vaga furtivamente para perto a ti...
Quando volto ao mundo, é por alto senso de representação.
Porque preciso estar nele.
Não posso deixar meu corpo e viver os meus pensamentos.
Até porque eles têm sido só lembranças e dúvidas.
São cor de cinza, como eu não esperava que ainda fossem a esta altura.
Não são mais reais. 
São a poeira imprecisa (não sem dor) de você ainda em mim.

Manuella Mirna

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Abrindo a janela - tentativas

Ontem, tu de novo cruzaste o meu passo.
(Não te culpo, é mania da vida me pôr à prova para me fazer uma ninja mais hábil.)
Meio semblante teu foi o suficiente para me mostrar que minha nuvem nublada não se foi por completo.
A tarde veio com parte do peso de uma terça-feira de despedida.

Mas hoje, quando eu acordei pela manhã, tudo estava lá.
O sol brilhava como era muito tempo antes e a luz indiscreta pela janela me fazia sorrir.
As pontes tinham um colorido que eu sentira falta todo esse tempo.
Minha serenidade - que tem andado tão vacilante - quis vir outra vez.
Com algum esforço - mas ela ainda virá por completo.

É, parece que tudo estava lá novamente.
Com quase o mesmo brilho que costumava ter antes de eu começar a viver nossos capítulos em vermelho, preto e cinza.
Querendo se mostrar pra mim depois de eu rememorar mil vezes as linhas em cinza, tentando entender as linhas pretas, para (esperançosamente e iludidamente) não apagar as em vermelho.

Tudo brilhava genuinamente - talvez não com o mesmo fulgor e magia, ainda, mas brilhava.
E eu queria sentir aqui a plenitude que a vida me descortinava.
Ela fazia isso com tanta gentileza, como se fosse um espetáculo sucesso de bilheteria que só eu não fui ver.
Eu queria, queria muito.
E embora não conseguisse por completo, estava agradecida por conseguir ver algum brilho e algo da magia.

Uma parte de mim, naturalmente já via esse brilho - talvez cansada de sofrer tanto pelo que já não era mais (e talvez nunca tenha sido).
Mas infelizmente, eu sentia uma estranha dor em minhas células por entrever a primeira vez em tanto tempo essa magia de novo.
Acho que parte de mim não queria encerrar o capítulo, se recusando a aceitar as últimas páginas que se escreveram sem minha permissão.
Pois eu sabia que se aceitasse eu teria de lidar com o fato de que você não voltaria; e ver, ainda que pela fresta da janela, o brilho e a magia dos dias, novamente, era como se a vida me provasse que podia muito bem continuar a existir sem você, e eu não queria isso.

Os pés de pássaro que dançam balé, passaram tempo até demais sem fluir com a mesma graciosidade, mas pareciam voltar naturalmente a voar e dançar, sem o pesar daqueles dias.
Mas meu olhar ainda está diferente - é a parte de mim que teima (masoquistamente) em beber o gosto amargo desse café até a última gota.
Tudo bem, é só uma questão de tempo.
Em breve, tenho certeza, a janela vai abrir até a outra extremidade e o que hoje é uma fresta e ontem eram só cortinas fechadas, amanhã serão olhos bem abertos para a vida.

Manuella Mirna

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Meu cravo

É, Pequeno Príncipe, tens razão, não foi o tempo que eu dediquei a minha rosa que a tornou importante... O tempo é passageiro, e foi curto, curto demais.... Mas foi a intensidade desse tempo e a pureza do sentimento dedicado que tornou meu cravo tão especial...

E não consigo dizer mais nada:

















...


Manuella Mirna

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Agora e sempre, Flor

Ainda sou Flor nascendo no asfalto. Um dia broto na relva verde e macia de uma casa segura.
Mas não é de penar o meu destino, é de luta que faço meu caminho.
(luta forte como minha raiz, discreta como minhas folhas, suave como minhas pétalas)
E enquanto ainda respiro a rocha e não a saúde que toda flor precisa, posso ao menos dizer que ainda sou Flor. Flor que na pedra também respira.
Ainda sou Flor nascendo no asfalto. Um dia broto na relva verde e macia de uma casa segura.

Manuella Mirna

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pura e displicentemente, amei

(Me dizem que não te amei. Não respondo para eles, não digo para ninguém, mas eu ví de perto a face do que entendo por amor. Só não fui a própria face porque nos faltou uma tarde de terça-feira a mais)

Eu te amei.
Em uma semana. 
Por ditos dois meses.
Mas amei.
Amei como a relva em frente a minha janela que se ariça com o abanar do vento.
Amei como as pétalas do malmequer que fiz pra você e saíram voando por esse mesmo abanar antes que eu pudesse decretar o nosso bem-me-quer.
Amei como a água que correu dançando pelo lago quando o vento abanou assim forte.
Amei como os fios do teu cabelo se movendo displicentemente nesse vento e inocentemente te deixando mais bonito.
Amei como as últimas folhas de outono que começaram a cair em frente à minha porta quando o abanar anunciou da esquina que vinha.
Amei.
Assim, no embalo do vento, na dança das coisas, na luta para que os meus olhos resistissem aos teus.
(Luta anunciada antes do começo, decidida antes do fim.
Não perdi, me rendi.)
Amei.
Assim, natural, pura e simplesmente.
(Sem me pedir licença, displicente e inocentemente.)
Amei.
Talvez ainda ame.
Talvez nunca deixe de amar.

