Mostrando postagens com marcador pensamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensamentos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Não importa onde, com quem ou quando, para aprender basta estar atento


Às vezes, pode calhar de acontecer, de você se perguntar “onde deixei aquele menino ingênuo e inseguro?” ou “onde larguei aquela menina romântica e cheia de sonhos maiores que ela?”... Pois é, numa noite dessas eis que me pergunto isso e a resposta súbita que encontro: “pela sua tão almejada profissão, nas páginas infinitas dos seus estudos, pelos pátios dos colégios, nos olhares das pessoas que você conheceu, pelos corredores e capins da universidade...”.
Tem gente que pensa que quando alguém sacrifica coisas para lutar na rotina pelos nossos objetivos - necessários, embora grandes - esqueça o mundo e as coisas abstratas que o povoam, no seio das pessoas - aquele essencial, que é invisível aos olhos - e se torne um ser materialista e egoísta. Bem, pode até acontecer que muitos fiquem assim ensimesmados, mas não acredito que seja assim.
Talvez as pessoas não saibam ou não parem para pensar na quantidade de conhecimentos que o espírito pode adquirir em alguns anos bem vivenciados de uma rotina dedicada – se vivenciados com atenção ao mundo a sua volta e observância de si mesmo. Esse crescimento dentro das pessoas é tão imperceptível que passa desapercebido aos olhos de outras. 
Para mim, a rotina de estudos e pesquisas, de trabalho e de incontáveis relações não só tem me tornado uma intelectual melhor e uma profissional mais competente, mas um ser humano melhor. Aprendi coisas que não sei se aprenderia de outra forma, em outra rotina. 
Aprendi a ser mais segura, e a não ser segura demais; aprendi a acreditar em mim, e a não acreditar demais; aprendi a passar dos meus limites, e a respeitá-los; aprendi a passar noites em claro estudando e a trabalhar sorrindo na manhã seguinte; aprendi a dormir mais e a não dormir tanto; a comer mais e melhor, e respeitar esse momento... Aprendi que tudo tem um momento... Aprendi que às vezes é preciso dar um passo para trás, para na hora certa dar dois pra frente; e também dar dois passos para trás, para dar um pra frente no caminho certo... Aprendi que há coisas que não merecem atenção e há coisas que necessitam de atenção; aprendi a relaxar, e a não relaxar tanto assim; aprendi a dar tudo de mim, e quando não dar tanto assim; aprendi que não é tudo em que se deve dar tudo de si... Aprendi a fazer todo o possível para realizar algo, e a dar um jeito para resolver algo de última hora; aprendi a me parabenizar pelo meu esforço, e a não me julgar pelos jeitinhos que eu já dei; aprendi que não me julgar não significa me acomodar; aprendi a me desacelerar e a me acelerar quando necessário fosse... Aprendi que ver a magia do mundo é diferente de ser lunática, e que ver a bondade dos outros é diferente de ser ingênua... Aprendi que não precisamos aprender tudo sós... Aprendi a pedir ajuda, e quando não pedir; aprendi a dar ajuda, e nunca esperar nada em troca; aprendi a colocar meu conhecimento e a admitir minha ignorância; aprendi a estar em grupo e a estar comigo mesma, em um grupo; aprendi a estar sozinha, a ver a beleza disso e a prova por trás disso; aprendi a exigir de mim, a não exigir tanto assim e quando/ o que exigir dos outros; aprendi a falar e também a calar; aprendi a deixar que o outro se sobressaia, mesmo que eu saiba mais que ele; aprendi que sempre haverá alguém que saberá o que você não sabe e o contrário também... Aprendi que não existe isso de não gostar de alguém; aprendi a gostar de quem gosta de mim ainda que eu não goste; aprendi a não dar atenção ao fato de existirem pessoas que não sabem apreciar o que há de bonito na gente; aprendi a diferença entre recalque e autopreservação... Aprendi a gostar mais de mim à medida que as pessoas gostavam de mim; aprendi a gostar mais das pessoas à medida que eu as via e as ouvia; aprendi a deixar as pessoas falarem mesmo que eu não quisesse ouvir – às vezes elas precisam – e a não ouvir algumas outras pessoas falando – às vezes é o ego delas, não elas... Aprendi a calar minhas vozes interiores... Aprendi que todos somos bonitos, inteligentes e agradáveis de alguma forma... Aprendi a acreditar nas minhas capacidades; que de onde tirei força posso tirar mais; aprendi que sempre se pode fazer mais... Aprendi a diferença entre dar valor ao que fazemos e sermos vaidosos; e que a diferença entre saber que sabe e ser soberbo é muito tênue; aprendi que não precisamos fazer os soberbos descerem de seus pedestais e nem os vaidosos se olharem melhor no espelho, a vida ensina a todos nós... Aprendi a calar o meu orgulho quando outros estavam pisando nele; aprendi que ser humilde é diferente de ser otário. Aprendi que não devemos nos preocupar com as máscaras alheias, e sim com as que usamos para nos enganar a nós mesmos; aprendi que não interessa quem é melhor que quem, porque as pessoas só trocam é de defeito... Aprendi que sim, todos têm defeitos, mas que todos, sem exceção, temos qualidades; aprendi que todos têm algo válido a dizer, ainda que pouco; aprendi que quem sabe menos que eu, hoje, pode saber mais amanhã, e vice-versa; aprendi que toda opinião importa, ainda que não concordemos com ela; aprendi que todo conhecimento é relevante, ainda que  não queiramos aprender; aprendi que minha verdade, pode não ser a do outro, e que devo respeitar o seu modo de ver o mundo; quem sabe eu até goste e mude de visão; aprendi que por mais que não pareça, todos têm algo a nos ensinar... Aprendi que sou pequena. Aprendi que sou grande, mesmo na minha pequenez; e que todos merecem respeito, mesmo nas suas pequenezes; aprendi a me amar mesmo sendo pequena, porque também sou muito grande, e a não me amar demais por isso... Aprendi a medida da minha intensidade, e a medida da minha indiferença; aprendi o tamanho da minha sensibilidade e a cegueira da insensibilidade... Aprendi a me importar com o que é importante; aprendi a me preocupar e a não me preocupar tanto assim; aprendi a me esforçar sempre mais, e a nem sempre me esforçar tanto assim... Aprendi que existe a medida certa, mas que cada um tem uma, e todas devo respeitar. Aprendi que quanto mais sei, mais quero saber; que quanto mais li, mais tenho que ler; que quanto mais escrevi, mais posso escrever; e que quanto mais aprendi, mais devo aprender. Aprendi que às vezes também é preciso desaprender. Aprendi que vivo aprendendo todas essas coisas e muito mais, que nunca isso vai parar e que nada tem de exaustivo, porque aprendi que cansaço passa e a transformação fica. Porque aprendi que nada é em vão, tudo tem um propósito na harmonia do universo. Mas aprendi que por mais que tudo tenha propósito não devo ficar paranoica, nem ansiosa, nem intensa demais... Aprendi a zerar, a relaxar, a deixar estar... ZzZzz -_- Aprendi que não precisamos provar o que estamos sempre aprendendo. Aprendi a ser, e querer ser, sempre melhor, sem dor, sem estresse, sem perder de sorrir.



