Faz tempo desde a última vez. Talvez por isso eu não queira mais ver. Não deu certo antes. Talvez por isso eu agora tenha receio. Eu já chorei. Talvez por isso agora eu finja estar tudo bem. Eu prometi que não. Talvez por isso eu não queira admitir.
Mas ouvi dizer por aí que isto é vida. E sem o tempo necessário para cicatrizar todas as coisas passadas e fazer acontecer as presentes não descobriríamos a superação nem a paciência. E sem os medos não aprenderíamos a ser fortes. E sem as promessas tolas não conquistaríamos a coragem necessária para quebrar as amarras do que nossa mente pequena considerava certo. E sem as lágrimas não teríamos a sensibilidade necessária a nossa alma com sede de ternura.
Entendi que o talvez faz parte desta tal sra. vida, pois sem as dúvidas inerentes a ela não saberíamos fazer as melhores escolhas. E a favor dessas escolhas é preciso se abrir, se reconhecer.
Por isso, não vou tapar os olhos do meu coração, não vou mais ter medo, não vou fingir que nada está acontecendo. Eu vou admitir, para mim, para você, na hora certa, ela ainda não chegou. Mas quando chegar eu vou saber, você vai saber, talvez não precisem muitas palavras, talvez eu me surpreenda nisso, acho que vou me surpreender.
Tentando não pensar, porque ainda, só por agora, tenho medo de pensar, não vou também tentar negar, fingir, fugir ou não sentir. Dessa vez vai ser diferente, para mim e para você, não vai haver medo nem promessas. Vai ser apenas Eu e vai ser apenas Você. E quando nem percebermos vai haver um Nós, tão natural e necessário, tão sem cobranças e intenso, que não iremos querer, pelo menos enquanto assim sentirmos, outra coisa senão esse pequeno pronome plural.
Manuella Mirna
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