Manuella Mirna

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Criação no meio de um nada


A notícia que Me saiu do Meu Mundo:

Era uma vez um lugar, muito escuro e muito frio, considerado muito inóspito para a formação de planetas - ou seja, qualquer tipo de vida - por estar repleto de estrelas, radiação e intensas forças gravitacionais. 
Mas um dia,inesperadamente, sem se saber bem como ou porquê, apareceu uma estrela com uma nuvem. A nuvem funcionava como a capa protetora dessa estrela, um envoltório que alguns homens muito inteligentes e entendidos chamavam de disco protoplanetário.
Havia um buraco negro nesse lugar, juntinho da estrela. Buraco negro é um vácuo que pode existir em qualquer lugar do universo e é muito escuro e muito frio, e sempre se acreditou que ele tivesse o poder misterioso de engolir as coisas e fazer desaparecer várias outras. Ele seria, então, um símbolo da destruição.
Os cientistas observaram que aquele disco estava caminhando para a destruição, sendo atraído pelo buraco negro. 
Mas, misteriosamente, o buraco negro poderia destruir o disco protoplanetário, mas não teria força para destruir a estrela! 
Além do mais, desafiando a ciência e as expectativas de todos, a simples existência desse disco e a presença, na mesma região, de estrelas semelhantes a essa linda e pequenina estrela, já sugerem que planetas ainda podem ser criados nesse lugar muito escuro e muito frio, o centro da Via Láctea, a galáxia que abriga esse nosso Planeta azul. 
Um dos homens muito inteligentes e entendidos disse, então, "É fascinante pensar que planetas estejam se formando tão perto de um buraco negro" 
... fascinante, sim, é isso.
Porque representa a luta de uma força criadora extraordinária frente à força misteriosa e amedrontadora de um buraco negro...
É mágico saber que tantas coisas consideradas impossíveis acontecem tão perto do símbolo maior da destruição do universo...
Bem, só me resta pensar e concluir que se isso pode, ah, tudo pode!

Acredite, você tem a força de um planeta!



Manuella Mirna

sábado, 11 de agosto de 2012

O amor na saída do ''caos''

Eu gosto de buracos negros.
Não sei dizer exatamente por que...

Uma vez ouvi que os buracos negros não são O nada, como pensam alguns. Que ele é algo, uma força muito grande, mas um tanto desconhecida, e por isso tão cheia de historinhas escabrosas.
Ouvi que a força que um buraco negro tem pode originar um big ben, e que pode ter sido do big ben de um buraco negro que nosso planeta nasceu...
Ou seja, o aparente nada, que todos temem, é, na verdade, uma força criadora, redentora, uma luz.


Muitas vezes identificam o buraco negro às situações complicadas da vida. E aí, de nada ele passa a caos, aquilo que todos repelem e não buscam compreender. A ciência, com a coragem que lhe é necessária, vai atrás de respostas para o que nossas visões estreitas não querem alcançar. Ela provou que o buraco negro é realmente uma força, algo vivo e que influencia na equação de harmonia do universo.

Sei que estou rodando e rodando, mas... Será, então, que para a harmonia geral - não só do universo, mas a nossa principalmente - são necessários momentos de caos e nada, para que saiamos mais fortes, para que após tudo isso nasça algo bom? Será que tememos esse algo desconhecido porque, como certas coisas/pessoas na nossa vida, não dominamos, não conhecemos por completo, não prevemos todas as ações e reações? E será que por causa desse temor não estamos perdendo a oportunidade de ter a presença ativa de uma força criadora na nossa vida, não estamos perdendo a chance de um big ben no nosso caminho...? Não precisa ser algo gigante, mas do tamanho que necessitamos para mudar a cor dos nossos dias, impulsionar um tanto mais nossa força interior, e alterar os batimentos do nosso coração...

Eu sei que é difícil se render para o desconhecido, sei o quanto nos intimida algo que não podemos controlar, dominar, medir a dimensão, o tamanho e o tempo. Não é fácil. Mas geralmente complicamos muito mais do que realmente precisamos. Colocamos exigências e pré-requesitos tão desnecessários quanto nossa vontade de controlar tudo e nosso medo de novidade.
E então, é isso? Recuamos quando encontramos algo lindo, que sempre desejamos e quisemos, como uma força que pode nos renovar, nos fazer surgir coisas belas, só porque esse algo lindo e grande não cabe na palma da nossa mão, foge às nossas estreitas definições, e desafia nossa coragem?

Fiquei sabendo que "o sentimento reorganiza a matéria na saída de um outro buraco negro"...
Que os sentimentos não são tão complicados quanto se pensa, que aquilo que não conseguimos controlar e nos amedronta não é nocivo, que guerreiros gostam de desafios, não temem o que não podem medir e avançam quando o medo diz pra recuar. Porque um guerreiro sabe dar valor a sentimentos sinceros e dispostos. Um guerreiro sabe que o sentimento sincero é corajoso, é capaz de reorganizar qualquer coisa, qualquer matéria, qualquer coração machucado e na defensiva... é capaz de construir novas fortificações e sólidas relações. Um verdadeiro guerreiro, como eu sei que você é, sabe que um afeto verdadeiro ajeita as coisas no embate com o desconhecido, com o nada, ou com o caos... sabe que, no fim, surge o amor na saída do caos.


