domingo, 26 de dezembro de 2010

... e Isso É Natal

Era dia 24 de dezembro de 2010, quando voltava para casa para me preparar para a ceia e de uma das pontes da cidade avistei uma minúscula parte do mundo, do nosso mundo.
Era pôr do sol e além de toda cor que havia do céu sobre as pessoas, havia algo mais, uma magia, uma ternura no ar, um sonho, vários sonhos...
Pensei sobre aquilo e percebi que aquele ar abraçava a todos, era parte da paisagem, era parte da janela de quem via, era parte da respiração das pessoas e parte do sentimento de quem era capaz de sentir o que há de verdade em dias assim.
Percebi que assim como o Sol nasce para todos, aquele ar, aquela magia, aquela sensação se colocava a disposição do mundo, em dias como aquele, em dias que podem ser todos os dias, se assim quisermos.
Pensei um minuto nas pessoas, nas suas vidas e quantas histórias diferentes, umas boas outras não tão boas, o vento compartilhava em silêncio, trazia um pouco da magia própria, mas levava em troca um pouca da vida de quem ele via.
Pensei em quantas pessoas estavam sentindo a mesma coisa que eu, pensei em quantas pessoas não conseguiam sentir isso, por diversos motivos.
Pensei nos que têm cegueira mesmo às claras e são indiferentes à vida, aqueles que não permitem ser tocados pelas magias do mundo, pelas sensações de momentos mágicos que podemos fazer durar o ano inteiro.
Pensei nos que não alcançam a importância de dias assim, que não se importam, que estão ocupados demais com outras coisas, que não acreditam em ninguém e nada além de si, do que vêem, do que ganham, do que têm.
Pensei nos que de tantas dores e tantas privações não mais conseguem se encantar, se permitir à mudança pela apreciação, pela conexão com um dia especial que traz uma mensagem subliminar.
Pensando em diversos tipos de pessoas, em tipos de vida, em todas as vidas que o vento devia ver num pavor mudo ou num entusiasmo contido, percebi o quanto é difícil universalizar um sentimento, uma lembrança, uma mudança.
E refleti que diante de um quadro assim deve ser bem mais fácil ficar triste, não acreditar, se acomodar ou fingir nada ver.
Mas lembrei que pensar assim é invalidar toda positividade, carinho e solidariedade que, no meio de todo esse aparente caos, continua ativa e operante no mundo e quantas boas ações assim ainda pretendem se instalar.
E por isso pensei no desperdício que é colocar sonhos à deriva, amor à deriva, fatos bons à deriva por um punhado de realidade ainda necessitada de reformas.
Porque, afinal de contas, sempre existiu e existe dois quadros num mesmo quadro, e se nos focamos só em um, que grita mais ao nosso desespero humano, perdemos os encantos e motivações de mudança que o outro quadro pode nos dar, nos levando inclusive a pintar por cima daquele horror uma bela imagem reformada.
E assim pensei no poder que esse dia tem de colocar à disposição de todos um mesmo ideal e influenciar a maioria acerca dele.
Porque embora não sejam todos que pensem realmente nele, são todos que o recebem, e a maioria que o abraça, deixando entrar a magia em seus corações, em seus lares, em suas vidas, renovando a esperança e a mudança por mais um ano.
E sei que é dessa forma que vai se pintando por cima do horror uma imagem mais bonita, reformada, uma vontade inerte em todos, uma realidade necessária para todos.

E isso é Natal: toda aquela sensação que ví da ponte, toda ela que se dispõe às pessoas, toda ela que apela por mudanças no mais íntimo de cada um;
todos os sorrisos que devem haver dos mais escondidos cantinhos aos mais altos edifícios;
todas as lágrimas que sentem-se agora confortadas por esperança, por solidariedade, por amor de qualquer forma que seja;
todas as histórias que há numa fila de supermercado á procura de um tender às 20 horas da noite de 24 de dezembro;
todas as felicitações que desejamos dos nossos familiares aos mais desconhecidos ambulantes na rua, num desejo consciente ou inconsciente, mas intrínseco, de que eles realmente encontrem a melhor forma de serem felizes;
todas as luzes na cidade que prefiro acreditar que custam mais que milhões de watts, custam sonhos que se inspiram ao ver tanta luz ao seu redor, sorrisos que se abrem de encanto quando a vontade é de chorar, esperanças que se acendem nos planos frustrados, porque várias lâmpadas acesas não podem apenas iluminar a cidade, mas conseguem acalentar nosso coração;
todo o esforço de cada um em se ligar a família que, embora maquinal algumas vezes, é uma tentativa do mundo todo ano de fazer com que um olhe nos olhos do outro, com que um pense no outro na hora de comprar um presentinho ou na hora de escrever um cartão, fazer com que se juntem mãos amigas, às vezes o ano inteiro longe, para servir à mesa, para lavar os pratos, para dar um abraço.

Uma tentativa que não cansa de tentar fazer as pessoas acreditarem a todo custo, a todo caus, a todo vapor de vidas cada dia mais ocupadas de que o amor existe, a paz pode existir, o bem existe, a esperança existe, os amigos são importantes, as famílias são fundamentais, o sorriso move montanhas, a solidariedade é possível, o bom exemplo pega, a mudança é necessária, a reflexão é bem vinda e que alguém a 2010 anos atrás veio nos demonstrar tudo isso e muito mais na doce vontade que dessemos as mãos aos estranhos e aos irmãos e nos amássemos.

E isso é Natal! Hora de lembrar que isso é o que tem valor.
Papai Noel é bom enquanto somos crianças e enquanto vemos filmes bonitos de Natal, mas ele não é o centro das atenções nessa época, pelo menos não deve ser, os presentes que sua imagem nos leva a dar também não devem ser.
Se é difícil ele ser esquecido, então o lembremos por suas virtudes, esqueçamos o consumismo e o lucro que sua imagem entrelinhas carrega e sobretudo lembremos mais do real homenageado da noite.
Assim, junto com os presentes que daremos por lembranças sim a quem nós temos apreço, ofertemos um pouco da solidariedade que ele nos inspira e da sua doçura, porque isso não só nos ensina ele, mas principalmente o aniversariante da noite de Natal.
Ontem, hoje, amanhã, depois de amanhã... o ano inteiro, tenha um bom Natal, porque todo dia é dia de renascer, de renovar-se, de fazer os outros acreditarem que tudo pode ser melhor, fazendo as coisas serem melhores começando por nós, mostrando que é tempo de dar as mãos, de desatar os corações, de abrir os olhos e não fechar diante de alguém e de sua súplica ou de seu sorriso.
Comprimente o mundo, acorde para si mesmo todos os dias e mostre para toda essa magia que vale o esforço de ela colocar-se a disposição em épocas assim, para que sejamos um pouco mágicos, um pouco melhores, um pouco mais apaixonados, para que nos lembremos de que apenas devemos ser um pouco mais humanos.

E um Feliz Natal a todos, todos os dias!

Manuella Mirna

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Versões (Mais do Mesmo)

Sentimos, pensamos, falamos, agimos.

Vemos, ouvimos, reproduzimos.

Entendemos, não entendemos.

Tiramos conclusões.

Versões. Mais interpretações da mesma coisa a todo tempo.