Manuella Mirna

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Não é brincadeira,nunca foi

Toda brincadeira tem um fundo de verdade"... aprendemos isso desde garotinhos.
Mas quando somos adultos e continuamos dizendo brincadeiras, elas são a forma que o inconsciente arranjou de dizer as nossas verdades não admitidas. São coisas que não assumimos para nós mesmos, que temos medo de tomar como verdade e é por isso que brincamos com elas, na velha brincadeira de criança de dizer verdades.
Um dia, talvez, se estará pronto para assumir essas verdades e elas vão passar de brincadeiras a realidades assumidas. Mas na hora certa, quando os adultos estiverem maduros como as crianças, que dizem as verdades que  nunca pensamos ouvir.
Não sei se é sempre assim, nós brincando de dizer verdades, provavelmente não é, tudo tem suas exceções e suas relatividades... o tempo, o momento certo, o sentimento, tudo - ou quase tudo, se não se quer aqui construir absolutismos. Que seja assim: só um pensamento, da vida que passa, um sentimento de um momento, uma verdadezinha no vão de várias outras, não uma opinião imutável sobre tudo.

Manuella Mirna

Sou-Eu-Arte

Algumas pessoas pensam que só podemos falar de algo que efetivamente e absolutamente praticamos. Mas o que seria do mundo se todos esperassem ser experts para falar de alguma coisa ou apreciar algo? Seria um buraco oco e mudo infinitamente melancólico.

Eu mesma, não sei se sou artista no sentido lato do termo, com todos os pré-requisitos e parâmetros que o ofício em teoria exigiria... Também não sei se para ser artista é preciso tanta oficialidade assim... O mundo já é todo tão caixinha e burocrático... Penso que a Arte é justamente aquilo que vai contra a corrente, desafia as leis e ordens, as regras de decifração do mundo; desafia o mundo e a nós próprios, nos desafinando para que melhor nos afinemos; desafia o próprio artista que a pôs em circulação. Ela jamais se fecha, ela tem vida própria depois que criada e isso nenhuma lei oficial ou carteira de trabalho pode conter!

Bem, acho que ser artista vai além desse título oficial, bem como a Arte vai além de mais uma profissão institucionalizada que acaba na descrição paragrafal de uma universidade.

Então, sem pedir licença nem nada, eu falo Arte! Não sei se certo ou errado e acho que não há isso. Acredito que sou artista sim, não sei se boa ou ruim, mas isso não me importa, não mesmo. O que me importa é o que Sou a partir da Arte; o que me encontro sendo; o que me defino com ela; o que crio a partir dela; como sou mais completa com ela; como meu olhar através da Arte é mais Meu, pois quando olho para algo, não sei como é olhar somente, sem pôr Arte nisso. Digo, sem aquela Sensibilidade inata ao Ser que é tão vital quanto a respiração, que se me falta eu sufoco, que envolve e influencia a tantos - como a música -, que vê além do que existe trivialmente - como meus olhos!

Necessito da Arte e me misturo com ela. Primeiro por mim, para satisfazer a minha própria crise identitária de encontro com meu ser, de satisfação do meu ser, que nem sempre as coisas lá fora conseguem suprir. Depois pelo Outro: penso em arte como a tentativa de um ser humano fazer sorrir a outro ser humano, a tentativa de um elevar ao outro, a tentativa de um ser humano despertar as coisas mais belas no outro, mesmo que se faça isso a partir de uma estética bruta ou grotesca - nos termos de V. Hugo -, o objetivo final é o Belo, se não esteticamente, sim interiormente, na Alma do sujeito, a busca da Transcendência do que há de melhor no ser. A arte aspira a elevar a espécie! Nós precisamos disso. Precisamos dela. É o que o homem quer e mais deseja de si, mesmo que ele não saiba e não busque isso conscientemente, ele quer o melhor protótipo de si mesmo. Para que ele possa Ser Arte também, para que ele possa inspirar e ser inspirado pela própria espécie!

A prática da Arte advém desses pré-requisitos, não da formação acadêmica, da assinatura da carteira de trabalho, do reconhecimento em outdoors e top-5 das rádios, a Arte está aí, para (se) dar de graça, para ser em Essência, para se doar para quem tenha capacidade de recebê-la, de Sê-la e Doá-la novamente ao mundo, num ciclo Encantado de Vida e Arte.

Manuella Mirna

sábado, 11 de agosto de 2012

Então, voltar ou seguir?

Existe um ditado chinês que diz mais ou menos assim: o passado é história, o futuro é desconhecido, o presente, como o próprio nome diz, é uma dádiva.

Infelizmente, na maioria das vezes, fazemos tudo ao contrário: nos apegamos excessivamente ao passado, tememos o futuro e não valorizamos o hoje, o dia a dia, o presente.


Ví uma história que me ajudou a pensar um pouco mais sobre isso. No filme, o mocinho não deixava que o rio do passado corresse, se pedrou em momentos passados que não pode consertar; passou a querer um futuro diferente, mas não vivia o presente com o devido valor e atenção...