Lembre-se: os obstáculos não existem para que desistamos, mas para testar nossa perseverança na busca do que desejamos!

Manuella Mirna

Então, voltar ou seguir?

Existe um ditado chinês que diz mais ou menos assim: o passado é história, o futuro é desconhecido, o presente, como o próprio nome diz, é uma dádiva.

Infelizmente, na maioria das vezes, fazemos tudo ao contrário: nos apegamos excessivamente ao passado, tememos o futuro e não valorizamos o hoje, o dia a dia, o presente.


Ví uma história que me ajudou a pensar um pouco mais sobre isso. No filme, o mocinho não deixava que o rio do passado corresse, se pedrou em momentos passados que não pode consertar; passou a querer um futuro diferente, mas não vivia o presente com o devido valor e atenção...

O que ele entendeu no fim do filme é que "não se muda o que já foi". Quando tentamos mudar o passado e nos prendemos como loucos aos detalhes irreversíveis do tempo transcorrido, nos aprisionamos ao paradoxo do nada e nunca mais temos futuro. Ele entendeu, então, que "o passado e o futuro se entreleçam, eles precisam um do outro para acontecer". Precisam que um deixe o outro ir para que o outro possa surgir.

Por mais difícil que tenha sido o que passou, por mais insatisfeitos que tenhamos ficado com algumas situações, temos que entender que já foi. Se aprisionar a memórias é permanecer no caos dos nossos pensamentos, se impedindo de viver o presente, agradecer por ele, valorizá-lo, cuidar para que ele seja bom e recompensador. E se prendendo ao que já não é mais, deixando correr entre os dedos o que está na nossa frente, perdemos a possibilidade da vitória, da felicidade, do futuro. Que, sim, não será só de sorrisos e conquistas, mas será muito melhor do que o passado, porque aprendemos com ele e, como alunos espertos, não repetiremos os erros que já cometemos. Mas, o que é também importante e que o mocinho custou a entender, é que se não deixarmos o passado ir embora, passar, correr... se não nos despedirmos dele, nosso presente será um pesado e desnecessário fardo, e nosso futuro será de insatisfação e remorso, por ter perdido aquilo que podíamos ter valorizado e por teimosia não cuidamos para pensar num passado que já tinha se ido.

Afinal, quando tentamos mudar o passado e nos prendemos como loucos aos detalhes irreversíveis do tempo transcorrido, nos aprisionamos ao paradoxo do nada e nunca mais temos futuro!

Supere o que passou, valorize as oportunidades que gritam a sua porta e queira construir um futuro radiante, não perfeito, é claro, mas será ótimo se quiseres tentar fazê-lo ser feliz.

 Leve consigo só o que vale a pena, e não olhe pra trás.


Manuella Mirna

A Conversa de nossos Corpos

Você luta... Você me imagina dançando... eu gosto dessas nossas duas brincadeiras de se levar a sério...
Sua luta para mim é a melodia que faz meu corpo dançar...

Em um momento displicente, de mãos dadas, corpos juntos e olhos atentos, ambos anestesiados pela paz que sentimos na nossa fusão, eu penso... e não te digo, até agora, quando te leio o que escrevi pensando nos nossos pólos estranhamente afins:

"A dança é uma desconstrução da forma ereta do primeiro hominida da história para um eixo desforme, no qual seu corpo se torna fluido, tal como as águas que deslizam pelas rochas transportando as purezas na nascente - na sua mente, transformando-as em experiências. 
Ela é uma arte e uma filosofia corporal. É uma conversa apurada, como o teu tai shi... 

Relaxe, inspire... e sinta seu corpo, sua pulsação... os meus batimentos e a minha respiração... está sentindo isso? Esse campo magnético entre nós? Nossos corpos conversam, eles trocam energias e fluidos e querem estreitar essa prosa... 
Então a gente dança para que eles façam isso... 
Deixe que a música penetre pelos teus poros em forma de energia. Energia esta que coordenará seus movimentos, que são nada menos que fluidos pelos quais se comunicam teus sentimentos. Então... dance, sinta isso... converse comigo, se comunique com o som e deixe que ele transporte teus pensamentos, que ele te transforme em movimentos, em um fluir constante de sensações e vontades. 

...É uma desconstrução da forma ereta do primeiro hominida da história para um eixo desforme, no qual seu corpo se torna fluido, tal como as águas que deslizam pelas rochas transportando as purezas da nascente - sua mente, transformando-as em experiências."

Manuella Mirna

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Sim, lutar, por nós

É difícil amar, mas mais difícil é deixar-se ser amado...
E como é. 
Deixar-se ser amado é deixar alguém entrar na sua caverna, na sua redoma protegida, no seu santuário, que você tanto cuidou para que agora estivesse simples e arejado, como nos tempos de paz...