Todos os dias convivemos com as propriedades de um mundo que é novo a cada novo olhar, é diferente a cada nova intenção. Mas é o mesmo, o mesmo ar meu é o ar seu e o oceano é nosso, é de todos. Assim corre a mesmice de uma terra que se reinventa a cada pessoa. Sábia é ela que se dá a chance de novas faces, de flexibilidade, de novas idéias e novos sentimentos. Sábio de nós se soubermos, a cada dia, enxergar as coisas a nosso modo, mas respeitar os outros diversos modos que uma mesma coisa pode ser vista; se soubermos, como o mundo, ser multifacetados, nos dar a oportunidade de ter novas versões a cada nova situação, de nos reinventar e descobrir, talvez, um novo lado oculto e saudável de nós mesmos; se soubermos discernir a melhor opção, o que não passa de farsas do que é realmente uma boa face.
No entanto, há um perigo na multiplicidade das coisas que é praticamente tão presente quanto o saldo positivo disso. Porque o homem tem tanto a capacidade de enxergar coisas boas quanto as más. Geralmente, por interesses próprios ele tende a ver primeiramente o pior lado e muitas vezes inventar a pior versão. Quando ele consegue entender que ninguém vive só, que ele não está fadado a uma única alternativa na vida ou a um único 'eu' de si mesmo e que o "essencial é invisível aos olhos", ele vê melhor, vê aquele lado, entende aquela versão, sonda aquela face aparentemente discreta e desimportante, mas que com interesse se torna a melhor versão, sua ou de outrem, pois sempre existe um novo, talvez melhor, jeito de ver as coisas, de ver aos outros, de se ver.
Não é ingenuidade tentar ser amiga das versões e enxergá-las belas. Ingenuidade é insistir em algo ou em alguém ou numa visão que não tem mais alternativas, não tem perspectivas melhores, não mostra sorrisos para você, só dores que você escolheu sentir por não abrir mão de uma idéia, de um sentimento, de uma atitude caduca.
Assim, ver outras opções não implica não ver a realidade e sermos 'dom quixotes' vulgares, o que acontece é que a realidade pode ser mais agradável do que você a enxerga. Pois não significa que a forma que você vê as coisas seja a verdade absoluta, muitas vezes vemos pior ou melhor do que é, dificilmente vemos como é. A diferença de níveis de percepção, no entanto, é importante para posteriromente aprendermos com os extremos. Só que podemos entender de uma forma mais equilibrada sem ter que passar por esses extremos tão intensamente, podemos mudar de opção quando percebemos a bancarrota de uma, podemos nos encorajar em seguir novos rumos quando o desgaste já tomou conta de uma versão antiga.
O mundo é fênix, somos fênix. O mundo tem muito mais caminhos do que imaginamos, há muito mais formas de olhar a vida que somente da sua janela, há outras janelas, há outros olhares. Você tem muito mais possibilidades de criação que supõe, você tem muito mais capacidades do que um dia já contabilizou, há sempre um novo 'eu' em 'nós'. A vida não perderá a essência por ter outras possibilidades, as pessoas não perderão a essência por terem outras faces de si mesmo, continua vida, continuamos nós. Um rio não deixa de ser o rio com suas curvas sinuosas, suas árvores misteriosas, seus ciclos mais singulares só porque uma chuva caiu e ele foi obrigado a abrir um caminho pela floresta para escoar sua água ou a cortar algumas árvores para adaptar as águas.
As versões são necessárias, várias delas, de muitos outros além de você. Não teríamos uma vida tão malandra de experiências, tão esperta de oportunidades, tão inocente por espectativas se não fosse os muitos olhares tão particulares e elaborados acerca da vida e das pessoas. Por isso, não tenha medo ou acomodação de encarar o novo, um novo sentimento, uma nova idéia, uma nova atitude, porque muito há dentro de uma mesma esfera, muitas são as possibilidades, muitas são as formas, pois muitos são os olhares. Encare as versões, encare o que a vida ainda pode dar, o que os outros podem ser sem você ainda saber, encare as faces que você tem sem perceber. Sempre vai haver uma maneira ao mesmo tempo realista e mágica de ver a vida, então reinvente e chegue a melhor versão de ser feliz.

Manuella Mirna

domingo, 28 de novembro de 2010

... e então...

Muitas vezes nos preocupamos com tudo, tudo o que merece importância de menos.
Muitas vezes pensamos demais em certas coisas, certas coisas que sequer merecem nossos pensamentos.
Muitas vezes sentimos coisas lindas por alguém, alguém que não vale tanto sentimento.
Muitas vezes falamos muito, muito que não precisa ser falado.
Muitas vezes ouvimos de tudo, de tudo que é descartável.

E então tem épocas de nossa vida que todas essas muitas vezes se tornam poucas, tão poucas vezes; ou simplesmente são vezes que já não nos causam mal, não nos ferem ou entorpecem.
E então nessas épocas, quando subimos degraus de nós mesmos, não necessitamos de muito, não nos falta muito, não nos dói a ausência.
E então não nos preocupamos com tudo, porque entendemos que não é tão importante assim quando um dia achamos. Não pensamos demais, porque entendemos que não são necessários tantos pensamentos. Não sentimos certas coisas, porque entendemos que aquele alguém não era tão especial assim. Não falamos muito, porque entendemos que não precisam tantas palavras. Não ouvimos de tudo, porque entendemos o que é importante.
E então certos pensamentos não incomodam, certos sentimentos não tem espaço, certas palavras não precisam ser ditas ou ouvidas.

É quando o momento está pleno, você está em paz, por dentro.
É quando pode estar um caos lá fora, mas você encontrou o silêncio amigo em si, a sensação de um nada que é tudo, que preenche aquilo que faltava, que um dia você julgou precisar tanto.
É quando você entende que é inteiro, que nasceu inteiro e que tudo que vier não vai te arrancar pedaços ou te completar. Pois as coisas ruins vão passar por você e se irão, e as coisas boas somarão a você, como risos a mais, momentos especiais a mais, pessoas únicas a mais. E todas essas coisas farão uma sólida soma a sua vida, a vida que estava inteira, mas que sabia que muita coisa especial ainda viria para fazer soar um acorde maior mais bonito, mais harmônico, mais feliz.

Muitas vezes acontecem... E então você entende,... É quando você descobre a vida completa, apesar do tudo que ainda virá, porque você vive e ama o tudo e o nada que há agora, seja alegre ou triste, é vida, é a sua vida... viva.

Manuella Mirna

sábado, 27 de novembro de 2010

O Pai e sua dor e O Trabalhador

Semana passada, a caminho de algum lugar, aconteceu uma cena comum a todos dentro de um ônibus numa cidade. Mas um detalhe me tocou em especial e quis dividir com vocês:
Entrou um homem pela parte de trás, aparentava entre 40-50 anos. Ele andava vestido muito simples, com um chapéu surrado, uma mochila e vários papéis na mão escritos à caneta relatando um fato não muito raro. O papel contava que seu filho precisou fazer uma cirurgia muito séria e muito cara, dizia o preço e em que parcela eles estavam, mas que agora ele precisava fazer uma segunda cirurgia ainda mais séria e ainda mais cara e eles, com muito esforço pagando a primeira, não tinham condições de arcar com ela. Ele pedia ajuda, qualquer que fosse, de qualquer quantia. Havia naquele momento unas 30 pessoas no ônibus... acho que não chegou a 5 as pessoas que o ajudaram com alguma quantia. Algo nele chamou minha atenção: seu silêncio. Ele entrou calado no ônibus, sem falatórios apelativos de uma história que as vezes nos custa a acreditar, e calado saiu. A única coisa que falava nele era o olhar: tinha uma dor longe, uma humildade a custa de duras penas e um desespero controlado pelas mãos atadas. Ele desceu.
Pouco depois subiu um outro homem, com seus 20-30 anos, vestido simples também e nas mãos uma caixa de bombons. Mas esse não aparentava dor, só vida, lutando por ela como um bom ser humano faz todos os dias. E esse não tinha o silêncio com ele. O que ficou claro ao dizer que emprego era difícil, mas trabalho tinha quem quer e obviamente se ele estava lá é porque ele queria e por isso pedia contribuição para seu trabalho com a venda dos bombons. Neste momento havia unas 35 pessoas no ônubus e pouco mais de 10 compraram seu trabalho. Ele saiu aparentemente satisfeito, pelo menos bem mais que o pai que carregava uma dor.
É verdade, provavelmente ele quer trabalho e merece reconhecimento e estímulo, como todos que saem das suas casas todos os dias, em melhores ou piores condições, e mostram pra vida que têm fibra e lutam ao sol por seu lugar, ou por um lugar melhor. Depois ouvi passageiros comentando a decência desse homem que queria algo com a vida. E eu concordo. Mas o que me chocou foi o silêncio, talvez omissão, com o outro homem. Não houve comentários. As ajudas também não foram estimulantes. Me pareceu um belo quadro de falta de confiança e de sensibilidade numa sociedade que só consegue creditar decência à pessoas que vendem algo, que têm algo a barganhar com eles, que têm algum resultado a mostrar, que têm como aparentemente provar que não são à toa na vida. Um quadro em que, pelo menos para mim, estava clara a indiferença a um problema que podia ser de qualquer um, mas como não era, não parecia ser verdade. Não quero julgar ninguém, nem quem é o bom ou o mau, muito menos se o pai tinha uma real dor ou era inventada, muito menos se o outro homem tinha mais decência que ele. Não quero e nem posso fazer isso. Mas queria muito que refletíssemos sobre que tipo de sociedade somos nós, em quantas coisas não depositamos uma chance de ser verdade, quantas vezes perdemos a oportunidde de sermos últil, de dizer para desconhecidos, sem usar as palavras, que fazemos parte do mesmo oceano que eles e que eles não estão sozinhos. Que não é só com produtos e resultados que nos importamos, mas com histórias, vidas e seres humanos. Que somos capazes de creditar decência e verdade às criaturas sem necessariamente algum tipo de aparente prova disso por parte delas. Que conseguimos ver além de um papel, de uma moeda, de uns bombons. Que podemos, através do silêncio ou de uma sincera observação nessas pessoas que passam assim pelos nossos dias, enxergar algo por trás delas, algo de valioso, de verdadeiro. Afinal de contas, se for dinheiro o que importa, não custam muitas moedas acreditar na história de alguém e dessa forma estimulá-la a continuar acreditando mais na vida.

