segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tua face, Minha face... na face do Mundo

Como um dia comum.
Como uma tarde dessas.
Sem uma razão convincente.
Somos uma face não tão boa de nós.
Perdemos o tato ou o olhar, meigo, atento.
Perdemos a audição ou a atenção, fiel, leal.
Nos perdemos do que somos nós.
Daquela face rara.
A melhor.
E tratamos com indiferença ou insensibilidade o diferente de nós.
Não melhor ou pior.
Mas diferente.
Tendência humana cega que encontra o erro só no oposto. Encontrando todas as razões para justificar a razão própria. E se desconhece o significado de "compreensão"... ou só de um pouco mais de humanidade.
Muitas vezes não se quer falar nisso.
Muitas vezes não se encontra ''tempo'' para pensar nisso.
Muitas vezes não encontramos oportunidades de agir assim.
Muitas vezes justificamos a nossa falta de vontade com qualquer uma dessas coisas.
Não se trata de incapacidade, ou predisposição genética; nem mesmo de maldade.
Não. É somente a nossa cegueira, pelo orgulho bobo e egocentrismo imaturo.
E quando nos recusamos a observar o que está na nossa frente, nos perdemos de nós mesmos, esquecemos do que somos, ou poderíamos ser; esquecemos o melhor que somos ou poderíamos ser.
Quando passamos pelas ruas, pelos momentos, pelas pessoas... sem tentar notar a necessidade dos olhares ou o brilho dos sorrisos, perdemos oportunidades de sermos a luz de alguém ou de deixar que alguém seja a nossa luz naquele dia.
Às vezes precisamos olhar para fora para então olharmos para dentro com maturidade. Às vezes precisamos enxergar o outro para nos enxergamos na proporção certa. Às vezes precisamos nos permitir, não tratar uns aos outros como lobos desconfiados, mas como aliados de um mesmo ideal. Por mais impossível que pareça, se começa dos próximos mais próximos.
Não é tão difícil. Às vezes basta um espelho iluminado pelo sol e inclinado na diagonal. Às vezes basta que se admita os próprios defeitos e limitações para compreender os dos outros. Que se pise no chão sem pedestais ou saltos de madeira. Que nos percamos de si... Sim, mas dos nossos medos, dos nossos entraves, dos nossos argumentos, dos nossos "nãos". Que se encare o próximo com humanidade, face a face. Que nos encaremos com maturidade, face a face.
Que entendamos que muitas vezes na tua face, está refletida a minha, e na minha face está a do mundo.
Olhe. E queira ver.

Manuella Mirna

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