O que ele entendeu no fim do filme é que "não se muda o que já foi". Quando tentamos mudar o passado e nos prendemos como loucos aos detalhes irreversíveis do tempo transcorrido, nos aprisionamos ao paradoxo do nada e nunca mais temos futuro. Ele entendeu, então, que "o passado e o futuro se entreleçam, eles precisam um do outro para acontecer". Precisam que um deixe o outro ir para que o outro possa surgir.

Por mais difícil que tenha sido o que passou, por mais insatisfeitos que tenhamos ficado com algumas situações, temos que entender que já foi. Se aprisionar a memórias é permanecer no caos dos nossos pensamentos, se impedindo de viver o presente, agradecer por ele, valorizá-lo, cuidar para que ele seja bom e recompensador. E se prendendo ao que já não é mais, deixando correr entre os dedos o que está na nossa frente, perdemos a possibilidade da vitória, da felicidade, do futuro. Que, sim, não será só de sorrisos e conquistas, mas será muito melhor do que o passado, porque aprendemos com ele e, como alunos espertos, não repetiremos os erros que já cometemos. Mas, o que é também importante e que o mocinho custou a entender, é que se não deixarmos o passado ir embora, passar, correr... se não nos despedirmos dele, nosso presente será um pesado e desnecessário fardo, e nosso futuro será de insatisfação e remorso, por ter perdido aquilo que podíamos ter valorizado e por teimosia não cuidamos para pensar num passado que já tinha se ido.

Afinal, quando tentamos mudar o passado e nos prendemos como loucos aos detalhes irreversíveis do tempo transcorrido, nos aprisionamos ao paradoxo do nada e nunca mais temos futuro!

Supere o que passou, valorize as oportunidades que gritam a sua porta e queira construir um futuro radiante, não perfeito, é claro, mas será ótimo se quiseres tentar fazê-lo ser feliz.

 Leve consigo só o que vale a pena, e não olhe pra trás.


Manuella Mirna

domingo, 29 de julho de 2012

Ciúme: o tempero do relacionamento??!

E por que não falar de ciúme? Tempero para a maioria das pessoas, vício para todas elas, mas um verdadeiro veneno, que impossibilita a construção de "um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida..."

Sendo bem objetiva: de que relacionamento as pessoas acreditam que o ciúme é tempero? Só se for dos fracos e imaturos que não se sustentam com confiança, leveza e carinho.
Ciúme é fraqueza, não força, como pensam alguns. 
Ciúme envenena os relacionamentos, castra a segurança e mata a confiança.
Aos cimentos, digo que não se justifiquem na força ou no direito de "cuidar do que é meu". Em vez disso fortaleça sua auto-confiança, compre algum objeto e chame a ele de "meu".

Por outro lado, se a pessoa com quem você está não te deixa segura, não construiu ao redor de vocês um território confiável, que te impeça de desconfiar dela, tome uma atitude. Mas não seja ciumento. Aja com cuidado, em nome do voto de lealdade entre vocês. Pois um relacionamento, qualquer que seja ele, traz consigo, inerentemente, o compromisso da lealdade e da fidelidade, para que se construa a confiança sólida dos bons relacionamentos. E você tem direito a fazer perguntas, mas confiante e serenamente, e somente em nome desse voto de lealdade entre vocês.

Se você sabe - com algum esforço em admitir -  que a pessoa que diz te amar, não dá importância para outras pessoas, mas não deixa te "dar trela" a elas, é porque ela sofre do mal do egocentrismo...
Pessoas egocêntricas não pensam nos outros antes de agir, amam mais o ego do que o próximo, são egoístas e vaidosas. Saem "metendo os pés pelas mãos", fazendo suas bobagens sem pensar em quem dizem amar, a quem, teoricamente, devem ser fiéis e leais, ou seja, tendo a sinceridade de contar o que sente, o que anda fazendo e se quer terminar o relacionamento ou não.

Se você conhece uma pessoa egocêntrica assim, que ao seu lado diz amar, mas não pensa em você antes de fazer as bobagens dela, acredite, não vale a pena estar com ela.
E quanto a você, egocêntrico(a), que diz gostar do parceira(a), mas mesmo assim dá corda para outras(os), ou então, empurra seu relacionamento com a barriga, por não conseguir terminá-lo, e acaba se envolvendo com outras pessoas: coragem criatura, você quer olhar no espelho e ver um covarde?

Manuella Mirna

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O que é mesmo?

Muitas vezes o que se acha ser prudência é medo. 
Tantas vezes quem você acha que combina com você é um quadro sem profundidade. 
Inúmeras vezes você espera pelas próximas oportunidades, pelo ano que vem, pelo tal momento certo...

Mas quem dirá o momento certo se você não sai do lugar? 
Quanto se tem que esperar até a próxima chance? 
Quem dará o primeiro passo senão você mesmo?


Manuella Mirna

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Aparência

"Aparência é a corporificação expressiva e temporária de uma personagem existente, na personalidade que não existe" (Dr. Marco)


É. Aparência é o que não é!
É uma coisa esquisita. Aparência reúne sentimentos e ações que a maioria das pessoas repudiam, outras correm atrás... Vai entender né?!
Mas, no que eu acho que todos concordamos é que quando somos aparência ou agimos com ela não somos a parte mais importante de nós mesmos. É, porque eu acho que todos concordamos que a parte mais importante, embora seja também importante, não é a aparência.

... Esses dias, tive situações desagradáveis em que vivenciei a aparência. E foi quando notei que essa palavra diz mais do que ela parece dizer. Ela pode dizer demonstrar o que não se sente ou sentir e não se demonstrar! Essa última me parece mais difícil.


Fomos condicionados durante a vida a não mostrar o que sentimos ou quem somos, pelo menos não na íntegra. Pois, agindo com reservas estaríamos nos guardando do indesejado sofrimento de não sermos aceitos, vistos ou correspondidos.
Assim, as pessoas aprenderam a não dizer quando sentem afeto ou mostrar bem menos do que realmente sentem. Aprenderam a ser políticas e polidas... Em geral, aprenderam a ser superficiais. Nada de muito profundo, nada de muito íntimo, nada de muito EU ou VOCÊ. Aprenderam que sofrer é para os fracos e que os espertos não se envolvem. Aprenderam a fazer relações à base de vidro e parafina. Frágil combinação, como medo e egoísmo.