Manuella Mirna

domingo, 31 de outubro de 2010

Quando eu conhecer tua alma, escreverei sobre teus olhos...

Artista plástico e escultor italiano do século XIX-XX que recebeu um filme em sua homenagem em 2004, Amadeo Modigliani é autor dessa frase que adaptei ao título deste post. Originalmente ela seria "Quando eu conhecer sua alma eu pintarei seus olhos".
Casado e muito apaixonado, Modigliani dedicou muitos de seus quadros a reprodução da sua esposa, como ele a enxergava, um tanto diferente para quem via os quadros, mas quem é capaz de contestar a visão particular de cada pessoa acerca de quem ela ama? Ainda mais quando se trata de um artista. As pessoas estranhavam, mas sentiam que a obra refletia um intenso amor. Uma coisa, no entanto, intrigava a todos, inclusive a mulher dele: Modigliani não pintava os olhos de sua amada.
Quando um dia ela lhe perguntou o porquê disso ele foi simples em responder: "When I know your soul I will paint your eyes". Amedeo achava muito difícil representar os olhos das pessoas, em especial da pessoa que mais amava. Acredito que os olhos para ele eram uma janela da alma, um espelho do que era a pessoa, com todos os seus conflitos, medos, mistérios, manias; todos os seus encantos, risos, delicadezas, grandezas, paixões; com todas as suas muitas faces surpreendentes e apaixonantes. Por isso sua mulher, a criatura a que ele mais amava, que achava mais surpreendente, mais complexa, mais humana, mais apaixonadamente humana, tinha o olhar mais misterioso de se pintar. Mesmo assim, não tentava desesperadamente, ele sabia que na hora certa conheceria sua amada a ponto de desvendá-la em cores. Amedeo acreditava que representá-la tão facilmente nas telas seria reduzí-la, diminuir o tudo que ela era a cores convencionais de aquarela.
Acredito que Modigliani compreendia o tão desejado apaixonar-se pela mesma pessoa todos os dias, e devia experimentar isso. Acredito que ele compreendia que é impossível definir cada parte mais discreta e marcante de quem se ama. Acrecito que ele compreendia que as pessoas são um mundo, um vasto mundo cheio de surpresas, e que especialmente aquela pessoa que ele escolheu para amar tem muitos encantos para representar tão facilmente. Acredito que ele compreendia, como Drummond, existirem muitas razões para não se amar uma pessoa, mas apenas uma para amá-la, e aí acrescento que é o simples fato de ser apenas ela mesma.
Decerto, como Drummond parecia saber na sua frase, Modigliani também parecia saber que não há perfeição nas pessoas, que realmente com um pouco de má vontade se acha vários motivos para não encontrar o amor. Mas parecia também saber, e principalmente, ver a verdadeira essência nos momentos, nos sorrisos, nos olhares, nos amores, no seu amor. Parecia saber que acima de tudo que já foi dito sempre existe mais o que se dizer, o que se descobriir, o que se desvendar, com o que se surpreender. Por isso não quis se precipitar em pintar os olhos de sua mulher.
Um dia, como devia ser, ele os fez. Encontrou a hora certa. Fez porque por algum motivo ele conseguiu colorir a essência do que era sua amada. É claro que todas as cores que ele usou não diziam todas as coisas que ela era para ele. Mas ele sabia que o amor de cores vivas estava representado na sua vida, na qual o compartilharia com ela, o descobriria e redescobriria nas muitas faces de sua amada.
Esse pequeno detalhe da vida do pintor me fez entender que realmente aquela pessoa que você ama é muito mais do que ela mesma se descreve. Que há muito ainda a ser dito e desvendado, mesmo com tudo que já foi dito. Que mesmo que você saiba quem está amando, felizmente esse alguém é muito mais do que ele mesmo supõe e você terá sempre novas coisas para amar numa mesma pessoa. E para que a face mais bonita de mostre, ou a face mais engraçada, ou a mais indiscreta, ou a mais marcante, ou todas elas, é preciso também que se deixe ver, se deixe mostrar, se deixe compartilhar aquilo que há de mais especial em você.
Acho que todos somos um pouco de Modigliani e de sua mulher, um pouco dos dois, sempre temos muito a mostar e muito ainda a descobrir. Mas algumas vezes nos fechamos, sem saber bem porque, não deixamos ser desvendados ou não queremos desvendar alguém; não só necessariamente aquele alguém, mas também aquelas pessoas que você conquistou e que conquistaram você de forma especial. Geralmente, nós temos medo de nos mostrar, de sermos descobertos nas nossas muitas faces ou de descobrir em alguém aquela face da qual não iremos querer nos separar. Geralmente por isso perdemos oportunidades de enxergar aquela pessoa tão especial ou de ser vistos de forma tão especial por alguém assim.
Modigliani devia ter também um pouco desse medo, mas ele era artista e não demosntrava tanto. Acho que devíamos tentar ser mais artistas nesse ponto, como em tantos outros. Não temer descobrir e ser descobertos pelas pessoas essenciais que aparecem aqui e ali na nossa vida, entre elas provavelmente existe aquela a quem irás amar muito.
Então, meu bem, quando eu conhecer tua alma, a cada dia que motrares mais dela para mim, buscarei estar atenta para conhecer mais um detalhe indiscreto e marcante de você. E já que não sei pintar, no dia que souber que não irei te reduzir a qualquer poesia, escreverei sobre teus olhos, eles que me encantam, impressionam, surpreendem, te revelam e me revelam tanto, sem eu sequer me dar conta, de forma tão essencial, todos os dias.