Mas o que é a paz, então? 
Será que é ficar protegido por fora, mas com o coração trêmulo de medo e desejo ao mesmo tempo, de vontade e receio... Essa proteção, tão segura nas horas certas, nas horas erradas não seria "a prudência egoísta que nada arrisca"?... Nessas horas, erradas para se proteger, esquivar-se do sofrimento não é perder a felicidade? 
É com Drummond que me pergunto, mas é por nós que eu penso. 

Afinal, não será que estamos perdendo o sorriso de amanhã? Deixando de sentir a brisa, as gotas serenas de água que minha voz e tua espada tentam dominar. Deixando de segurar um na mão do outro com firmeza... desconfiados, sim, mas dispostos acima de tudo! Dispostos a se superar e a construir nosso forte. Dessa vez não em volta de mim ou de você, mas em volta de nós...
Nós contra as dores do mundo, contra a superficialidade do mundo, protegendo a nós e aos outros, abrindo as portas para nós e para os outros, cuidando de nós e dos outros. 

Sozinhos somos fortes sim, eu sei, somos guerreiros, e fazemos tudo isso. Só que acredito que "sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe". 
Juntos. Por que não? Eu sei que pensamos em todo medo que isso representa, toda insegurança que sentimos e todo sofrimento que queremos evitar... mas não acho que esse seja o caminho. Pois estamos nos esquecendo dos sorrisos que vamos fazer juntos, das lágrimas que não vamos deixar cair, do poder que vamos adquirir na doce e simples transfusão da minha coragem para você, e da sua força para mim. Esquecendo do quão fascinante são para nós as tuas particularidades, as minhas singularidades e as nossas semelhanças, tão raras. Por medo, estamos esquecendo de tudo isso, que vai nos fazer mais vivos, e mais guerreiros, e mais felizes!

Tentando evitar as lágrimas que podemos ter juntos, deixamos de ganhar tantas coisas mais juntos... cumplicidade, apoio, maturidade, carinho, atenção, olho no olho - logo os nossos que se entendem tão bem... Deixamos de ter eu e você. Deixamos de ter, enfim, a palavra que tanto gostamos: Nós.


Sim, lutar! Porque o auge do afeto é quando conseguimos nos fazer o melhor que podemos ser.

Manuella Mirna

domingo, 29 de julho de 2012

Ciúme: o tempero do relacionamento??!

E por que não falar de ciúme? Tempero para a maioria das pessoas, vício para todas elas, mas um verdadeiro veneno, que impossibilita a construção de "um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida..."

Sendo bem objetiva: de que relacionamento as pessoas acreditam que o ciúme é tempero? Só se for dos fracos e imaturos que não se sustentam com confiança, leveza e carinho.
Ciúme é fraqueza, não força, como pensam alguns. 
Ciúme envenena os relacionamentos, castra a segurança e mata a confiança.
Aos cimentos, digo que não se justifiquem na força ou no direito de "cuidar do que é meu". Em vez disso fortaleça sua auto-confiança, compre algum objeto e chame a ele de "meu".

Por outro lado, se a pessoa com quem você está não te deixa segura, não construiu ao redor de vocês um território confiável, que te impeça de desconfiar dela, tome uma atitude. Mas não seja ciumento. Aja com cuidado, em nome do voto de lealdade entre vocês. Pois um relacionamento, qualquer que seja ele, traz consigo, inerentemente, o compromisso da lealdade e da fidelidade, para que se construa a confiança sólida dos bons relacionamentos. E você tem direito a fazer perguntas, mas confiante e serenamente, e somente em nome desse voto de lealdade entre vocês.

Se você sabe - com algum esforço em admitir -  que a pessoa que diz te amar, não dá importância para outras pessoas, mas não deixa te "dar trela" a elas, é porque ela sofre do mal do egocentrismo...
Pessoas egocêntricas não pensam nos outros antes de agir, amam mais o ego do que o próximo, são egoístas e vaidosas. Saem "metendo os pés pelas mãos", fazendo suas bobagens sem pensar em quem dizem amar, a quem, teoricamente, devem ser fiéis e leais, ou seja, tendo a sinceridade de contar o que sente, o que anda fazendo e se quer terminar o relacionamento ou não.

Se você conhece uma pessoa egocêntrica assim, que ao seu lado diz amar, mas não pensa em você antes de fazer as bobagens dela, acredite, não vale a pena estar com ela.
E quanto a você, egocêntrico(a), que diz gostar do parceira(a), mas mesmo assim dá corda para outras(os), ou então, empurra seu relacionamento com a barriga, por não conseguir terminá-lo, e acaba se envolvendo com outras pessoas: coragem criatura, você quer olhar no espelho e ver um covarde?

