
"Em busca do desvio do que é normal... mudança de rota representa a sobrevivência do que é essencial..."
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Dias ruins x vidas que saltam

domingo, 4 de setembro de 2011
Em defesa dos animais
Já faz um tempo, que assisti num programa, historinhas de sofrimento e superação de criaturinhas que não falam e se expressam como nós, mas parecem ter sentimentos muitas vezes mais humanos que os de muita gente: os animais.


Além das questões éticas e morais envolvidas no extermínio de animais sadios e inocentes, estamos falando de dinheiro público sendo jogado no lixo sistematicamente. O extermínio de animais sadios é um método ineficaz e oneroso para os cofres públicos, conforme concluiu a Organização Mundial de Saúde (OMS) na década de 80. Em informe de 1992, a OMS declara que "a renovação das populações caninas é muito rápida e a taxa de sobrevivência delas se sobrepõe facilmente à taxa de eliminação (a mais elevada registrada até hoje gira em torno de 15% da população canina)". Em substituição a este método, a OMS recomenda como principal estratégia a vacinação sistemática nas áreas de risco de zoonoses e o controle populacional por meio de captura e esterilização, aliados à educação para a posse responsável de animais.
Como se pode ver, matar está longe de ser a solução. O extermínio de animais serve apenas para esconder o problema e alimenta uma indústria criminosa e corrupta nos bastidores dos canis."
terça-feira, 9 de agosto de 2011
As margens ocultas do rio




Pois é. Enquanto alguns reclamam ter de acordar cedo demais para ir escola, porque moram longe, ou do ônibus lotado e até mesmo do professor ou da escola, outros "acordam" às onze da noite, viajam um rio imprevisível, numa balsa gasta que não é mais potente do que nenhum carro popular, enfrentam chuva ou não, apreensão sempre e sono irreparável para assistir aula de manhãzinha. E é inspirador que, mesmo com tudo contra, eles não desistem, são de exemplo para o professor e motivo de responsabilidade para o piloto, que diz com toda segurança que carrega o futuro! Não digo que as primeiras situações mão sejam chatas, são sim, mas, às vezes, antes de levantar o dedo para reclamar ou abaixar o dedo para desistir da jornada, temos que olhar para mais adiante, para o outro lado da margem, para outras vidas mais difíceis que as nossas que continuam sonhando e lutando... E continuar sonhando e lutando também.
Outros, fazem arte da lama que encontram nas margens:
"Ao nível do mar, na Foz do Amazonas, os conhecimentos dos primeiros habitantes das margens do maior rio do mundo ainda passam de pai para filho. A cerâmica, que teve origem nas tribos marajoaras, hoje é fonte de sustento dos caboclos no local.
A equipe do Globo Repórter vai até o lugar onde os ribeirinhos tiram a matéria-prima das cerâmicas: a argila das margens dos afluentes do Rio Amazonas. “São quatro horas de trabalho, entre a saída, a extração da matéria-prima e o retorno”, conta o artesão Rosemiro Pereira.
Eles são barreiros profissionais e buscam a argila nos igarapés para vender para olarias e ceramistas. A equipe vai até o local onde é feita a extração de argila. Os barreiros retiram uma camada de terra com folhas e tudo e estão em busca do barro mais uniforme, de cor mais clara. Com a pá afiada, eles vão cortando os blocos de barro. Parecem barras gigantes de chocolate. Os artesões exigentes escolhem o barro com cuidado para fazer cerâmica de melhor qualidade.
As voadeiras ficam carregadas com mais de 100 bolas de barro cada uma. Cada bloco vai ser vendido a R$ 1,20. Depois, nos ceramistas, o barro vai virar jarros, vasos, pratos para decoração. A família toda do artesão Rosemiro está no negócio. Mas cada um cuida da sua produção.
A artesã Rosemaria da Silva gosta de pintar e consegue fazer um vaso em apenas um dia. “Perfeito, perfeição mesmo não existe porque é artesanal, então a gente tenta fazer o melhor possível’, revela a artesã.
E o que era sedimento, barro das barrancas do amazonas, vira arte nas mãos dos ribeirinhos."
Os economistas que viram isso devem ter se remexido na cadeira: 4 horas de viagem, numa canoinha pequena e frágil, para buscar uma determinada argila na margem dos igarapés, cavando com toda atenção, voltar com perigo da canoa partir de tanto peso e vendem o bloco por R$ 1,20; ao chegar, mais tempo para preparar o barro, dar forma, pintar... imagina o quão barato eles vendem esses jarros! Vidas simples, empenhadas, fortes e persistentes. Do inacreditável esforço eles fazem arte, para sobreviver. Delicados e firmes gestos que compõem histórias de exemplo para qualquer um que pense em reclamar da distância do trabalho, do trânsito, ou do computador lento.
Não consegui pensar no valor do super homem ou da mulher maravilha, antigos heróis da nossa infância, quando ví essas histórias. Tantos e tantos heróis da vida, do nosso Brasil, da nossa história... ocultos, anônimos, simplórios... mas de coração aberto, mãos dispostas e olhos atentos à vida, aos planos, para não perder o ânimo, o entusiasmo e a fé.
Não há muito mais a ser dito, tem coisas que falam por nós. Só sei que não pude não compartilhar isso aqui, para que essas vidas, essas margens ocultas do rio falassem por mim e, de alguma forma, tocassem nosso coração e impulsionassem mudanças de atitude.
E, como não podia deixar de ser, um apelo aos cuidados com nossa Floresta, com nosso Brasil e, consequentemente, com nosso Povo:
(placa indígena)
Manuella Mirna
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Diminua as distâncias, aproxime as emoções