Manuella Mirna

sábado, 16 de outubro de 2010

Sintonia Los Hermanos

Há três anos atrás escrevi no meu caderno um texto de despedida sobre Los Hermanos um tanto triste. Hoje, depois de ontem à noite, prefiro não pensar em despedidas, prefiro pensar que o 'adeus você' é só nome de música e ouví-los dizendo 'não pensa que eu fui por não te amar'. Então, 'pra que minha vida siga adiante', não vou postar o de anos atrás, prefiro pensar em ontem sem pensar que 'todo carnaval tem seu fim'. Prefiro tentar, por mais que seja quase impossível, guardar esse momento em palavras já que se gravou na memória, palavras companheiras que, como eles, são eternas.
Depois de três anos, uma espera anciosa e sem saber se valia a pena realmente esperar que eles não seguissem adiante separados, eles voltaram para mais um show, talvez o último, talvez não, prefiro pensar que não.
Estranho pensar neles como um show, como apenas uma banda. Eles são muito mais. Para quem não gosta pode parecer piegas. Mas quem conhece de verdade sente e sabe que não há palavras para definir, muitas coisas mais conectam a eles.
A música brasileira é muito boa, mas sofre alfinetadas ferozes da música gastronômica e existir música como a de Los Hermanos é quase como respirar ar puro no meio de uma cidade maluca. É como voltar pra casa, sentir-se em casa no meio de uma multidão. É como saber que o mundo que se mostra além da sua janela não é tão caótico e egoísta quanto parece, é também poético, depende de como o vemos e nele dá para aprender muito também, ser melhor, por mais que pareça o contrário.
Enxergar o que se passa num coração fatigado de dois velhinhos ali da esquina e acreditar num 'último romance'; contar o momento de morte de duas pessoas cujo amor nunca irá morrer numa 'conversa de botas batidas'; entender do 'sétimo andar' um amor cuidadoso e puro de alguém que não esquece seu outro mesmo que esse não possa mais continuar com ele; sentir os reparos de um coração que tem tudo, mas que também precisa, e muito, daquele alguém com ele o mais rápido possível é 'sentimental' e não é pecado isso. Histórias de amores mil, musicadas com uma harmonia instrumental que só L.H. tem e que nos faz sentir realmente, nem que seja só por um momento, só de ouvir, só de cantar, sentimentos que nosso olhar apressado e nosso coração medroso muitas vezes não se permitem sentir. E quando conseguimos deixar essa música curar nossos sentimentos cautelosos demais, ou exagerados demais, nos tornamos amantes melhores.
Enxergar que 'nessa vida não se pode mais errar, que entre as estrelas e o chão' ainda 'existe o mar' e 'deixa estar'; entender que a despedida num 'adeus você' às vezes é necessária, é crescimento e que não é por falta de amor; ver 'além do que se vê' que 'é difícil ser feliz mais do que já somos todos nós'; experimentar a casa segura que o amor pode te dar e 'deixa o verão' pra mais tarde, porque da porta pra lá as vezes é hostil demais para o essencial. Aprendizados e valorizações que muitas vezes não conseguimos tirar dos momentos, das pessoas, da vida, às vezes passamos por ela e não entendemos as mensagens que ela nos dá. L.H., acho eu, consegue captá-las e colocar em letras tão delicadas que se não quisermos ver além não percebemos o belo no meio do caus que vivemos.
Até separações com 'a flor' na mão e que 'assim será', traições com 'a outra', estar aflito e só vendo 'os passáros'. Nada disso é realmente triste com acordes perfeitos e a certeza de que precisamos de momentos assim algumas vezes para experimentar sentimentos e lições que a vida sutilmente mostra com a única finalidade de nos tornar mais vivos e mais corajosos. Acho que L.H. entendeu que a música e a poesia são formas de encarar verdades que não precisam ser necessariamente tristes e que assim você se torne poema nessas horas.
Saber que num 'horizonte distante' 'através eu ví, só o amor é luz... não me falta ao passo coração'; e 'paquetá' sozinho e tristonho, admita com certo humor um quase erro e pegue no ar o amor que quase deixou cair - não deixar passar as raras pessoas da nossa vida é um dom - 'e desse engodo eu vi luzir de longe o teu farol minha ilha perdida é aí o meu pôr-do-sol'; numa 'casa pré-fabricada' descobrir um abrigo num sorriso, qualquer coisa nele explica a paz que ele te dá, o amor constrói casas que o vento não leva; 'veja bem meu bem' onde você não está ela está, a saudade. Cantar amor não é piegas quando L.H. nos mostra as faces mais lindas, os detalhes mais singelos, o delicado e o sensual de um sentimento que não vence, que vale a pena em qualquer lugar, que pode não ser eterno para algumas pessoas, mas não precisa ser. Ele, o amor, eterniza-se em si mesmo, pelos momentos, sorrisos, olhares, beijos e sensações que sempre vão ficar gravados. Ele ensina, nos mostra, nos desmascara, nos faz, assim, nós mesmos, melhores, eternos.
Enfim, é difícil quando se olha pela janela e não vemos exatamente o mundo dos nossos sonhos. É difícil quando no meio de tanta desordem você conseguir enxergar coisas melhores, sorrisos indecifráveis, olhares inexplicáveis, pessoas especiais, momentos únicos, soluções e esperanças e forças e sonhos e amor e tudo que há de melhor na vida. Mas é preciso saber entrever no meio de todo caos o que o mundo realmente pode ser pra você, o que nele você pode aprender, a pessoa que você realmente é, melhor do que a janela te induz a ser. Acho que Los Hermanos, de alguma forma, sabe disso: que a vida é mais do que ela mostra ser, que há realmente o especial em algum lugar. Mas o essencial é invisível aos olhos apressados, é preciso não ter medo de ir além, de sentir além, de ser mais, de viver mais, de sentir mais. Música pode ser uma maneira estranha de fazer isso, mas é uma fórmula infalível, pois nem sempre conseguimos sozinhos o que certos acordes conseguem traduzir, entrando pelos poros, agitando a cabeça, o coração, a alma. De forma a instigar o melhor em nós, os sentimentos mais ocultos, as sensações mais necessárias, os desejos que não podemos afogar, as pessoas que precisamos estar perto, as coisas que não devemos esquecer, as coisas que precisamos lembrar mais, as coisas que devemos deixar de lado, a vida e amor que precisamos viver mais.
Los Hermanos. É difícil descrever algo que realmente só sentindo se explica, se se explicar. Mas não podia deixar de tentar gravar L.H. aqui, de alguma humilde forma, mas verdadeira. Ontem, pode ter sido o último show, ou não, mas o que eles representam para quem deles gosta, o que suas músicas são capazes de fazer para quem ouvi, é para sempre. Eles nos contam histórias, algumas tristes outras alegres, mas todas necessárias. Histórias que às vezes traduzem as nossas, histórias que às vezes traduzem nossas qusse histórias, histórias que nos levam a fazer histórias mais belas ou mais apixonadas ou mais especiais, ou tudo de uma vez.
... Eternamente Los será a sensibilidade acordeada.
Obrigada Los Hermanos! Sem mais palavras.

Manuella Mirna

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Enxergando as Eleições

2010, ano de eleições, daquelas longas e complexas. Poderia ser mais um ano de exercício da cidadania e da democracia, mas tem sido bem mais que isso, infelizmente, para pior. Estamos tendo uma das eleições mais desleais que nosso país já assistiu, se bem que, em se tratando de eleições diretas e realmente democráticas ele não assistiu a muitas, mas essa, com certeza, irá ser lembrada pela mentira e pelo jogo sujo.
No Brasil, a democracia sempre sofreu duros testes para se efetivar, como os votos de cabresto e as oligarquias cafeeiras que controlaram as decisões nas eleições durante a República Velha, e a até a Ditadura para ameaçar os sonhos de cidadania e liberdade, mas ainda hoje ela parece cair por terra a qualquer momento. Não falo aqui da democracia como direito do povo de comparecer às urnas, mas da democracia conscientizada, aquela em que não somos marionetes de politicagem, aquela em que não somos "convidados" a responder em um plesbicito o que os candidatos não estão preparados ou tem medo de tomar posição, aquela na qual não há leilão para ver quem engana mais o eleitor por um voto, aquela a qual não é pichada por propostas infantis e mirabolantes que em nada, de fato, colaboram para o crescimento do país e sim para o descredito do cidadão diante do seu direito de escolha. Os mais conscientes perguntam-se se realmente esse tal direito tem valor e que valor é esse: cestas básicas, tijolos, uma nota de $600, tarifas reduzidas nas operadoras de celular ou leitores digitais?
É realmente lamentável que um país com fama de pacífico e amistoso tenha tanta guerra durante processos políticos tão importantes, que deveriam ser celebração da democracia. Guerras por um voto, pela melhor mentira, por um eleitor, por uma cadeira confortável num palecete no centro do páis. No meio desse tiroteio de idéias muitas vezes mascaradas com um discurso popular, o eleitor fica sem saber em quem acreditar, o que ouvir, o que defender, o que escolher. Nessa loucura de campanha, o cidadão não consegue distinguir o verdadeiro do mentiroso e acaba por não exercer com a devida consciência e satisfação sua democracia.
A política atual, com raras exeções que nos custam muito identificar, tenta de todas as maneiras nos furtar o direito de pensar com clareza, de refletir com discernimento, pois o que se diz não se escreve, o que se faz não se divulga, e quando algo vem à tona mais nos parece que a única coisa feita no palecete é tentar nos esconder as falcatruas. Para compeltar o cenário, a mídia, que deveria esclarecer o eleitor e informar de forma objetiva e sobretudo ética a verdade das campanhas eleitorais, dos políticos, o cerne de cada proposta e a distinção entre o dizer e o fazer de cada candidato, entra no joguete político e passa a distribuir a mentira melhor paga.
Diante disso tudo é natural que o brasileiro ache votar em branco/nulo como única solução para seu descredito ou eleja um palhaço para rir da própria desgraça. Mas isso não é fazer jus a cidadania, por mais que essa hoje em dia pareça utopica; isso não melhora as coisas, só pioram. Até porque o brasileiro orgulha-se de ser alguém que não desiste nunca, então ele é o último que deve desestimular-se, que deve achar que não há mais jeito e deixar-se dobrar às muitas tentavas insanas de borrar nossa democracia. Assim, ele não deve acreditar em qualquer coisa, o que lhe pareça mais politicamente correto ou o que lhe apareça mais sorridente e amigável. Não deve acreditar em calúnias sem fundamento que surgem em epoca de campanha com o único objetivo de angariar mais votos e vencer o "campeonato". Não deve aceitar como fato tudo que um tipo de imprenssa mercenária diz. Não deve achar que o fato de ilegalidades sairem de baixo do pano é ruim, é ruim também, mas é um indício de que o governate do país está mais atento, quer desmascarar as corrupções, fichar quem as fazem, e não teme ser colocado no pálio também porque não tem nada a esconder.
O fato de haver politicagem não quer dizer que a democracia e a cidadania não valem à pena. Aquela política descompromissada mostra sinais de extinção, mostra que está prestes a cair de vez, escândalos explodem no noticiário todos os dias, prisões e cassações são decretadas, leis, ainda que a custo, prometem agir com eficácia, os candidatos ao poder tem representantes em todas as classes, de todos os sexos e ideologias. As coisas estão se descentralizando e a ganância de políticos e partidos que sempre fizeram o povo de joguete deixa cair o véu cada dia mais, promessas quaisquer não sustentam mais um voto. Já a democracia e a cidadania sempre existirão, são direitos conquistados que jamais vão sair de moda. Significam progresso e não há mais como andar para trás, estamos indo em frente, crescendo sempre, por mais que pareça ser por um caminho tortuoso e camuflado tenha certeza que muito pior já foi.
Acredite, antes o índice de analfabetismo era gritante e não havia perspectiva de eleitores conscientes. Antes a única mídia que havia, ainda muito imatura, andava junto com os poderosos políticos controladores do povo e quando surgiram outras mais conscientes que decidiram denunciar a realidade foram censuradas. Antes as máscaras não caiam, antes nada era divulgado e quando surgiu um governo que iria fazer mais pelo povo as armas tomaram o poder e traumatizaram vidas, mentes, famílias, sonhos, histórias.
Enfim, hoje as coisas estão melhores, ainda que pareça absurdo dizer isso, é verdade. E se estamos desestimulados diante da democracia, não é culpa só da corrupção ou só dos políticos, é culpa nossa também que por imaturidade política fizemos escolhas erradas das quais nós mesmos nos arrependemos depois. Algumas não faz tanto tempo, infelizmente. Mas justamente por hoje a situação mostrar mudanças, justamente por hoje enxergarmos que erramos em muitas escolhas é que devemos enxergar com muito cuidado e responsabilidade essas eleições, praticar o "além do que se vê", do que é dito, do que é anunciado na tevê ou em pedaços de entrevistas que com uma boa montagem compromete qualquer um. Precisamos usar de toda nossa conciência e direito de escolha para refletir sobre os melhores canditados, estudar suas propostas e principalmente o que há por trás de seus sorrisos e discursos politicamente corretos. Devemos mostrar que estamos amadurecendo politicamente, criando discernimento político e que qualquer propaganda bem feita ou promessas mirabolantes não irão ganhar nosso voto. O brasileiro quer mais, ele principalmente é capaz de escolher bem, refletindo e pesquisando, e depois de enxergar a verdade por trás dessa eleição de leilão ele poderá ter a consciência de que não foi marionete de joguetes políticos dessa vez.

