quinta-feira, 14 de junho de 2012

Carne, alma e piano

Às vezes, eu queria ouvir só meu pensamento...
Quando ele idealiza nossos momentos, e diz o que eu queria ouvir de você...
Mas não queria sempre.
Eu gosto das tuas palavras, dos teus argumentos, paramentos e ornamentos; e até gosto da tua voz, dos teus tons, dos teus timbres... e do que você diz ao piano... gosto do teu não... mas gosto muito do teu sim.

Às vezes, só às vezes, eu queria deixar meu pensamento falar por você.
Talvez fosse bom, seria pronto e sempre doce, seria conto de fadas...
Mas não seria você.
Quando é você, teu compasso encaixa no meu samba, com todo jeito e trejeito sem medida; quando você diz o que eu quero ouvir, não é doce... mas tem todos os gostos, tem ar de mogno... é macio e firme como teu peito, cintila como as teclas de um piano amadurecido pelo tempo... é como tem que ser: é você!

É melhor do que meu pensamento sobre você. É real, e gosto do real, dessa sintonia dissonante que há entre eu e você...
Ah, eu não troco isso nem por um romance happy ending com você, nem pela trilha sonora de um musical de jazz antigo; não troco por nada que não seja você: em limite e derivada, em verso e prosa, em grave e agudo, em sintonia e dissintonia... você, em carne, alma e piano!

Manuella Mirna

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