Manuella Mirna

sábado, 21 de julho de 2012

Desculpe... Mas não há com que se preocupar

Desculpe, amor, eu não sei...
Eu não sei jogar bola, nem lutar karatê - sou desastrada mesmo
Não cozinho bem e ás vezes perco o ritmo - mas faço nosso doce e componho nossas canções
Eu não curto sushimi e não gosto de ar condicionado - gosto do calor, do aconchego e do teu peito
Não jogo diablo 3 e não tenho bons reflexos - mas sei bem de outros detalhes
Eu não faço poesia concreta e não sou super fã de caetano veloso - me concentro mais nas coisas invisíveis aos teus olhos
Não sou boa com datas, nem horários, quase sempre ando atrasada - mas aprendi a Viver o tempo, e contá-lo menos
Corro demais e penso demais - é como eu entro em órbita
...
Eu sei, eu não sei ser menos. Não sou simples, nem convencional.
Eu não ser outra coisa que não eu, nem você sabe ser menos você. Admitamos, somos teimosos. 
Mas pretendo ter menos ferpas e menos espinhos, menos disparos perdidos e provocações sem sentido, sem deixar de ser eu. 
Esse e o objetivo da existência, sermos o melhor de nós mesmos.
...
Meu bem, não se preocupe, eu sempre vou tentar nos descomplicar, por mais que seja uma tarefa no mínimo intrigante, eu nos desafio a isso. 
Não, não vinque a testa, eu sempre vou deixar fluir, por mais que nossas águas sejam torrenciais e saim derrubando tudo e inclusive uma a outra, eu te prometo, a gente se junta no final, e os dois vencem, porque se encontram, se reverenciam, se misturam, se influenciam e se fortalecem mutuamente, no mar. 
Então, não há motivo para se preocupar. Não há problemas, há ondas de mar: elas se batem e batem na gente, assusta, ao primeiro choque, mas há como driba-las, há como mergulhar com calma nelas, há como dois rios se entenderem nelas, há como haver nós dois.

Manuella Mirna

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Pele, alma e papéis

Penso demais?
Você não iria querer me ver, se eu pensasse menos,
se eu falasse menos, se eu risse menos ou mais, se eu dissesse só o que você quer, se eu fosse só o que a tua personalidade inusitada me influi...
Quem seria eu?
Eu não seria!
Talvez uma garota um pouco bonita e um tanto simpática, disposta e exata.
E só.
Não seria eu...
Não seria eu, assim, nas tuas próprias palavras: sem minha bolsa de bolinhas e meus hashis que uso pra prender cabelo... sem meus livros não lidos e meus cds antigos... sem minhas arestas a reparar, sem meus olhos de espanto e meu riso de constrangimento... sem meus comentários nerds - totalmente fora de hora - ou as curvas do meu pensamento - essas não conhecem hora... sem meu malabarismo com meu tempo ou minha cabeça cheia: de fronte séria à primeira vista, serena à segunda, enigmática à terceira... sem meu lado ostra e meu sorriso secreto, nem minhas linhas e acordes... Nada disso que você gosta em mim, nada você veria. Nada eu seria.
Você me quereria?
...
Se eu pensasse menos não seria nada de mim... Eu, em pele, alma e papéis.
Eu seria mais ou menos: 'Exata, ao seu dispor'.
E mais ou menos, meu bem, não me desculpo, eu não sou!

Manuella Mirna

Carne, alma e piano

Às vezes, eu queria ouvir só meu pensamento...
Quando ele idealiza nossos momentos, e diz o que eu queria ouvir de você...
Mas não queria sempre.
Eu gosto das tuas palavras, dos teus argumentos, paramentos e ornamentos; e até gosto da tua voz, dos teus tons, dos teus timbres... e do que você diz ao piano... gosto do teu não... mas gosto muito do teu sim.

Às vezes, só às vezes, eu queria deixar meu pensamento falar por você.
Talvez fosse bom, seria pronto e sempre doce, seria conto de fadas...
Mas não seria você.
Quando é você, teu compasso encaixa no meu samba, com todo jeito e trejeito sem medida; quando você diz o que eu quero ouvir, não é doce... mas tem todos os gostos, tem ar de mogno... é macio e firme como teu peito, cintila como as teclas de um piano amadurecido pelo tempo... é como tem que ser: é você!

É melhor do que meu pensamento sobre você. É real, e gosto do real, dessa sintonia dissonante que há entre eu e você...
Ah, eu não troco isso nem por um romance happy ending com você, nem pela trilha sonora de um musical de jazz antigo; não troco por nada que não seja você: em limite e derivada, em verso e prosa, em grave e agudo, em sintonia e dissintonia... você, em carne, alma e piano!

Manuella Mirna

domingo, 10 de junho de 2012

...O cachimbo é de ouro

Domingo: um pingo na janela, um sorriso à espera, o sol que ameaça não vir. 
Domingo com cara de chuva, domingo com gosto de lua e cheiro de mato. 
Domingo... se te pedem que vá embora, eu te peço pra ficar: entre, saia da espreita, espreguiça naquela almofada, macia e cor de casa, como tu. 
Vem, domingo, espia comigo o bolo de ameixa, bebe um gole de café, conta tuas histórias de terra à volta da mesa, sem pressa de passar... se mostre, tira teu casaco, que amanhã é segunda-feira, e enquanto ela não chega, se acomode em ficar.


Manuella Mirna

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Indizível

Há momentos que deixam até escritora sem palavras...
O que dizer então, senão que sou apaixonada por você em verso e prosa; em cada rima e ritmo; em cada parágrafo; em cada palavra que te caracteriza, te faz ser, não ser e sugerir infinitas possibilidades; que sou apaixonada por você em cada metáfora que tenta te descrever sem sucesso, explicando o indizível...
Mas principalmente, sou apaixonada por você nas palavras que não são ditas, aquelas que só os teus olhos podem me dizer, e só a mim.
E é no brilho do teu olhar que eu encontro o que nem as palavras podem dizer... Ainda bem.

