segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Verdade Inconveniente, mas necessária

Não estava pensando em postar algo relacionado ao meio ambiente, por ser um tema já muito comentado e não quero me encher de clichês. Mas na faculdade um professor nos passou uma análise crítica sobre o filme "Uma Verdade Inconveniente" e acabei por achar muito importante mostrar para vocês meu rascunho, afinal somos colegas de Planeta não é?! =D Não podemos negar ser um assunto fundamental hoje em dia, por relacionar-se diretamente, e muito, com nossa vida, e nunca é demais informações e histórias que nos façam refletir sobre esse tema para mudar com mais rapidez e consciência certas atitudes tão contra a natureza. Então, que tal pensar mais um pouco sobre o meio ambiente?!
Os 10 anos mais quentes já verificados na história humana foram os últimos 14, sendo o pior ano o de 2005, segundo afirma o autor do livro Uma Verdade Inconveniente, o qual inspirou o filme de mesmo nome. Decerto, esse dado, tal como quis Al Gore em seu livro e filme, nos leva a refletir que algo está errado nos costumes da sociedade e uma solução precisa ser empreendida rapidamente, a fim de sanar esse mal, o Aquecimento Global.
Conforme o autor, o complicado, no entanto, é provar para a humanidade e para a banca de cientistas negadores do Aquecimento que ele, de fato, existe e que há um consenso científico em nós sermos os causadores dele.
No filme, Al Gore mostra diversas fotografias tentando provar os efeitos desse dito fantasma. A Patagônia, por exemplo, há 75 anos era um enorme deserto de gelo, o qual hoje virou um lago azul com vegetação nas margens e apenas os picos das montanhas estão nevados. O Monte Kilimanjaro é outro que há 30 anos estava inteiramente coberto de gelo e uma foto de 2006 mostra a cobertura nevada com apenas 20% da original, que por previsões climáticas, até o final de 2020, desaparecerá.
Além de imagens o filme se utiliza de gráficos, projeções de pesquisas científicas e explicações esclarecedoras. Ensina, assim, que a atmosfera é a que mais sofre com todas as ações praticadas pelo ser humano e, consequentemente, o efeito dessa fragilidade cai sobre a sociedade, a qual nota todos os dias as mudanças climáticas que acarretam grandes desastres naturais.
Mostra, ademais, que o efeito estufa é um mecanismo natural necessário à sobrevivência humana, mas o excesso de gases, na maioria tóxicos, exalados para a atmosfera não conseguem ser filtrados por ela e, assim, superaquecem o Planeta. Por isso, em menos de 50 anos o nível de gás carbônico na atmosfera, gás tóxico mais abundante no ar devido ao seu largo uso nas atividades humanas, subiu mais que o dobro do nível estável que mantinha.
Assim, conforme é explicado no filme, quanto mais calor maiores tempestades ocorrem, o que se constatou com enormes furacões nas últimas décadas, como o Jeanne, o Frances, o Juan e, mais recentemente, o Katrina. Esse teve categoria 1, dentre as 5 que um furacão pode assumir, mas por ter passado por águas quentes, reflexo do aquecimento gradual das águas oceânicas, aumentou sua velocidade e umidade, causando a destruição de parte dos Estados Unidos, como foi visto em 2005.
Nesse ritmo de aquecimento das águas e do ar, as calotas polares tendem a derreter. Fato que já é noticiado nos jornais, como o derretimento das calotas na Antártida. O filme, no entanto, faz previsões ainda piores do que já é percebido. A Groelândia, por exemplo, derreteu só em 2005 mais do que o previsto para aquele ano e para 1992. Assim, se ela quebrar e derreter ou metade dela e metade do oeste da Antártida ou ainda o Ártico quebrar e derreter, o nível das águas oceânicas subirá 6 metros. Dessa forma, a Flórida e a Baía de São Francisco seriam quase completamente inundadas, os arredores de Pequim, Shangai e Calcutá ficariam debaixo d´água e a Holanda desapareceria. Então, Al Gore leva a refletir, se é forte o impacto de centenas de milhares de refugiados, como seria com os aproximadamente 100 milhões de refugiados desses desastres?
