sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Abrindo a janela - tentativas

Ontem, tu de novo cruzaste o meu passo.
(Não te culpo, é mania da vida me pôr à prova para me fazer uma ninja mais hábil.)
Meio semblante teu foi o suficiente para me mostrar que minha nuvem nublada não se foi por completo.
A tarde veio com parte do peso de uma terça-feira de despedida.

Mas hoje, quando eu acordei pela manhã, tudo estava lá.
O sol brilhava como era muito tempo antes e a luz indiscreta pela janela me fazia sorrir.
As pontes tinham um colorido que eu sentira falta todo esse tempo.
Minha serenidade - que tem andado tão vacilante - quis vir outra vez.
Com algum esforço - mas ela ainda virá por completo.

É, parece que tudo estava lá novamente.
Com quase o mesmo brilho que costumava ter antes de eu começar a viver nossos capítulos em vermelho, preto e cinza.
Querendo se mostrar pra mim depois de eu rememorar mil vezes as linhas em cinza, tentando entender as linhas pretas, para (esperançosamente e iludidamente) não apagar as em vermelho.

Tudo brilhava genuinamente - talvez não com o mesmo fulgor e magia, ainda, mas brilhava.
E eu queria sentir aqui a plenitude que a vida me descortinava.
Ela fazia isso com tanta gentileza, como se fosse um espetáculo sucesso de bilheteria que só eu não fui ver.
Eu queria, queria muito.
E embora não conseguisse por completo, estava agradecida por conseguir ver algum brilho e algo da magia.

Uma parte de mim, naturalmente já via esse brilho - talvez cansada de sofrer tanto pelo que já não era mais (e talvez nunca tenha sido).
Mas infelizmente, eu sentia uma estranha dor em minhas células por entrever a primeira vez em tanto tempo essa magia de novo.
Acho que parte de mim não queria encerrar o capítulo, se recusando a aceitar as últimas páginas que se escreveram sem minha permissão.
Pois eu sabia que se aceitasse eu teria de lidar com o fato de que você não voltaria; e ver, ainda que pela fresta da janela, o brilho e a magia dos dias, novamente, era como se a vida me provasse que podia muito bem continuar a existir sem você, e eu não queria isso.

Os pés de pássaro que dançam balé, passaram tempo até demais sem fluir com a mesma graciosidade, mas pareciam voltar naturalmente a voar e dançar, sem o pesar daqueles dias.
Mas meu olhar ainda está diferente - é a parte de mim que teima (masoquistamente) em beber o gosto amargo desse café até a última gota.
Tudo bem, é só uma questão de tempo.
Em breve, tenho certeza, a janela vai abrir até a outra extremidade e o que hoje é uma fresta e ontem eram só cortinas fechadas, amanhã serão olhos bem abertos para a vida.

Manuella Mirna

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