Esses "ensinamentos" fazem parte das dicas de vida diárias de milhões de pessoas. Talvez seja por isso que estamos na ditadura da beleza e não da verdade. Talvez seja por isso que os relacionamentos estão cada dia mais relâmpagos ou durando com o comodismo. Talvez seja por isso que a publicidade tem faturado bilhões vendendo mulheres perfeitas, produtos mágicos, psicólogos movidos à bateria, solidão à banda larga e sexo à primeira vista, e só vista mesmo. Talvez seja por isso que os psicoterapeutas estão tratando cada vez mais de pessoas que apenas precisam conversar e dividir suas verdades. Talvez seja por isso que a verdade dói, a sinceridade assusta e os sentimentos foram trancafiados numa caixa por medo que seus donos têm do sol.
Como Caetano diz, "Narciso acha feio o que não é espelho" e o ser humano teme o que não lhe é recorrente.

Tudo bem, tudo bem, eu sei... Ninguém quer se expor, ninguém quer sofrer e ser o melhor que possa para depois ser passado para trás na primeira oportunidade. Mas só acho que devia ser incluído nas dicas de vida diárias que os melhores momentos, oportunidades e pessoas são vivenciados com alguns riscos, e alguma coragem e ousadia... Além disso, acho que todos preferimos vivenciar verdadeiras emoções do que não vivenciar ou, pior, ter emoções inventadas. Até onde pude checar o ser humano tem alma, e não uma máscara de tragédia/comédia grega no lugar dela ou um vidro preto e oco no lugar do coração.


Então o lema é: seja verdadeiro. Medo? Tenso? Bem, me ensinaram a perceber esses dias que há outras formas de entender ser verdadeiro. Como tenho dito, a maioria pensa que é sinônimo de ser um "otário". Mas depende de quem você seja e no que acredite. O que quero dizer é que, quando você tem certeza de pelo menos alguma parte de você - já que o processo do auto-conhecimento requer uma vida inteira - e de pelo menos algumas coisas em que acredita, você até teme, como todos, mas age com coragem em ser você mesmo. Pois nada nem ninguém vai pôr a perder essa joia verdadeira que você tem. Por mais mesquinhas ou imaturas que sejam as pessoas que pisem na sua verdade, ela não será diminuída ou apagada. Porque, afinal de contas, ela é você. E você não é uma folha de papel manteiga que possa ser facilmente esmagada e jogada fora.

Conclusão: não tema sentir e demonstrar o que sente, e não demonstre o que não sente.
Por que? Porque nós temos o direito de vivenciar as coisas boas que somos e desejamos. Porque ninguém consegue mentir pra se mesmo e ser feliz. Porque nada pode abalar a melhor parte de nós. Porque, não é só direito, temos o dever de vivenciar a vida com toda a mágica que ela possui, aparte de toda adversidade. Porque se o que todos buscamos é a tal da felicidade, não dá para ser feliz sendo e sentindo pela metade, ou uma metade que nem sequer existe.

Como a gente conversou no começo, a aparência sufoca a parte mais importante de nós: a essência. Não se trata de soltar a fera que há em nós, não, pois no texto anterior a gente fez um pacto de melhora em 2012... ;D Estou falando daquela parte que até nós mesmos nos surpreendemos quando pomos em prática, a bela e corajosa parte de Ser, você...

Então, faça um favor pra você:

(mantenha a calma e siga em frente)

Manuella Mirna

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dias ruins x vidas que saltam

O dia começa com uma enchaqueca que não passa desde a tarde do dia anterior. Hora marcada. Vontade zero. Ônibus lotado. A dor persiste. Você está atrasada. Trânsito. Você chega ao seu destino. Ouve o que não quer ouvir. Estresse. Descompasso. Movimento. Água desce dos olhos.

- Descrição típica de dias não tão bons. Mas que todos, uma vez ou outra, tem que passar. Coisas da Vida. Ela sabe o que faz.

Você crê. A água pára. Você se acalma. A hora se ajusta. Você vai para outro lugar. Não se atrasa. Você persiste. A vida nunca desiste de você. Você sorri. O dia se ajeita. As horas passam. Chegam notícias não tão boas. Você está melhor. Você controla a situação. Você crê. Você persiste. Tudo vai ficar bem...

- Descrição de quando você retoma o controle de si, a fé, a coragem, a ousadia, a força, a tenacidade. Descrição de dias na vida, em que você decide não deixar de acreditar nela e ela mostra que nunca desacreditou de você.


Aliás, mais uma vez me dou conta disso, quando achamos que as coisas vão mal, até devem estar mesmo, mas nunca as piores. O teu mal é pequeno para outros males de outras pessoas. Por outro lado, o teu bem rotineiro é, muitas vezes, o bem que outras pessoas tanto precisam.

E no fim do dia, quando você se esforçou o dia todo para não desanimar com seus males, para ver os teus valiosos e impagáveis bens, a vida te traz de bandeja mais motivos para acreditar nela: um homem deficiente, quase não anda, pernas e mãos tortas... Podia ter coragem torta, dignidade torta... Mas não são coisas comparáveis. Problemas no corpo não determinam problemas na alma. Mas dificuldades que se passe, quando bem administradas, são argamassa para uma personalidade fortalecida. Patente. O homenzinho me mostrou isso, sua dignidade, sua humildade, sua resignação, banho de coragem. Outro homem, andar feito de aço, mochila e farda do governo, cabelo cinza. Ia estudar, à noite, com seu andar condicionado por esse quadrado de aço. O quadrado lhe dá o suporte que precisa para ir aonde deseja, mas sua determinação e capacidade de acreditar é que o movem para ir além.

