segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pura e displicentemente, amei

(Me dizem que não te amei. Não respondo para eles, não digo para ninguém, mas eu ví de perto a face do que entendo por amor. Só não fui a própria face porque nos faltou uma tarde de terça-feira a mais)

Eu te amei.
Em uma semana. 
Por ditos dois meses.
Mas amei.
Amei como a relva em frente a minha janela que se ariça com o abanar do vento.
Amei como as pétalas do malmequer que fiz pra você e saíram voando por esse mesmo abanar antes que eu pudesse decretar o nosso bem-me-quer.
Amei como a água que correu dançando pelo lago quando o vento abanou assim forte.
Amei como os fios do teu cabelo se movendo displicentemente nesse vento e inocentemente te deixando mais bonito.
Amei como as últimas folhas de outono que começaram a cair em frente à minha porta quando o abanar anunciou da esquina que vinha.
Amei.
Assim, no embalo do vento, na dança das coisas, na luta para que os meus olhos resistissem aos teus.
(Luta anunciada antes do começo, decidida antes do fim.
Não perdi, me rendi.)
Amei.
Assim, natural, pura e simplesmente.
(Sem me pedir licença, displicente e inocentemente.)
Amei.
Talvez ainda ame.
Talvez nunca deixe de amar.

Manuella Mirna

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