Esses fatos, pesquisas e previsões são provas incontestes de que o Aquecimento Global não é um fantasma como pensam alguns cientistas e ignoram algumas pessoas, ele existe e as causas que levam até ele devem ser combatidas. No entanto, como afirmou Al Gore, algo irá realmente ser feito não só quando a humanidade se convencer da veracidade dos fatos, mas também quando entender que ela é a principal causadora dessa realidade.
Para isso, ela deverá entender que os seus hábitos enquanto integrantes de uma sociedade consumista estão errados; que a economia dos materiais de qual faz parte, ou seja, o sistema de extração dos recursos naturais à produção, distribuição e consumo está em crise. Entender, assim, que um sistema linear não pode funcionar muito tempo em um Planeta finito, pois seus recursos não durarão para sempre e de perto esse processo é muito mais complexo do que parece ao creditá-lo funcionando linearmente.
Dessa maneira, esse processo econômico criado pelo homem esbarra nos limites naturais do Planeta. Prova disso, é que 75% dos peixes estão exauridos com a pesca irregular e as toxinas despejadas na água pelas indústrias, 80% das florestas estão desmatadas para plantação de soja, milho, trigo ou para pecuária, a qual é responsável por 18% da poluição do ar. Além disso, apenas nas 3 últimas décadas, 1/3 dos recursos da natureza foram consumidos, carregando a capacidade da Terra. Só os Estados Unidos, com 5% da população mundial, usa o equivalente a 30% dos recursos. Para isso, ele utiliza-se dos de países que não tem a economia tão forte para extrair suas riquezas, esgotando o meio-ambiente deles ao máximo. E ainda coloca indústrias em países que tem mão de obra abundante e barata para acelerar a produção e baratear os custos. Toda essa degradação e poluição do meio ambiente volta, não só para os EUA, como também para o mundo inteiro através das correntes de ar, aquecendo a atmosfera e gerando furacões, ciclones e fortes tempestades.
Assim, nesse sistema abusivo, no qual mais vale fortalecer a economia do país, o consumismo nas pessoas é cada vez mais estimulado pela mídia e até por certos governos. Como no ataque de 11 de setembro, quando Bush orientou às pessoas a fazerem compras para esquecer o ocorrido. Logo, o consumo virou também arma política para alienar a população da realidade. O objetivo maior desse processo é vender produtos descartáveis a preços baixos o mais rápido possível para comprarmos mais depois, enchendo os cofres públicos e privados do dinheiro pelo qual se trabalha horas para obter. No final das contas 99% do consumido pela sociedade vira lixo, esse, por sua vez, na maioria das vezes é incinerado, poluindo o ar com os gases tóxicos dos produtos e os formados na combustão. Ou então, e não melhor, o lixo é jogado em aterros sanitários ou lixões, degradando o solo com o líquido formado por ele e poluindo os lençóis de água subterrânea.
Por conseguinte, o filme Uma Verdade Inconveniente leva à reflexão de uma série de questões importantes acerca da nossa sociedade e dos hábitos necessários de mudança. Decerto, atitudes positivas das Organizações Não Governamentais, como o Greenpeace, e mesmo de certos governos, como da Alemanha e França, lutam para preservar as florestas e o mundo marinho, para conseguir uma produção limpa, estimular o consumo justo, fazer o bloqueio de aterros, lixões e incinerações e isso já é uma demonstração de economia promissora e sustentável. No entanto, muito mais deve ser feito para não desperdiçar os recursos e as pessoas vítimas desse sistema explorador, substituindo-o por um sistema fechado, renovável, no qual a extração, a produção e o consumo tenham um propósito e o cuidado necessário e o lixo não seja simplesmente jogado fora. Dessa forma, sustentabilidade e economia provariam sua possível equidade, com uma química verde, energia renovável e economias locais vivas. Isso não é utópico, sonhar é continuar apostando no velho e falido sistema que nos encontramos, é necessária uma nova ideologia. Assim, provada a existência do Aquecimento e de quem é a responsabilidade dele, é uma questão moral e não política, como disse Al Gore, agir em conjunto para sanar o problema. Pois a crise é global, é a habilidade humana de viver que está em risco, é o futuro que está ameaçado de existir.

Manuella Mirna



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