E o dia anuncia terminar. Véspera de feriado. A enchaqueca passou. As costas agora reclamam do peso da mochila. Mas a água não voltará aos olhos. Ônibus demora até demais. Parada cheia. Pessoas. Desejos diferentes, mundos diferentes. Cidade toda engarrafada. Amanhã mais um dia. Novo brilho de sol, nova luz da lua. E nessa épica parada lotada de uma rua movimentada, uma visão de quadro anuncia que a vida sorri para todos nós. A 3 metros de altura as árvores de um lado e d'outro na rua se juntam. As folhas esculpidas estrategicamente abrem um espaço acima delas. Nele, lá, a lua. É crescente. Crescente como a fonte dos desejos de cada um, como fim de novela anunciando que agora quem faz a história somos nós, como quem espreita lá do alto nossas vidas intrigavelmente apaixonantes.

Lição do dia: paixão pela vida. E o resto? Você continua.

Manuella Mirna

"Canta Maria
A melodia singela
Canta que a vida é um dia
Que a vida é bela, minha Maria"

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Devaneios permitidos

Quarta à tarde. Aula de Teoria Literária. Pouco mais de trinta cabeças sedentas por arte, mas também por tudo que não fosse aula. Um homem distinto lá na frente disposto a falar tudo que sabia e um pouco mais. A teoria do dia não era a melhor de todas, não era melhor que práticas artísticas ou experiências a viver; naquele momento era só teoria, que só desabrocharia anos mais tarde no cotidiano encantado da língua em que escolhemos viver. Mas numa aula assim tudo que não é teoria é vida, é pensamento, é sentimento. Numa aula assim há a meta do assunto a cumprir contra um caminho misterioso e atraente a percorrer. Ficamos com os dois, mas certos dias gostamos mais do segundo. São devaneios permitidos pelas paredes respeitadas de uma sala de aula, devaneios a que nos permitimos por gosto a enxergar o algo a mais, as pequenas grandes coisas, os detalhes apagados pela correria do nosso olhar desatento, o brilho que há em cada coisa, em cada um, em cada...

E desconcentrada do todo, como criança, brinco com versos de mestres:
"o essencial é invisível aos olhos"...
mas muito nítido para o olhar.
porque entre tantas palavras belas eu escolho 'sodade', e ela se vê em meu olhar.
"gosto muito do pôr-do-sol, vamos ver um"...
mas se você não aparecer a tempo de vê-lo,
se meu pôr te parecer o nascer,
e meu nascer parecer futuro para ti,
não faz mal,
podemos ver então as estrelas e nos fazer lua para elas 'espiar'.
"se tu vens às três da tarde desde Às quatro começarei a ser feliz"...
mas se não é sensato falar em felicidade nesse mundo,
falo de algo assim mais sadio que ansiedade e mais pleno que alegria,
algo assim sem razão aparente;
razão: coisa que não existe no meu sonho, mas no dia prende meus pulos de criança.

E imersa de novo nas quatro paredes feitas de metas e artes, sou apenas uma entre as mentes que se permitem devaneios instigados pelo homem distinto lá da frente:
"adoro o som dos sinos e o som da máquina fotográfica, congelam o tempo"...
verdade, quando o sino bate seis horas, tudo que ocorre dentro das seis horas se congela, de alguma forma se imortaliza, de alguma forma se percebe a importância dessa hora, paramos sem perceber contemplando aquele momento de agora, aquela tempo que o som de um badalo insistente quis imortalizar e nos fazer dar valor não só para a importância daquele momento, mas para todos.
Verdade, quando a máquina faz 'clic', ela diz que guardou aquele momento para sempre. Como diz Quintana, os momentos são belos justamente por serem finitos, mas são tão belos que queremos tê-los para sempre de alguma forma e para sempre lembrar dos sorrisos e dos sentimentos que ilustram uma fotografia, que marcaram uma vida.
E sem saber bem porque me vem uma vontade humana de não perder esses momentos, de não deixar que eles passem sem que notemos suas ilustres presenças. Pois sem nossos mosaicos de momentos o que seria a vida? Nossa colcha seria vazia, e toda furada não nos acalentaria nos dias de frio. Porque sem percebermos são esses momentos, essas lembranças e essas pessoas das fotografias que nos protegem do frio dos nossos medos e se abrigam conosco das tempestades do caminho.

E entre outros, um devaneio final fecha nossa respeitosa permissão de aula de arte:
"as intervenções da arquitetura na cidade"
O homem distinto lá na frente disse essa frase ao contar uma história que aconteceu com ele. Um amigo seu, que fazia arquitetura na época, o fez observar como as luzes de um prédio se apagavam e se acendiam, o fez ver esse movimento e entender que arquitetura era mais que fazer prédio, era intervir na cidade e na percepção das coisas e o disse essa frase.
E me lembrei de como é bom ficar na varanda observando esse movimento, quase bobo, das luzes de um prédio ao longe. E agora senti também a saudade da saudade de uma pessoa que sente falta de olhar as luzes dos postes e dos carros à noite, o movimento das pessoas, o corre-corre de vidas tão cansadas, que acreditam por vezes estarem invisíveis. Ato quase banal, mas tão singelo, tão vivo. São vidas. São histórias. São pessoas e seus pensamentos, suas conversas, suas progressões de cena. É como contemplar o mundo respirando, se renovando a cada apagar de luzes para um novo acender em outro cômodo... nada será do mesmo jeito que foi de um apagar e acender há segundos trás. E aí, nada parece tão confortante quanto olhar para a vida de frente e assim percebermos que nossa vida vira obra de arte se quisermos vê-la assim, se quisermos perceber que para um outro, na varanda da sua casa, num ônibus, passando de noite pela cidade, somos focos de luz e história, momentos de vida e sossego para ele. Movimento, vida, poesia. Saudade.

E eu me pergunto: Devaneios?!
Não, doces verdades. Elas só pedem olhos atentos, olhos sensíveis, olhos que vejam o algo a mais da vida, olhos como os dessa pessoa que conseguiu me fazer sentir a saudade que ele sente de observar a vida de ângulos tão 'bobos', tão poéticos, tão vivos.