Manuella Mirna

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Verdade Inconveniente, mas necessária

Não estava pensando em postar algo relacionado ao meio ambiente, por ser um tema já muito comentado e não quero me encher de clichês. Mas na faculdade um professor nos passou uma análise crítica sobre o filme "Uma Verdade Inconveniente" e acabei por achar muito importante mostrar para vocês meu rascunho, afinal somos colegas de Planeta não é?! =D Não podemos negar ser um assunto fundamental hoje em dia, por relacionar-se diretamente, e muito, com nossa vida, e nunca é demais informações e histórias que nos façam refletir sobre esse tema para mudar com mais rapidez e consciência certas atitudes tão contra a natureza. Então, que tal pensar mais um pouco sobre o meio ambiente?!
Os 10 anos mais quentes já verificados na história humana foram os últimos 14, sendo o pior ano o de 2005, segundo afirma o autor do livro Uma Verdade Inconveniente, o qual inspirou o filme de mesmo nome. Decerto, esse dado, tal como quis Al Gore em seu livro e filme, nos leva a refletir que algo está errado nos costumes da sociedade e uma solução precisa ser empreendida rapidamente, a fim de sanar esse mal, o Aquecimento Global.
Conforme o autor, o complicado, no entanto, é provar para a humanidade e para a banca de cientistas negadores do Aquecimento que ele, de fato, existe e que há um consenso científico em nós sermos os causadores dele.
No filme, Al Gore mostra diversas fotografias tentando provar os efeitos desse dito fantasma. A Patagônia, por exemplo, há 75 anos era um enorme deserto de gelo, o qual hoje virou um lago azul com vegetação nas margens e apenas os picos das montanhas estão nevados. O Monte Kilimanjaro é outro que há 30 anos estava inteiramente coberto de gelo e uma foto de 2006 mostra a cobertura nevada com apenas 20% da original, que por previsões climáticas, até o final de 2020, desaparecerá.
Além de imagens o filme se utiliza de gráficos, projeções de pesquisas científicas e explicações esclarecedoras. Ensina, assim, que a atmosfera é a que mais sofre com todas as ações praticadas pelo ser humano e, consequentemente, o efeito dessa fragilidade cai sobre a sociedade, a qual nota todos os dias as mudanças climáticas que acarretam grandes desastres naturais.
Mostra, ademais, que o efeito estufa é um mecanismo natural necessário à sobrevivência humana, mas o excesso de gases, na maioria tóxicos, exalados para a atmosfera não conseguem ser filtrados por ela e, assim, superaquecem o Planeta. Por isso, em menos de 50 anos o nível de gás carbônico na atmosfera, gás tóxico mais abundante no ar devido ao seu largo uso nas atividades humanas, subiu mais que o dobro do nível estável que mantinha.
Assim, conforme é explicado no filme, quanto mais calor maiores tempestades ocorrem, o que se constatou com enormes furacões nas últimas décadas, como o Jeanne, o Frances, o Juan e, mais recentemente, o Katrina. Esse teve categoria 1, dentre as 5 que um furacão pode assumir, mas por ter passado por águas quentes, reflexo do aquecimento gradual das águas oceânicas, aumentou sua velocidade e umidade, causando a destruição de parte dos Estados Unidos, como foi visto em 2005.
Nesse ritmo de aquecimento das águas e do ar, as calotas polares tendem a derreter. Fato que já é noticiado nos jornais, como o derretimento das calotas na Antártida. O filme, no entanto, faz previsões ainda piores do que já é percebido. A Groelândia, por exemplo, derreteu só em 2005 mais do que o previsto para aquele ano e para 1992. Assim, se ela quebrar e derreter ou metade dela e metade do oeste da Antártida ou ainda o Ártico quebrar e derreter, o nível das águas oceânicas subirá 6 metros. Dessa forma, a Flórida e a Baía de São Francisco seriam quase completamente inundadas, os arredores de Pequim, Shangai e Calcutá ficariam debaixo d´água e a Holanda desapareceria. Então, Al Gore leva a refletir, se é forte o impacto de centenas de milhares de refugiados, como seria com os aproximadamente 100 milhões de refugiados desses desastres?
Esses fatos, pesquisas e previsões são provas incontestes de que o Aquecimento Global não é um fantasma como pensam alguns cientistas e ignoram algumas pessoas, ele existe e as causas que levam até ele devem ser combatidas. No entanto, como afirmou Al Gore, algo irá realmente ser feito não só quando a humanidade se convencer da veracidade dos fatos, mas também quando entender que ela é a principal causadora dessa realidade.
Para isso, ela deverá entender que os seus hábitos enquanto integrantes de uma sociedade consumista estão errados; que a economia dos materiais de qual faz parte, ou seja, o sistema de extração dos recursos naturais à produção, distribuição e consumo está em crise. Entender, assim, que um sistema linear não pode funcionar muito tempo em um Planeta finito, pois seus recursos não durarão para sempre e de perto esse processo é muito mais complexo do que parece ao creditá-lo funcionando linearmente.
Dessa maneira, esse processo econômico criado pelo homem esbarra nos limites naturais do Planeta. Prova disso, é que 75% dos peixes estão exauridos com a pesca irregular e as toxinas despejadas na água pelas indústrias, 80% das florestas estão desmatadas para plantação de soja, milho, trigo ou para pecuária, a qual é responsável por 18% da poluição do ar. Além disso, apenas nas 3 últimas décadas, 1/3 dos recursos da natureza foram consumidos, carregando a capacidade da Terra. Só os Estados Unidos, com 5% da população mundial, usa o equivalente a 30% dos recursos. Para isso, ele utiliza-se dos de países que não tem a economia tão forte para extrair suas riquezas, esgotando o meio-ambiente deles ao máximo. E ainda coloca indústrias em países que tem mão de obra abundante e barata para acelerar a produção e baratear os custos. Toda essa degradação e poluição do meio ambiente volta, não só para os EUA, como também para o mundo inteiro através das correntes de ar, aquecendo a atmosfera e gerando furacões, ciclones e fortes tempestades.
Assim, nesse sistema abusivo, no qual mais vale fortalecer a economia do país, o consumismo nas pessoas é cada vez mais estimulado pela mídia e até por certos governos. Como no ataque de 11 de setembro, quando Bush orientou às pessoas a fazerem compras para esquecer o ocorrido. Logo, o consumo virou também arma política para alienar a população da realidade. O objetivo maior desse processo é vender produtos descartáveis a preços baixos o mais rápido possível para comprarmos mais depois, enchendo os cofres públicos e privados do dinheiro pelo qual se trabalha horas para obter. No final das contas 99% do consumido pela sociedade vira lixo, esse, por sua vez, na maioria das vezes é incinerado, poluindo o ar com os gases tóxicos dos produtos e os formados na combustão. Ou então, e não melhor, o lixo é jogado em aterros sanitários ou lixões, degradando o solo com o líquido formado por ele e poluindo os lençóis de água subterrânea.
Por conseguinte, o filme Uma Verdade Inconveniente leva à reflexão de uma série de questões importantes acerca da nossa sociedade e dos hábitos necessários de mudança. Decerto, atitudes positivas das Organizações Não Governamentais, como o Greenpeace, e mesmo de certos governos, como da Alemanha e França, lutam para preservar as florestas e o mundo marinho, para conseguir uma produção limpa, estimular o consumo justo, fazer o bloqueio de aterros, lixões e incinerações e isso já é uma demonstração de economia promissora e sustentável. No entanto, muito mais deve ser feito para não desperdiçar os recursos e as pessoas vítimas desse sistema explorador, substituindo-o por um sistema fechado, renovável, no qual a extração, a produção e o consumo tenham um propósito e o cuidado necessário e o lixo não seja simplesmente jogado fora. Dessa forma, sustentabilidade e economia provariam sua possível equidade, com uma química verde, energia renovável e economias locais vivas. Isso não é utópico, sonhar é continuar apostando no velho e falido sistema que nos encontramos, é necessária uma nova ideologia. Assim, provada a existência do Aquecimento e de quem é a responsabilidade dele, é uma questão moral e não política, como disse Al Gore, agir em conjunto para sanar o problema. Pois a crise é global, é a habilidade humana de viver que está em risco, é o futuro que está ameaçado de existir.