Manuella Mirna

Nossa eternidade

Eu nunca vou saber inteiramente quem és, 
Mas para mim basta que sejas. 
Eu soube,
"Somos eternos por sermos finitos." 
É assim com os momentos. 
Com os nossos momentos.
Mas mesmo que eles sejam breves, 
Eu procurarei outros, 
Para preencher toda a extensão dos nossos dias, 
Os de agora e os de amanhã.
Porque no nosso mundo, te vejo entrando por um tapete, linda, enquanto eu te espero para ficar comigo; te vejo dormindo enquanto penso que não precisa esforço para me apaixonar por você todos os dias; vejo nossas brigas quase inevitáveis serem esquecidas facilmente, e às vezes não; me vejo feliz amanhã e em todas as minhas memórias futuras, onde você está; te vejo declarar o amor de várias formas, principalmente sem nenhuma palavra; e sei que vou estar bem, mesmo na confusão que somos nós, sem esperar pelo momento seguinte, porque não contamos as horas quando há felicidade.


Manuella Mirna

O que é mesmo?

Muitas vezes o que se acha ser prudência é medo. 
Tantas vezes quem você acha que combina com você é um quadro sem profundidade. 
Inúmeras vezes você espera pelas próximas oportunidades, pelo ano que vem, pelo tal momento certo...

Mas quem dirá o momento certo se você não sai do lugar? 
Quanto se tem que esperar até a próxima chance? 
Quem dará o primeiro passo senão você mesmo?


Manuella Mirna

O amor é filme...?

"O amor é filme..." e o filme ensina que a gente só é feliz quando somos nós mesmos. 
Amar é ser finalmente você. 
Nunca forcem uma compatibilidade perfeita. Nem sempre o que parece perfeito o é. 
Amor é algo que não se testa, se sabe, se sente quando se encontrou.


Manuella Mirna

Rasgando o embrulho

Há um provérbio chinês que diz que o passado é história, o futuro mé sonho e o presente, como o próprio nome diz, é um presente de Deus. 
Devíamos tratar nossos dias assim... 
As crianças pegam um presente, rasgam o embrulho com entusiasmo e passam o dia agarradas com ele. Os adultos perderam essa sensação. 
Se todos fossem crianças ao abrir o presente diário, que é a vida, todo dia, ao nascer do sol, haveria mais sorrisos no mundo.


Manuella Mirna

terça-feira, 24 de abril de 2012

O fantasma se rende

... Seu argumento era a distância de volta a Goiânia e seu filho a ser operado.
Perguntei sobre Goiânia - detalhes que um nativo saberia; perguntei de seu filho, a doença dele e o olhar do menino frente a tudo isso - paisagens que só um pai saberia.
Parei aí.
Ele soube tudo me narrar, com a fidelidade de uma criança, com a proeza de um nativo, com o olhar amoroso e dolorido de um pai.
Sem chance para uma parte de mim. Aquela parte, que atende por 'fantasma da minha desconfiança', que me assombra por vários segundos, que sempre me ameça perder o mais belo e singelo da vida... ela, se convenceu e deixou a mansão por um belo instante, talvez sem hora pra voltar, quem sabe talvez não volte... ainda bem!

Manuella Mirna

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Em qual fila entrar?

Ví esta notícia já há um certo tempo, mas, por alguma razão, ela ainda é atual e será por um bom tempo, imagino:

"15/12/2011 20h47 - Atualizado em 15/12/2011 20h48

Usuário sai de casa sete horas antes para garantir iPhone 4S

(fulano) já espera para comprar o aparelho em São Paulo. Novo iPhone começa a ser vendido à 0h desta sexta-feira (16).

Ele diz que tem um iPhone 4, mas só conseguiu comprar o aparelho uma semana depois do lançamento no país, porque já havia esgotado. Com o iPhone 4S, ele afirma que não quis correr esse risco. O desenvolvedor diz ter vários aparelhos da Apple: um MacBook Pro, um iPad 2, um iPod Nano e um iPhone. Além disso, (fulano) relata ter comprado um smartphone com o sistema Android, do Google, há três meses. “Vou vender assim que comprar o iPhone 4S, porque ele é muito lento”, disse."

É né... Boa motivação.

Ok, isso não foi uma ironia.

Não sou contra a tecnologia, não saio por aí dizendo que devemos voltar à tv preto e branco, ao teleférico ou mesmo às cavernas. Não.

Cada época histórica tem seu desenvolvimento e é bom que seja assim. Muitas boas mudanças são feitas na vida individual e em sociedade por conta da tecnologia, e de qualquer outra forma de avanço.

Mas não nego, achei no mínimo curioso a motivação, a espera, a pressa, a necessidade...!!! Nunca imaginei que pudesse ser tão normal e aplaudida a nossa dependência sobre os brinquedinhos modernos.