Manuella Mirna

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tua face, Minha face... na face do Mundo

Como um dia comum.
Como uma tarde dessas.
Sem uma razão convincente.
Somos uma face não tão boa de nós.
Perdemos o tato ou o olhar, meigo, atento.
Perdemos a audição ou a atenção, fiel, leal.
Nos perdemos do que somos nós.
Daquela face rara.
A melhor.
E tratamos com indiferença ou insensibilidade o diferente de nós.
Não melhor ou pior.
Mas diferente.
Tendência humana cega que encontra o erro só no oposto. Encontrando todas as razões para justificar a razão própria. E se desconhece o significado de "compreensão"... ou só de um pouco mais de humanidade.
Muitas vezes não se quer falar nisso.
Muitas vezes não se encontra ''tempo'' para pensar nisso.
Muitas vezes não encontramos oportunidades de agir assim.
Muitas vezes justificamos a nossa falta de vontade com qualquer uma dessas coisas.
Não se trata de incapacidade, ou predisposição genética; nem mesmo de maldade.
Não. É somente a nossa cegueira, pelo orgulho bobo e egocentrismo imaturo.
E quando nos recusamos a observar o que está na nossa frente, nos perdemos de nós mesmos, esquecemos do que somos, ou poderíamos ser; esquecemos o melhor que somos ou poderíamos ser.
Quando passamos pelas ruas, pelos momentos, pelas pessoas... sem tentar notar a necessidade dos olhares ou o brilho dos sorrisos, perdemos oportunidades de sermos a luz de alguém ou de deixar que alguém seja a nossa luz naquele dia.
Às vezes precisamos olhar para fora para então olharmos para dentro com maturidade. Às vezes precisamos enxergar o outro para nos enxergamos na proporção certa. Às vezes precisamos nos permitir, não tratar uns aos outros como lobos desconfiados, mas como aliados de um mesmo ideal. Por mais impossível que pareça, se começa dos próximos mais próximos.
Não é tão difícil. Às vezes basta um espelho iluminado pelo sol e inclinado na diagonal. Às vezes basta que se admita os próprios defeitos e limitações para compreender os dos outros. Que se pise no chão sem pedestais ou saltos de madeira. Que nos percamos de si... Sim, mas dos nossos medos, dos nossos entraves, dos nossos argumentos, dos nossos "nãos". Que se encare o próximo com humanidade, face a face. Que nos encaremos com maturidade, face a face.
Que entendamos que muitas vezes na tua face, está refletida a minha, e na minha face está a do mundo.
Olhe. E queira ver.