Manuella Mirna



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mensagem do Benjamin - sendo bons condutores da vida

Já faz um tempo que ví "O Curioso Caso de Benjamin Button" e anotei em algum lugar a mensagem dita pelo personagem principal no final. Lendo-a de novo não me contive e quis dividir com vocês. Cheguei a pensar em dizer com minhas palavras o toque especial desse filme, sua mensagem discreta e profunda. Mas dessa vez preferi deixar o próprio Benjamin com a palavra, sem acréscimos meus ;) Aproveitem cada linha e entrelinha, vejam além, façam além:
"Se é que a minha opinião importa, nunca é tarde demais ou, no meu caso, cedo demais para ser quem você quer ser. Não há limite de tempo. Começe quando quiser. Mude ou continue sendo a mesma pessoa. Não há regras para isso. Podemos tirar o máximo proveito ou o mínimo (da vida). Espero que tire o máximo. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva. Espero que veja coisas surpreendentes. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes (ou imaginou sentir). Espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente do seu. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se não se orgulhar dela... espero que encontre forças para começar tudo de novo"

Manuella Mirna

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O poder do ser humano

"Mãos Talentosas". Mais um daqueles filmes que não é apenas um produto de hollywood, mas uma lição através de palavras e imagens. Representadas na vida de um homem, Dr. Ben Carson, ao qual ''sua mãe lhe deu coragem, sua fé o ajudou a acreditar, sua grandeza lhe deu o poder de mudar vidas''. Essa é apenas uma história, um exemplo real, pode não ter nada a ver com você, ou comigo, mas as mensagens do filme são gerais e se dirigem a qualquer ser humano que tenha um sonho, que queira um pouco mais da vida.
"Você tem o mundo todo aqui (na sua cabeça), você só tem que enxergar além do que vê" para isso basta usar também o coração. Porque o mundo, como também as pessoas, na maioria das vezes parece indecifrável para nós, mas não é. Nada e ninguém é tão complicado que não possa ser entendido, descoberto, conquistado, percebido... ou mesmo perguntado, as palavras podem explicar muita coisa. Só que na maioria das vezes perferimos fechar os olhos, não os da vista, mas os sábios olhos da razão e do coração, não enxergar nem interpretar o que está na nossa frente, ou por medo, ou por covardia, ou simplesmente por ainda não se importar. Mas para ver e entender o mundo e as pessoas basta ver além do que se vê habitualmente, ver o aparentemente escondido. Não é difícil, é apenas uma questão de se importar, de querer saber mais, ver mais, sentir mais.
"Você pode ser o que quiser nessa vida, contanto que trabalhe para isso". Pois os sonhos são ilimitados, os desejos são mil, mas é necessário que se coloque a mão na massa, que se tente superar os medos que todos temos e se aproveite as oportunidades que aparecem aparentemente enigmaticamente no caminho; tenha certeza, se bate a sua porta é porque você é capaz de realizar o que outro dia pensava ser impossível.
"Não se preocupem com os outros, o mundo todo está cheio de outros". As vezes nos preocupamos demais com que os outros vão pensar de nós, com que os outros estão fazendo e nós não, com que os outros têm e nós não. Mas a vida mostra todos os dias que o mundo está cheio de 'outros' sem criatividade e coragem, justamente porque quererem ser iguais aos 'outros' e acaba que todos se perdem de si, esquecem de suas capacidades e individualidades para não assustar a convenção social. Aí perdem-se milhares de gênios e artistas, ou simplesmente perdem-se mais pessoas que poderiam ser felizes de verdade, mas não conseguem ser. Se preocupe menos com 'os tais outros' e torne-se mais você, mostre-se de cara limpa, a que veio e do que é capaz, sem arrogância e nas horas certas, e elas você sempre sabe quais são. Então, seguro de si, olhe o mundo e veja a quem você pode ajudar, onde pode operar a mudança que esperava acontecer no mundo, porque todo ser humano é um milagre capaz de fazer outros milagres, basta que ele perceba isso.
"Porque perdem tempo com tevê, se vocês usarem esse tempo para desenvolver o que Deus lhes deu não vai demorar muito tempo para os outros verem vocês na tevê". Se pararmos para entender " esse tempo com tevê" como qualquer tempo que perdemos com coisas inúteis, que nos fazem sofrer, que nos fazem perder momentos valiosos de sorrisos, de estar entre amigos, em família, de fazer algo que gostamos, de desenvolver capacidades que ainda nem sabemos possuir, que nunca imaginamos fazer... todo esse tempo investido em coisas fúteis, ou inúteis, ou ruins mesmo, poderia ser usado de forma bem mais saudável, produtiva, alegre, últil se simplesmente valorizássemos mais nossos momentos, eternos justamente por serem finitos e por isso devem ser regados com todo carinho. Não quero dizer com isso que devemos abominar todas as atividades das boas horas do ócio, não. É apenas uma questão de entender a importância dessa horinha para a nossa vida, mas também a importância do outro tipo de investimento em você e na vida.
"Você pode fazer tudo que os outros fazem só que você pode fazer melhor". Porque às vezes achamos por algum motivo que podemos menos que 'aqueles tais outros' de uma frase anterior, simplesmente por fazermos diferente que a maioria, simplesmente por não sermos iguais a todos, simplesmente por não seguirmos tudo que está na cartilha da convenção social. Mas fazer diferente, tentar outras alternativas, acreditar em outras maneiras não quer dizer que não iremos conseguir; pois muitas vezes, ser diferente da maioria é bem melhor. Às vezes achamos tarde para fazer algo porque não começamos ainda, e então a vida mostra que não há primeiro ou último lugar, pois cada um tem seu lugar ao sol, cada um ao seu modo, todos têm seu espaço. Não existe cedo ou tarde, existe fazer e fazer bem feito o que você pode fazer e acha que não saberia fazer. Acredite em você.
"Não vai recuperar (vidas perdidas) salvando essas vidas, mas se conseguir ao menos terá feito alguma coisa". Porque não podemos ter de volta coisas que perdemos, pessoas, oportunidades, momentos, mas sempre podemos tentar conseguir outras coisas, pessoas, oportunidades, momentos valiosos e, quem sabe, tão ou mais indispensáveis que aquilo que você considerava a maior perda de sua vida. Sempre se pode criar novos caminhos, novas alegrias, novas expectativas. Não precisa ter pressa para isso, se reinvente e dê chance para a vida reinventar-se também, mas como disse Clarice Lispector ''mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade''. Tudo pode nascer e ser inesquecível outra vez.
"Não precisa do livro, você tem o livro dentro de você". Isso não quer dizer, ao pé da letra, para jogarmos os livros fora e apelarmos só para nossa mente. Não somos sabedores de tudo. Mas é apenas necessário também que se acredite mais em nós mesmos, nas nossas capacidades, nos milagres que podemos fazer, inimagináveis. Milagre não é necessariamente transformar água em vinho, mas fazer nascer um sorriso; fazer nascer uma chance, aquela última chance; fazer nascer um amigo, cultivar os velhos; encontrar aquela pessoa, aquela com a qual você descobriu o amor que não sabia existir; fazer aos outros o que pra você é tão fácil e para eles é tão importante; fazer o que para você é tão importante mas parecia tão difícil; evitar uma lágrima; fazer nascer uma idéia, um sonho; realizar um sonho, seu ou de outra pessoa. Enfim, ser ser humano, ser mais essência que matéria, ser o melhor que consigas ser, em cada vão momento desta vida e em cada vida deixar sua inigualável impressão digital.