Também não escondo o espanto quando lí "usuário". Palavra comum né?! Mas que me lembrou a expressão "usuário de drogas". Tudo bem, desculpe se estiver exagerando, mas me parece que nós passamos, sem perceber, de cidadãos para consumidores para "usuários" (viciados em novidades de consumo hi-tech).

Não quero boicotar os iPhones, smarts, tablets, ou seja lá o que venha... Só me chama atenção a espera ansiosa que se vê por aí pelos apetrechos tecnológicos; e a fila formada para a compra do iphone da notícia; e a lotação que ví durante a primeira semana da loja da Apple, aqui, no shop Recife; e a certa competição que vejo pelas ruas, do tipo "nossa, esse seu mp3 é uma relíquia, vê só esse meu mp16..." (não quero nem pensar o que ela diria do meu celular!). E muito mais me assombra o fato oculto a tudo isso: a segregação social de quem não tem acesso à alta tecnologia.

Infelizmente, isso não é um tema de redação de vestibular somente, não pára nos estudos para o Enem ou nas discussões clichês de época de campanha, é uma realidade: o desenvolvimento tem criado vários lados da mesma moeda, um deles é, sem dúvida, o aumento das diferenças e preconceitos sociais.

Não vou inflamar mais um texto, aqui é mais uma conversa de jardim... Para que nós todos pensemos um pouco mais na parte de SER humanos, para que a gente não automatize os nossos atos, se deixe levar pelos desejos da multidão, pela opinião do senso comum, pelos ditames do mercado... Para que a gente não perca o questionamento natural da parte de sermos seres PENSANTES, para que não vire modismo o "não-diálogo", para que não seja tachado de "viajado" aquele que levanta o dedo e diz não concordar.

Não acho que boicotar a hi-tech seja a solução. Mas acredito que precisamos ir menos pelas marcas, modas, marketing e coisas do tipo; que precisamos perceber os limites aceitáveis de cada situação: até onde é saudável um "luxo" e até onde esse "luxo" virou nossa prioridade, até que ponto ele nos determina, define e completa... Somos mais ou menos por sermos Nike, Apple ou Volvo? Acho que não.

Fica a dica: se fôssemos um poco mais competitivos e influenciáveis para ouvir mais o outro, ter mais paciência, sermos mais gentis, sentir mais, compreender mais, fazer mais e melhor... Enfim, se fôssemos alvos-fáceis também para pegar a moda do bom exemplo, no dia de amanhã o Sol brilharia mais forte e os sorrisos seriam menos materialistas, seriam dados sem medo ou pretensão, seriam dados de graça.

Manuella Mirna

quinta-feira, 22 de março de 2012

O dia de quem é "Up"

Pela primeira vez, o dia mundial da síndrome de down está sendo celebrado nas Nações Unidas!!

É sim!
Talvez isso não seja grande coisa para a maioria de nós, talvez... Mas é uma enorme conquista para a sociedade e para os "ups" que, como todos, desejam e lutam pelo sua respeitada e merecida parte na ordem das coisas.

As conquistas nossas de cada dia são difíceis e nos fazem vacilar, cansar, chorar algumas vezes... é sim, não é fácil. Mas não é impossível. E temos grandes exemplos disso ao nosso redor, como, por exemplo, os ditos deficientes de síndrome de down.

Aliás, acho realmente detestável esse nome. Acredito que ninguém goste de ser identificado pelo sobrenome de um médico que descobriu os efeitos de um cromossomo extra no corpo humano... "deficiente, com distúrbio, portador de síndrome', são nomes muitos grandes, feios e complicados para seres humanos incríveis e capazes, até mesmo com uma capacidade de amar, muitas vezes, maior que a da maioria.

Mas enfim, hoje foi um dia de vitória: de alguma forma, por mínima que seja, mostra-se que as diferenças, os preconceitos e as segregações estão diminuindo e ganhando força para reflexões sérias, públicas, oficiais e mundiais.

O mercado está mais aberto para essas diferenças, o ensino está mas pronto e receptivo, as pessoas estão mais instruídas... mudanças lentas, feitas principalmente por se estar vencendo a ignorância, mas são mudanças, e boas.

O fato de haver um dia mundial em favor de algo, para alguns, pode denotar que esse algo não é visto por todos com bons olhos, precisando-se criar um dia de consciência. Mas, independente dessa visão, constata-se os fatos e tenho certeza que muitos "ups" sorriram mais hoje e se sentiram mais fortes.
Afinal de contas, não é tão importante o fato de ser necessário um dia oficial para se discutir certos aspectos sociais, mas importa muito mais que exista hoje tal preocupação e motivação para empreender transformações.

"Impossível é uma palavra grande inventada por uma porção de gente pequena" Ch. Brown Jr.

Manuella Mirna

segunda-feira, 5 de março de 2012

Contando letras, escrevendo números

Se há algo considerado irreconciliável são as letras e os números.
Eu mesma sempre acreditei nisso...
Hoje, certas teimosias me mostraram como ter um pouco mais de carinho e atenção. Vi nas letras e nos números um verdadeiro caso de amor, um metafórico caso de amor...
A matemática tem quatro operações básicas, que se relacionam de tal forma entre si e com todo o grande conjunto dos problemas matemáticos, que não conseguimos fazer uma sem a outra... não somamos sem diminuir algo, não dividimos sem multiplicar, não diminuímos sem dividir... e assim se vai também pelas linhas da vida...

