domingo, 4 de março de 2012

Verde e vermelho...

No corre-corre do dia a dia, nós engolimos muita coisa sem mastigar, e rejeitamos muito também sem provar. Deixamos descer goela à baixo o conhecido e aparentemente melhor, expurgando o desconhecido ou intrigavelmente incomum.

Em palavras curtas, somos bobos e medrosos.

Quantos acordes de escalas diversas perdemos de desfrutar por escolher aquele testado mil vezes, ou que te testou tanto que você não quis mais arriscar.

Céus, penso o que teria sido da música se todos tivessem sido convencionais e pouco confiantes. Se não tivessem dado chance à vida se de expressar através dos seus sentidos. O que teria sido de nós se mais ninguém coordenasse nossos sentidos, que não o cômodo e o passivo.

Sabe, só se sabe que o verde é verde porque se tem o vermelho. Assim é com o Sol menor e o Lá maior da escala de Dó. Assim é na vida. Só se existe em função da diferença, das incongruências tão perfeitamente traçadas. Eu não seria eu se não existisse você. E o que me representa não me serviria se não tivessem as suas coisas. E assim é também para você.


Eu quero continuar sendo eu, e me diferenciando de você. Eu quero que exista verde e vermelho, Sol menor e Lá maior, e todas as cores e acordes mais que forem necessários.
Eu quero que exista algo mais do que o que conheço, vivencio, confio. Quero que exista mais do que o chão que piso, a cor que colore meu quarto e a música que tanto ouço. Quero mais que o meu e o seu, e também quero os dois, o meu e o seu:


A aventura da vida é querer sair do arroz e feijão... Por mais gostosos que sejam, é bom também um baião de dois.
Eu quero saborear o mundo. Meu mundo, e mais isso ou aquilo.
E conhecer para sentir mais. Do mesmo e do novo.
Sentir mais e conhecer de novo. Do mesmo e do novo.
Saber do mesmo e do novo, e saber escolher o que me apetece.

E o certo é que não sei o que virá.
Só posso te pedir que nunca se leve tão à sério. Mas também não se deixe levar.
É, porque a vida é parte do mistério; decerto ela pede para ser desvendada todos os dias... Mas não é bom viver só de mistério, como não é de arroz e feijão somente.

Lembre-se de você e de mim, e do comum e do intrigável, conheça, sinta, desvende... Mas faça as suas escolhas.
Sair da redoma segura dos seus mandamentos e sentimentos contidos não quer dizer se perder na imensidão do universo, quer dizer achar a medida certa para você, a escala que você mais gosta, a cor que mais te deslumbra. Quer dizer ver melhor a mim e a você.

Manuella Mirna

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