Manuella Mirna

sábado, 25 de setembro de 2010

Tentativas

Faz tempo desde a última vez. Talvez por isso eu não queira mais ver. Não deu certo antes. Talvez por isso eu agora tenha receio. Eu já chorei. Talvez por isso agora eu finja estar tudo bem. Eu prometi que não. Talvez por isso eu não queira admitir.
Mas ouvi dizer por aí que isto é vida. E sem o tempo necessário para cicatrizar todas as coisas passadas e fazer acontecer as presentes não descobriríamos a superação nem a paciência. E sem os medos não aprenderíamos a ser fortes. E sem as promessas tolas não conquistaríamos a coragem necessária para quebrar as amarras do que nossa mente pequena considerava certo. E sem as lágrimas não teríamos a sensibilidade necessária a nossa alma com sede de ternura.
Entendi que o talvez faz parte desta tal sra. vida, pois sem as dúvidas inerentes a ela não saberíamos fazer as melhores escolhas. E a favor dessas escolhas é preciso se abrir, se reconhecer.
Por isso, não vou tapar os olhos do meu coração, não vou mais ter medo, não vou fingir que nada está acontecendo. Eu vou admitir, para mim, para você, na hora certa, ela ainda não chegou. Mas quando chegar eu vou saber, você vai saber, talvez não precisem muitas palavras, talvez eu me surpreenda nisso, acho que vou me surpreender.
Tentando não pensar, porque ainda, só por agora, tenho medo de pensar, não vou também tentar negar, fingir, fugir ou não sentir. Dessa vez vai ser diferente, para mim e para você, não vai haver medo nem promessas. Vai ser apenas Eu e vai ser apenas Você. E quando nem percebermos vai haver um Nós, tão natural e necessário, tão sem cobranças e intenso, que não iremos querer, pelo menos enquanto assim sentirmos, outra coisa senão esse pequeno pronome plural.

Manuella Mirna

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Alternativas Sustentáveis

No mundo ultramoderno em que vivemos, de invenções tecnológicas e saberes científcos a mil/hora, é difícl não se deixar envolver por todas as suas atrações momentânias e, muitas vezes, desnecessárias. Pelo que vimos nos últimos tempos, é quase impossível, na verdade, mas a ideologia do "pode ser diferente" vem tomando espaço entre as pessoas.Me chamou atenção esse semestre no Inglês os inúmeros textos que a professora nos passou para ler e debater, oitenta porcento deles era sobre tecnologia, meio-ambiente e coisas úteis e inúteis na loucura das invenções. Para mim ficou muito óbvio que o dito fantasma do aquecimento global nunca foi fantasma e sim um ser bem desenvolvido, segundo já nos provou Al Gore, e que, muitos anos depois, este parece ser o século de pôr a mão na consciência sobre o que tem sido feito de prejudicial ao meio, que entre tudo que inventamos muitas coisas são desnecessárias. Mas ainda não parece ser o século de pôr o pé no freio. É, não basta só pensar, tem-se que parar para mudar o que já é claro que está errado.
Esta semana no Jornal, ví uma matéria que me estimulou a falar desse assunto. De acordo com ela, nos laboratórios da Universidade Estadual de Londrina, pesquisadores brasileiros desenvolveram formas biodegradáveis para alguns materiais do dia a dia, que, como são muito usados, iriam agredir menos o meio ambiente. Assim, eles conseguiram transformar o amido de milho em sacolas plásticas e bandejas para serem usadas no supermercado. Esse plástico, em condições ideias no meio, se decompõe em seis meses e sua receita leva 60% de polvilho doce, poliéster e glicerol, substância que dá a textura típica do material. Solução perfeita, já que o convencional pode demorar cem anos para se degradar. O desafio dos pesquisadores agora é fazer parcerias com empresas privadas para ampliar a produção e baratear os custos. Esperamos que dê tudo certo. Para a bandejinha, os pesquisadores testam uma nova formulação, com amido e fibra de bagaço de cana, resíduo muito comum na região. A fibra a deixa mais firme e resistente às variações de umidade e temperatura. Essas experiências, com certeza, significam a mudança, não só na mentalidade da sociedade, mas também nas atitudes, o que prova que é possível sustentabilidade e desenvolvimento andarem juntos.
Com esse estímulo, conto a vocês também o que dizia alguns dos textos que a professora do Inglês passou. Um deles nos faz pensar se tudo o que temos, inventamos e compramos é realmente últil. Ele faz uma lista de coisas, como cortador de ovos, tesoura com corte a laser, lápis e canetas gigantes, amassador de latinhas, suporte para prender o controle remoto ao corpo, gaseificador de refrigerantes, chaleira só para fazer chá, lixa de unhas elétrica, secador de toalhas, entre tantas outras coisas inúteis que a indútria produz e nós, nos achando muito espertos, compramos. Depois de um tempo, não muito longo, jogamos no fundo das gavetas. Lógico que algumas dessas coisas nunca cheguei a ver aqui no Brasil, mas não deixa de significar que indútrias muito fúteis de países considerados influência mundial, como os Estados Unidos, estão produzindo bugingangas e estão obtendo lucros e pedidos da sociedade consumista da qual fazemos parte. Há um outro artigo que nos ensina a ser mais criativos e a reutilizar coisas simples que temos em casa. Ele dá dicas, como pegar aquela caixa de papelão, de sapato ou resma de papel, e em vez de jogarmos fora a estilizarmos, colando figuras recortadas de revista, fotos, ou mesmo pintando-a. Em pouco tempo um papelão que iria para o lixo e entulharia mais o meio virará um porta revistas, um lixeirinho ou um porta treco; fiz isso e ficou muito legal. A quem mora em lugares frios, ele diz para, em vez de ligar o aquecedor elétrico, colocar cortinas mais espessas e quentes nas janelas, vedar as entradas de ar e usar a manta, ou ligar a lareira. Além de criar um clima romântico e aconchegante você irá economizar energia e ajudar o meio ambiente. Outras dicas, como usar da video conferência em programas fáceis e gratuitos como o Skype, pode economizar combustível na resolução de coisas simples; fazer um rodízio de caronas com colegas que morem perto de você ou que tenham o mesmo caminho que o seu é uma economia no bolso de ambos, melhora no tráfego da cidade e redução no uso de combustíveis fósseis; desligar o computador, som, televisão nos botões quando não estiverem sendo usados, em vez de deixar em stand-by reduzem em média 3% na conta no final do mês e somando as contas de toda uma cidade a economia de água para produção de energia é enorme. Além disso, evite usar descartáveis, são infinitos produtos plásticos que o meio levará um século para decompor, até lá, milhares de enchentes como as que ocorreram no nosso estado este mês podem ser minimizadas com essa simples atitude.
As soluções criadas pela Universidade de Londrina ou as dicas dos textos de estudiosos do assunto são apenas um dos caminhos para uma vida em harmonia com o meio ambiente. Estamos apenas no começo, além de tudo que vem sendo conseguido em busca da sustentabilidade aliada ao desenvolvimento muito mais ainda precisa ser feito. O mundo inteiro sabe disso, pois, hoje, todos sentimos as consequências dos séculos de descuido com os recursos naturais. Mas alternativas como as citadas aqui nos deixam com mais estímulo de passar a diante esse ideal e de fazer a nossa parte, mesmo que pouco no contexto global, pois o que fizermos de positivo já será menos um ponto negativo nos problemas do Planeta. Assim, simples atitudes ajudam para que esse século não seja só o de colocar a mão na consciência, mas também o de pôr o pé no freio e mudar o que está errado na realidade atual.

