sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Versões (Mais do Mesmo)

Sentimos, pensamos, falamos, agimos.

Vemos, ouvimos, reproduzimos.

Entendemos, não entendemos.

Tiramos conclusões.

Versões. Mais interpretações da mesma coisa a todo tempo.

Todos os dias convivemos com as propriedades de um mundo que é novo a cada novo olhar, é diferente a cada nova intenção. Mas é o mesmo, o mesmo ar meu é o ar seu e o oceano é nosso, é de todos. Assim corre a mesmice de uma terra que se reinventa a cada pessoa. Sábia é ela que se dá a chance de novas faces, de flexibilidade, de novas idéias e novos sentimentos. Sábio de nós se soubermos, a cada dia, enxergar as coisas a nosso modo, mas respeitar os outros diversos modos que uma mesma coisa pode ser vista; se soubermos, como o mundo, ser multifacetados, nos dar a oportunidade de ter novas versões a cada nova situação, de nos reinventar e descobrir, talvez, um novo lado oculto e saudável de nós mesmos; se soubermos discernir a melhor opção, o que não passa de farsas do que é realmente uma boa face.
No entanto, há um perigo na multiplicidade das coisas que é praticamente tão presente quanto o saldo positivo disso. Porque o homem tem tanto a capacidade de enxergar coisas boas quanto as más. Geralmente, por interesses próprios ele tende a ver primeiramente o pior lado e muitas vezes inventar a pior versão. Quando ele consegue entender que ninguém vive só, que ele não está fadado a uma única alternativa na vida ou a um único 'eu' de si mesmo e que o "essencial é invisível aos olhos", ele vê melhor, vê aquele lado, entende aquela versão, sonda aquela face aparentemente discreta e desimportante, mas que com interesse se torna a melhor versão, sua ou de outrem, pois sempre existe um novo, talvez melhor, jeito de ver as coisas, de ver aos outros, de se ver.
Não é ingenuidade tentar ser amiga das versões e enxergá-las belas. Ingenuidade é insistir em algo ou em alguém ou numa visão que não tem mais alternativas, não tem perspectivas melhores, não mostra sorrisos para você, só dores que você escolheu sentir por não abrir mão de uma idéia, de um sentimento, de uma atitude caduca.
Assim, ver outras opções não implica não ver a realidade e sermos 'dom quixotes' vulgares, o que acontece é que a realidade pode ser mais agradável do que você a enxerga. Pois não significa que a forma que você vê as coisas seja a verdade absoluta, muitas vezes vemos pior ou melhor do que é, dificilmente vemos como é. A diferença de níveis de percepção, no entanto, é importante para posteriromente aprendermos com os extremos. Só que podemos entender de uma forma mais equilibrada sem ter que passar por esses extremos tão intensamente, podemos mudar de opção quando percebemos a bancarrota de uma, podemos nos encorajar em seguir novos rumos quando o desgaste já tomou conta de uma versão antiga.
O mundo é fênix, somos fênix. O mundo tem muito mais caminhos do que imaginamos, há muito mais formas de olhar a vida que somente da sua janela, há outras janelas, há outros olhares. Você tem muito mais possibilidades de criação que supõe, você tem muito mais capacidades do que um dia já contabilizou, há sempre um novo 'eu' em 'nós'. A vida não perderá a essência por ter outras possibilidades, as pessoas não perderão a essência por terem outras faces de si mesmo, continua vida, continuamos nós. Um rio não deixa de ser o rio com suas curvas sinuosas, suas árvores misteriosas, seus ciclos mais singulares só porque uma chuva caiu e ele foi obrigado a abrir um caminho pela floresta para escoar sua água ou a cortar algumas árvores para adaptar as águas.
As versões são necessárias, várias delas, de muitos outros além de você. Não teríamos uma vida tão malandra de experiências, tão esperta de oportunidades, tão inocente por espectativas se não fosse os muitos olhares tão particulares e elaborados acerca da vida e das pessoas. Por isso, não tenha medo ou acomodação de encarar o novo, um novo sentimento, uma nova idéia, uma nova atitude, porque muito há dentro de uma mesma esfera, muitas são as possibilidades, muitas são as formas, pois muitos são os olhares. Encare as versões, encare o que a vida ainda pode dar, o que os outros podem ser sem você ainda saber, encare as faces que você tem sem perceber. Sempre vai haver uma maneira ao mesmo tempo realista e mágica de ver a vida, então reinvente e chegue a melhor versão de ser feliz.

Manuella Mirna

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