É difícil amar, mas mais difícil é deixar-se ser amado...
E como é.
Deixar-se ser amado é deixar alguém entrar na sua caverna, na sua redoma protegida, no seu santuário, que você tanto cuidou para que agora estivesse simples e arejado, como nos tempos de paz...
Mas o que é a paz, então?
Será que é ficar protegido por fora, mas com o coração trêmulo de medo e desejo ao mesmo tempo, de vontade e receio... Essa proteção, tão segura nas horas certas, nas horas erradas não seria "a prudência egoísta que nada arrisca"?... Nessas horas, erradas para se proteger, esquivar-se do sofrimento não é perder a felicidade?
É com Drummond que me pergunto, mas é por nós que eu penso.
Afinal, não será que estamos perdendo o sorriso de amanhã? Deixando de sentir a brisa, as gotas serenas de água que minha voz e tua espada tentam dominar. Deixando de segurar um na mão do outro com firmeza... desconfiados, sim, mas dispostos acima de tudo! Dispostos a se superar e a construir nosso forte. Dessa vez não em volta de mim ou de você, mas em volta de nós...
Nós contra as dores do mundo, contra a superficialidade do mundo, protegendo a nós e aos outros, abrindo as portas para nós e para os outros, cuidando de nós e dos outros.
Sozinhos somos fortes sim, eu sei, somos guerreiros, e fazemos tudo isso. Só que acredito que "sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe".
Juntos. Por que não? Eu sei que pensamos em todo medo que isso representa, toda insegurança que sentimos e todo sofrimento que queremos evitar... mas não acho que esse seja o caminho. Pois estamos nos esquecendo dos sorrisos que vamos fazer juntos, das lágrimas que não vamos deixar cair, do poder que vamos adquirir na doce e simples transfusão da minha coragem para você, e da sua força para mim. Esquecendo do quão fascinante são para nós as tuas particularidades, as minhas singularidades e as nossas semelhanças, tão raras. Por medo, estamos esquecendo de tudo isso, que vai nos fazer mais vivos, e mais guerreiros, e mais felizes!
Tentando evitar as lágrimas que podemos ter juntos, deixamos de ganhar tantas coisas mais juntos... cumplicidade, apoio, maturidade, carinho, atenção, olho no olho - logo os nossos que se entendem tão bem... Deixamos de ter eu e você. Deixamos de ter, enfim, a palavra que tanto gostamos: Nós.
Sim, lutar! Porque o auge do afeto é quando conseguimos nos fazer o melhor que podemos ser.
Manuella Mirna
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