Manuella Mirna

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Minha Narnia, sua Narnia

As Crônicas de Narnia (The Chronicles of Narnia), divididas em sete, formam um clássico livro enquadrado como infantil, o qual deu origem aos filmes da série assistidos nos cinemas desde 2005. Eu estava assistindo o segundo, um dia desses, quando então percebi que ele era mais que uma aventura para distração da criançada. Percebi que Narnia é mais que um reino lendário da fantasia de algum autor viajado. Percebi que as muitas batalhas vividas nas crônicas não são meros jogos de ação narrativa para ludibriar. Percebi que Susan, Peter, Edmund e Lucy podem ser eu, você ou qualquer um. Foi então que lembrei que todo conto de fada, toda historinha contada na infância, toda fantasia, fábula ou qualquer outra história que não pareça deste mundo é na verdade um reflexo do nosso mundo, da nossa gente, dos nossos dramas, medos, maldades e virtudes e, principalmente, um espelho do que devemos ser ou fazer para ser humanos melhores. Com As Crônicas de Narnia não é diferente, tudo nelas pode ter um reflexo em nós, em nossas vidas.
No final do segundo filme consegui enxergar assim. Alguns dizem que Narnia é como se fosse uma espécie de céu ou purgatório, eu não posso dizer nada ao certo, mas posso também colocar minha visão e cada um, como eu, compreender a seu modo. No final daquele filme Peter e Susan não precisarão mais voltar a Narnia, já aprenderam tudo que lá deviam, já estão prontos para de forma única e mais madura enfrentar o mundo dos humanos, uma ilha perdida na qual se encontra uma caverna contendo uma rara fenda que leva a Narnia. Passei então a ver Narnia como um mundo que alguns, marinheiros errantes, aventureiros e corajosos o suficiente para explorar a vida, podem aprender coisas que o dia a dia dos humanos acomodados não permite aprender. Como um lugar em que você é mais do que sempre pensou ser, onde você pode se experimentar, ver suas capacidades com mais clareza do que na prisão do cotidiano, ver que seu potencial é bem maior do que supõe e cabe a você descobri-lo para o mal ou para o bem. Fazendo a escolha certa você irá se testar, passar por dificuldades, obstáculos inimagináveis que o ajudarão a ser mais corajoso, humilde, justo, resistente, gentil, esperançoso, perspicaz.
'Acontece', alguns dirão, 'que não existe uma fenda numa caverna por onde eu possa adentrar e me aventurar num mundo que me deixará melhor, isso não existe!' Aí então eu responderei dizendo que a eles falta um pouco de boa vontade para enxergar as coisas de um outro jeito, não mentiroso, mas diferente. Pois Narnia não precisa ser fisicamente um outro lugar, mas pode ser um outro mundo dentro deste em que vivemos. Podemos tratar o nosso mundo como essa experiência narniana que nos permite ser humanos melhores. Podemos ver as batalhas como as dificuldades encontradas de várias formas no cotidiano. Podemos ver os majestosos reis e rainhas como nós mesmos, crianças errantes, que em busca de um mundo melhor, em busca de perpectivas melhores em suas vidas se aventuram nela todos os dias procurando maneiras de aprender coisas novas, enxergando pessoas e experiências que as façam ser diferentes, apenas modos de fazer algo diferente apartir na renovação delas mesmas. Podemos ver um livro ou filme infantil como um reflexo do nosso mundo sacal, das maldades humanas, dos dramas vividos e um espelho do que podemos ser se quisermos enxergar a vida como a melhor aventura, um espelho onde possamos entrever o que devemos fazer para sermos mais do que agora.
E assim, com cada um dos reis e rainhas, com cada um dos personagens dessa 'fantasia' se aprendem valores, virtudes que deveríamos ser mais atentos e obstinados em adquirir.
Com Lucy aprendemos a ser mais esperançosos, a perceber que acreditar não é viver de ilusão, mas crer em novas possibilidades, crer que os obstáculos são menores do que parecem, que somos maiores do que os outros supõe. E crendo mais fazemos mais, clareamos nossa mente para ver outros caminhos. Com ela aprendemos também a ser destemidos, superando as espectativas quando tudo o que os outros pensam é que você seria a primeira a se machucar naquele caos, passando até serenidade e doçura tanto nos bons quanto nos maus momentos.
Com Susan aprendemos que o ceticismo tem duas faces: a primeira nos mantém vendo a realidade e isso é bom, pois dela não podemos fugir, temos que enxergar as coisas com senso de realidade para não ser covardes; a segunda, no entanto, nos mostra o perigo de ser descrente ao extremo, pois isso pode também manter fincados os nossos pés no chão, não só sobrepostos, o que impede-nos de alçar voos maiores para ver as coisas de uma outra perspectiva, para achar caminhos que a realidade fincada, o ceticismo, fica cega para ver. Com ela aprendemos principalmente a ser gentis e servir e auxiliar não só nossos amados irmãos de sangue, mas também aqueles desconhecidos que se tornam nossos irmãos se assim o quisermos ver, oferecendo um chamado amigo sempre.
Com Edmund vemos que o egoísmo e a soberba, quando se apresentam em nós, nos faz se distanciar de quem e do que prezamos, nos faz sentir o gosto amargo da solidão e a dor de ter esmagado alguns para satisfazer o nosso ego. Mesmo assim, ele nos mostra que nunca é tarde para voltar atrás e provar que o amor e a amizade são mais importantes, porque ficamos mais fortes quando temos a segurança e o amor dos que nos amam. Com ele aprendemos principalmente a ser justos e verdadeiros, usando da imparcialidade e da capacidade de se colocar no lugar do outro, premissas para quem pretende a justiça.
Com Peter entendemos que o orgulho, quando aparece em nós, pode nos fazer ir por um caminho mais longo e tortuoso. Mas com ele aprendemos principalmente que o amor por um idéia, o amor por um povo, o amor pelo bem e pela paz nos faz alcançar vitórias ditas impossíveis. Nos faz esquecer o orgulho por uma causa maior, por um bem maior, nos faz pensar no bem-estar do outro para depois pensarmos em nossas temperanças, nos faz ser mais apaixonados pela vida e mais corajosos para lutar pelo que acreditamos.
E agora, por mais que pareça bobo falar de um leão, tente o exercício de ver além. Assim, Aslam para mim ilustra que mesmo quando tudo parece sombrio, perdido, sem jeito; mesmo quando quando tudo parece não passar da mais dura das realidades, sempre há alguém que olha por nós, que olha nossos passos, orienta intuitivamente ou diretamente, e estará lá quando chegarmos onde precisamos. Ele não vai fazer o serviço por nós, não vai lutar as nossas batalhas por nós, vai deixar que nós saibamos dar os próprios passos, que lutemos com as armas dadas por ele e as armas decobertas por nós mesmos, como a coragem e a esperança. Ele irá orientar para que colhamos nossos frutos por mérito de esforço próprio. Mas ele está ali, em algum lugar, nos cuidando, nos olhando, torcendo por nós e esperando que cheguemos até ele. Ele para mim tem um nome, para você pode ter um outro, pode ser uma energia superior, pode ser nada, mas não se pode negar que sente-se sua existência, em algum lugar, aqui dentro.
Então, quando conseguimos sair da acomodação do dia a dia, dos padrões do que é adulto ou infantil, das normas às vezes sem sentido da sociedade, dos nossos egos, medos e amargor, conseguimos ver em cada coisa uma oportunidade de nos ver e de crescer. Conseguimos ver a vida como uma escola, conseguimos nos tornar mais justos, corajosos, gentis e esperançosos. Conseguimos perceber que uma 'fantasia' pode retratar uma realidade, tudo depende do ponto de vista, e o que parecia ser algo, na verdade pode ser uma outra coisa. Não se trata de sermos imaginativos e criarmos um mundo particular que não existe. Se trata de saber viver, de ver em três dimensões de fato, de explorar todos os aspectos que a vida tem e vê-la como ela realmente é, ver-nos como somos e como podemos ser. Se trata de tirar da vida tudo que ela pode nos dar, de enxergar mais além de um quadro ou do seu umbigo e, assim, conseguir entender porque que ela, a vida, pode ser a minha Narnia, a sua Narnia.
Então, 'por Narnia': pela sua vida, por você, por como as coisas devem ser, pelo que podemos ser, pelas pessoas que acreditam em nós e esperam que acreditemos nelas, pelas causas ditas perdidas, pela esperança impraticada, pela coragem desacreditada, pela gentileza quase extinta, pela justiça chacoteada, pelo amor que nos faz valer a pena lutar por essas causas e pelas pessoas sempre que o sol ou a lua se apresentarem, por tudo isso e por tudo que ainda acreditas, viva melhor, seja melhor, todos os dias.

Manuella Mirna

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Versões (Mais do Mesmo)

Sentimos, pensamos, falamos, agimos.

Vemos, ouvimos, reproduzimos.

Entendemos, não entendemos.

Tiramos conclusões.

Versões. Mais interpretações da mesma coisa a todo tempo.