Em se falando de letras, tomo aqui a poesia. Ela também contém operações básicas de abertura, mas, diferente da matemática, não há uma resposta exata, mas a infinita possibilidade de extensão delas. Bem, essas operações podem até se apresentarem isoladamente, mas só são realmente válidas quando unidas a outras mais. E é na união de todas elas, na tensão de todas elas, que achamos as letras ocultas que encantam sem cessar.

Então, imaginem um espaço, de letras e números, em que tais operações estivessem sendo feitas, em perfeita ebulição, com conflitos entre si... até que o auge de percepção de suas existências no espaço é dada pela tensão que passa a ocorrer entre os dois polos.

Na poesia, dizemos que por trás de uma tensão está uma bela harmonia poética, só mais difícil de ser encontrada e compreendida... A tensão contém uma chave... sabendo abri-la, o resultado é surpreendente e eternamente alimentável em si mesmo.

Essa tensão, numérica ou poética ou de qualquer outro tipo de especialidade, a partir de um certo nível, só é compreendida para quem está apto a decifrá-la... Quem sabe fazer isso se mostra pronto para ir do PF (prato-feito) ao banquete na ponta da mesa. E mais importante, ele sabe quando encontrou o banquete, mesmo com tantas nuances e mistificações de outros pratos... Ele sabe pegar a chave e pode abrir a tensão.


Os números e as letras só são entendidas assim por poucos, raros, e mal vista por muitos.
Nisso existem mil metáforas para o sentimento: as muitas características que compões alguém, tal como as operações, ajudam a conhcê-la, te tal forma que com os jeitos, olhares e nuances dela, e somente dela, é que se pode ir decifrando-a, aos poucos, mas continuadamente.
E então, entre duas pessoas, diferentes, confrontantes, tal como as letras e os números, se descobrem pontos únicos e mágicos, aparentemente irreconciliáveis, mas perfeitamente encaixáveis. Até que se percebe que as pequenas divergências alimentam o interesse, para não se deixar perder tal relação rara. E as convergências, que se acreditava não existir, mas são muitas, provam a afinidade um do outro, impedindo a fuga quando a tensão se fizer presente. No no fim, só sobra a inevitável união...

Então, fugir da tensão inevitável entre qualquer bela diferença é perder o espetáculo que se segue, sempre pronto a abrir-se em mil significados.
Letras e números: você calculando minhas linhas, eu escrevendo teus cálculos: Nós, inventando nossa forma de amar.

Manuella Mirna

domingo, 4 de março de 2012

Verde e vermelho...

No corre-corre do dia a dia, nós engolimos muita coisa sem mastigar, e rejeitamos muito também sem provar. Deixamos descer goela à baixo o conhecido e aparentemente melhor, expurgando o desconhecido ou intrigavelmente incomum.

Em palavras curtas, somos bobos e medrosos.

Quantos acordes de escalas diversas perdemos de desfrutar por escolher aquele testado mil vezes, ou que te testou tanto que você não quis mais arriscar.

Céus, penso o que teria sido da música se todos tivessem sido convencionais e pouco confiantes. Se não tivessem dado chance à vida se de expressar através dos seus sentidos. O que teria sido de nós se mais ninguém coordenasse nossos sentidos, que não o cômodo e o passivo.

Sabe, só se sabe que o verde é verde porque se tem o vermelho. Assim é com o Sol menor e o Lá maior da escala de Dó. Assim é na vida. Só se existe em função da diferença, das incongruências tão perfeitamente traçadas. Eu não seria eu se não existisse você. E o que me representa não me serviria se não tivessem as suas coisas. E assim é também para você.


Eu quero continuar sendo eu, e me diferenciando de você. Eu quero que exista verde e vermelho, Sol menor e Lá maior, e todas as cores e acordes mais que forem necessários.
Eu quero que exista algo mais do que o que conheço, vivencio, confio. Quero que exista mais do que o chão que piso, a cor que colore meu quarto e a música que tanto ouço. Quero mais que o meu e o seu, e também quero os dois, o meu e o seu:


A aventura da vida é querer sair do arroz e feijão... Por mais gostosos que sejam, é bom também um baião de dois.
Eu quero saborear o mundo. Meu mundo, e mais isso ou aquilo.
E conhecer para sentir mais. Do mesmo e do novo.
Sentir mais e conhecer de novo. Do mesmo e do novo.
Saber do mesmo e do novo, e saber escolher o que me apetece.

E o certo é que não sei o que virá.
Só posso te pedir que nunca se leve tão à sério. Mas também não se deixe levar.
É, porque a vida é parte do mistério; decerto ela pede para ser desvendada todos os dias... Mas não é bom viver só de mistério, como não é de arroz e feijão somente.

Lembre-se de você e de mim, e do comum e do intrigável, conheça, sinta, desvende... Mas faça as suas escolhas.
Sair da redoma segura dos seus mandamentos e sentimentos contidos não quer dizer se perder na imensidão do universo, quer dizer achar a medida certa para você, a escala que você mais gosta, a cor que mais te deslumbra. Quer dizer ver melhor a mim e a você.

Manuella Mirna