Manuella Mirna

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Depende de como você vê...

"Um encontro com meu ídolo". O título parece meio bobo não é?! Também pensei isso quando me sentei ontem no sofá para assistir a sessão da tarde e relaxar \o/. Mas não é mais um besterol americano.
Como verdadeira amante do cinema, aprendi a ver filmes como se cada um deles pudessem me ensinar alguma coisa - tiro dessa consideração os clássicos besterois tá?! esses, se você tiver paciência com todas as bobagens incluídas, são só para destrair a cabeça mesmo. Encarando dessa forma, cada vez que vejo um filme saio diferente, é como Heráclito de Éfeso disse
“um homem não toma banho duas vezes no mesmo rio”, porque nem o homem nem o rio serão os mesmos. Assim, passo isso para a vida e penso que depois de cada pessoa ou acontecimento, de cada arte, como o cinema, não somos mais os mesmos, tal como as pessoas e as histórias e até o filme não será igual - o cd estará com a poeira do seu dvd. Essa última frase lhe pareceu estranha? Então tente ver o dvd como se fosse você, que irá reproduzir o enredo adiante, e a história que contará nunca será a mesma que outra pessoa conte, entendeu? Tudo sempre vai ser diferente, não importa quem ou o que seja!
Enfim, esse filme me ensinou mais sobre o amor... Calma, não serei piegas. Mas refleti em algumas coisas. Esta frase, por exemplo: "Paixão dura dois meses, amor dura... dois anos, grande amor muda sua vida... Se você não lutar por ele, vai ter jogado sua vida inteira fora". Bem, não concordarei totalmente, porque não se pode delimitar a intensidade dos sentimentos com exatidão numérica, mas a idéia, para mim, faz todo sentido: vejo a paixão como um fogo, lindo, que ofusca a visão e te impede de ver as coisas ruins, tudo te parece perfeito... até que passa algum tempo e naturalmente a chama se apaga, você vê com clareza e tudo passa. O amor, é mais intenso, usa lâmpada e vê com mais clareza e nem por isso diminui, ele é transformador e realmente faz feliz. O grande amor, além de ver com clareza e amar justamente porque usa da verdade, além de fazer feliz e dar tranquilidade a alma, muda sua vida, seus rumos, te faz ver oportunidades antes não percebidas, detalhes que costuram com carinho uma vida. Não é nenhuma voz da sabedoria que vos fala, mas deixo minhas impressões. :) Tem outra frase no filme que diz: "Todo mundo é o Ted Hamilton de alguém" e lembrei que Gabriel Garcia Marques disse algo parecido "Podes não ser o mundo, mas para alguém tu és o mundo". Bem, quem amamos é visto por nós da melhor forma possível, mesmo com seus defeitos sabemos que esse alguém irá consertar o que há de errado. Ele completa nossa felicidade, de fato, nosso mundo tem mais cor e sentido com ele. Não encare isso como piegas, é apenas verdade. Por último, tem esta: "Entre o que a prudência diz para agente fazer e o que o coração diz para agente fazer aí repousa o universo" e isso me fez ver o seguinte: a prudência, associada ao dicernimento humano, é algo fundamental para qualquer um, temos que saber distinguir entre o que é bom e ruim para nós, quando uma atitude causará a nós ou aos outros tristeza ou alegria, entre a real felicidade e o que pensamos sê-la, assim, vive-se melhor quando se usa da prudência. Mas no mundo das perplexidades em que vivemos, a prudência virou sinônimo de não arriscar, fazer o que a sociedade acha aconselhável e saudável e não devemos nos esquecer de que a sociedade, em geral, é gananciosa e enxerga que o caminho para a felicidade é o sucesso, entenda dinheiro. Não estou dizendo que o material não é importante, porque é, mas não irá te levar para o pote de ouro além do arco-íris, pelo menos não ele somente. Então, quando a sociedade tenta ser prudente com o amor - não falo de paixão, pois com ela devemos ser prudentes no sentido puro da palavra - ela nem sempre escolhe pela real felicidade, mas por aquela adequada a perpetuação de seus custumes e crenças. E, muitas vezes, perde o universo, o mais importante, a vida em essência e deixa incompleto o sentido da felicidade. Perde o amor, porque o sentimento mais sublime do mundo não fala a língua da sociedade gananciosa, ele fala com as estrelas e segundo Bilac só quem ama pode ouví-las e entendê-las.
Assim, para alguns melosa para outros verdadeira, encerro essa postagem dizendo: Stop and Stare, está ao seu lado, se permita parar e tente enxergar, você pode se surpreender!

Manuella Mirna

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia do amigo


Sabe de uma coisa... Hoje é um dia especial... É aquele dia em que lembramos da amizade exclusivamente!

Lembramos de amigos passados, quase amigos, amigos, bons amigos, melhores amigos... e do quão eles são especiais, claro que em proporções diferentes, mas são, por terem alcançado nossos corações de alguma forma. Alguns chegaram delicadamente nele, sorrateiramente, mas de forma tão intensa que marcaram seu lugar... outros chegaram avassaladores, tão rápidos e verdadeiros que nem nos demos conta de quando eles abriram espaço. Mas todos têm algo em comum: são amigos e nos tocaram de forma única! Alguns já passaram pela nossa história, mas estão imortalizados nas nossas boas memórias e nas mudanças que eles operaram em nós... outros estão longe dos olhos, mas nem por isso são menos especiais, pelo contrário, mesmo a distância marcam intensamente nossa vida... já outros estão aqui pertinho e escrevem nossos capítulos conosco, acompanhando, como fiéis testemunhas da nossa existência. Mas todos eles, cada um a sua maneira, deixaram e deixam nossa história com mais cor. Com eles decobrimos aquele abraço apertado, aquele sorriso que só agente entende, aquela risada exagerada bem fora de hora, aquele apertinho de mão estimulador nas horas tensas, aquele beijo na buchecha que não treme as pernas, mas dá uma sensação tão única e saborosa, aqueles assuntos que não aprendemos na escola, aquela lágrima que não desceu e não foi nossa mamãe quem evitou... com eles dividimos as tristezas e multiplicamos as alegrias, as nossas e as deles... e aprendemos que não devemos ficar tristes em ouvir a verdade, aquela que não queremos ouvir, pois amigos de verdade são os que são verdadeiros conosco e por isso eles são amigos... aprendemos que eles não são perfeitos, que nós também não somos perfeitos e que estamos juntos para tentar ser o melhor que pudermos. Enfim, com eles descobrimos o amor, aquele que não é materno, de pai, de irmão ou do amor da sua vida, aquele, que é só de amigo! Esse amor, como os amores verdadeiros, não exige muito, apenas precisa de você, de mim, do melhor de nós. E claro, ele pede que o deixemos entrar, que abramos espaço para ele, que não nos fechemos no nosso infinito particular, porque, afinal de contas, ninguém é feliz sozinho, precisamos uns dos outros, precisamos ir de mãos dadas, como disse Drummond. Mas sabe, é impossível não perceber a chegada de um ser assim, eles são especiais, e ainda que não alcancemos a supremacia dos sentimentos é difícil não percebê-los e gostar deles. Contudo, para você que acha que nada é eterno e que amizades acabam, direi: É verdade, em algum momento, por alguma razão, na hora certa, vamos tomar rumos diferentes de alguns dos nossos amigos. É assim na vida, algumas coisas não duram para sempre, outras duram, se quisermos. Mas aquelas que não durarem não deixarão de ser especiais porque se foram, esses amigos ficarão, como já disse, nas boas memórias e nas mudanças que imprimiram em nós. Além disso, ouvi certa vez que não é porque uma música acaba que não devemos apreciá-la, muito pelo contrário, entendo que por isso é importante ouvir e ouvir de novo, até a letra e a melodia imprimirem o necessário na nossa alma. É assim com os momentos e com quem amamos, como os amigos. Pois segundo disse Quintana “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis” e outra vez me utilizo de Drummond quando diz que "Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se eterniza, e nenhuma força jamais o resgata". Mas, se a vida não se encarregar de dar as cartas dos novos rumos, você ainda pode descobrir que existem coisas que realmente não precisam acabar e não acabará! E acredite, há coisas que duram para sempre!

Um enorme beijo a todos meus amigos: você moram no meu coração!

Manuella Mirna