Todos os dias convivemos com as propriedades de um mundo que é novo a cada novo olhar, é diferente a cada nova intenção. Mas é o mesmo, o mesmo ar meu é o ar seu e o oceano é nosso, é de todos. Assim corre a mesmice de uma terra que se reinventa a cada pessoa. Sábia é ela que se dá a chance de novas faces, de flexibilidade, de novas idéias e novos sentimentos. Sábio de nós se soubermos, a cada dia, enxergar as coisas a nosso modo, mas respeitar os outros diversos modos que uma mesma coisa pode ser vista; se soubermos, como o mundo, ser multifacetados, nos dar a oportunidade de ter novas versões a cada nova situação, de nos reinventar e descobrir, talvez, um novo lado oculto e saudável de nós mesmos; se soubermos discernir a melhor opção, o que não passa de farsas do que é realmente uma boa face.
No entanto, há um perigo na multiplicidade das coisas que é praticamente tão presente quanto o saldo positivo disso. Porque o homem tem tanto a capacidade de enxergar coisas boas quanto as más. Geralmente, por interesses próprios ele tende a ver primeiramente o pior lado e muitas vezes inventar a pior versão. Quando ele consegue entender que ninguém vive só, que ele não está fadado a uma única alternativa na vida ou a um único 'eu' de si mesmo e que o "essencial é invisível aos olhos", ele vê melhor, vê aquele lado, entende aquela versão, sonda aquela face aparentemente discreta e desimportante, mas que com interesse se torna a melhor versão, sua ou de outrem, pois sempre existe um novo, talvez melhor, jeito de ver as coisas, de ver aos outros, de se ver.
Não é ingenuidade tentar ser amiga das versões e enxergá-las belas. Ingenuidade é insistir em algo ou em alguém ou numa visão que não tem mais alternativas, não tem perspectivas melhores, não mostra sorrisos para você, só dores que você escolheu sentir por não abrir mão de uma idéia, de um sentimento, de uma atitude caduca.
Assim, ver outras opções não implica não ver a realidade e sermos 'dom quixotes' vulgares, o que acontece é que a realidade pode ser mais agradável do que você a enxerga. Pois não significa que a forma que você vê as coisas seja a verdade absoluta, muitas vezes vemos pior ou melhor do que é, dificilmente vemos como é. A diferença de níveis de percepção, no entanto, é importante para posteriromente aprendermos com os extremos. Só que podemos entender de uma forma mais equilibrada sem ter que passar por esses extremos tão intensamente, podemos mudar de opção quando percebemos a bancarrota de uma, podemos nos encorajar em seguir novos rumos quando o desgaste já tomou conta de uma versão antiga.
O mundo é fênix, somos fênix. O mundo tem muito mais caminhos do que imaginamos, há muito mais formas de olhar a vida que somente da sua janela, há outras janelas, há outros olhares. Você tem muito mais possibilidades de criação que supõe, você tem muito mais capacidades do que um dia já contabilizou, há sempre um novo 'eu' em 'nós'. A vida não perderá a essência por ter outras possibilidades, as pessoas não perderão a essência por terem outras faces de si mesmo, continua vida, continuamos nós. Um rio não deixa de ser o rio com suas curvas sinuosas, suas árvores misteriosas, seus ciclos mais singulares só porque uma chuva caiu e ele foi obrigado a abrir um caminho pela floresta para escoar sua água ou a cortar algumas árvores para adaptar as águas.
As versões são necessárias, várias delas, de muitos outros além de você. Não teríamos uma vida tão malandra de experiências, tão esperta de oportunidades, tão inocente por espectativas se não fosse os muitos olhares tão particulares e elaborados acerca da vida e das pessoas. Por isso, não tenha medo ou acomodação de encarar o novo, um novo sentimento, uma nova idéia, uma nova atitude, porque muito há dentro de uma mesma esfera, muitas são as possibilidades, muitas são as formas, pois muitos são os olhares. Encare as versões, encare o que a vida ainda pode dar, o que os outros podem ser sem você ainda saber, encare as faces que você tem sem perceber. Sempre vai haver uma maneira ao mesmo tempo realista e mágica de ver a vida, então reinvente e chegue a melhor versão de ser feliz.

Manuella Mirna

domingo, 28 de novembro de 2010

... e então...

Muitas vezes nos preocupamos com tudo, tudo o que merece importância de menos.
Muitas vezes pensamos demais em certas coisas, certas coisas que sequer merecem nossos pensamentos.
Muitas vezes sentimos coisas lindas por alguém, alguém que não vale tanto sentimento.
Muitas vezes falamos muito, muito que não precisa ser falado.
Muitas vezes ouvimos de tudo, de tudo que é descartável.

E então tem épocas de nossa vida que todas essas muitas vezes se tornam poucas, tão poucas vezes; ou simplesmente são vezes que já não nos causam mal, não nos ferem ou entorpecem.
E então nessas épocas, quando subimos degraus de nós mesmos, não necessitamos de muito, não nos falta muito, não nos dói a ausência.
E então não nos preocupamos com tudo, porque entendemos que não é tão importante assim quando um dia achamos. Não pensamos demais, porque entendemos que não são necessários tantos pensamentos. Não sentimos certas coisas, porque entendemos que aquele alguém não era tão especial assim. Não falamos muito, porque entendemos que não precisam tantas palavras. Não ouvimos de tudo, porque entendemos o que é importante.
E então certos pensamentos não incomodam, certos sentimentos não tem espaço, certas palavras não precisam ser ditas ou ouvidas.

É quando o momento está pleno, você está em paz, por dentro.
É quando pode estar um caos lá fora, mas você encontrou o silêncio amigo em si, a sensação de um nada que é tudo, que preenche aquilo que faltava, que um dia você julgou precisar tanto.
É quando você entende que é inteiro, que nasceu inteiro e que tudo que vier não vai te arrancar pedaços ou te completar. Pois as coisas ruins vão passar por você e se irão, e as coisas boas somarão a você, como risos a mais, momentos especiais a mais, pessoas únicas a mais. E todas essas coisas farão uma sólida soma a sua vida, a vida que estava inteira, mas que sabia que muita coisa especial ainda viria para fazer soar um acorde maior mais bonito, mais harmônico, mais feliz.

Muitas vezes acontecem... E então você entende,... É quando você descobre a vida completa, apesar do tudo que ainda virá, porque você vive e ama o tudo e o nada que há agora, seja alegre ou triste, é vida, é a sua vida... viva.

Manuella Mirna

domingo, 18 de julho de 2010

Breve mensagem para a noite - Acredite na Vida

Quando você olhar e algo turvar seus sentidos a ponto de sentires medo, feche os olhos e abra-os novamente. Verás, o que te assustava é um lindo diamante, de brilho tão intenso que cega à primeira vista, mas depois ilumina sua vida inteira.

Manuella Mirna