terça-feira, 26 de julho de 2011
Os Romãnticos
, isso
, ou isso
, ou outras coisas mais.Na verdade, sem querer ser influenciadora, romantismo é uma qualidade que, como qualquer outra coisa, em excesso causa danos terríveis e muitas vezes irremediáveis; que, como a maioria das coisas, na dose certa é capaz de curar doenças e resgatar valores adormecidos, estabelecer laços e estremecer a gente de uma forma única.
Mas ele parece ser mais revelador do que importante. Digo, quando você é romântico com alguém ou por algum motivo, na maioria das vezes seu ato incrivelmente, meigamente ou até loucamente romântico não tem muita importância, mas o motivo que te levou a fazer tão linda ou, em alguns casos, tão absurda ação de amor responde muitas coisas sobre você.
Às vezes diz que você realmente deseja algo e é capaz de tudo para conseguir, mesmo que seja usar os sentimentos de alguém como alavanca, o que não é bom. Às vezes demonstra que alguém é realmente importante para você e ser meigo ou sem noção é apenas uma consequência, esquisita para alguns, do seu sentimento. Uma outra hipótese, a pior delas, é que alguém ser romântico não diz imediatamente que ele/ela ama você ou que saiba que quer você ao lado dele/dela. Romantismo não é sinônimo de amor sincero ou relacionamento perfeito. Mas, uma parece certa, romantismo é uma consequência, a causa é o sentimento. E se ele é verdadeiro não importa quão inacreditável ou discreta seja a consequência desse afeto, ela vai fazer belas impressões digitais na sua vida.
Explicações ou respostas a parte... É que antes se trata de saber cuidar da causa para então entender, ou não, as possíveis consequências. Amor, eis a causa, que a maioria dos humanos não sabe cuidar. Como disse o filme, "somos todos tão sem inspiração. Somos tão cegos às coisas muito pequenas, mas belas. Pequenas coisas belas que fazem a vida valer a pena [...] O jeito como alguém despretenciosamente atravessa a grama, é lindo. O silêncio que se faz depois de uma declaração inesperada e só se pode ouvir garfos e pratos, é mágico. Que tal o som que se faz vindo até aqui. É cascalho, capim, oceano. É verso, verso, refrão. [...] Nós compartilhamos um objetivo: inspirar e ser inspirado. Isso, meus amigos, é imperativo".
E realmente não há mentiras em se dizer que se deixa de lado coisas pequenas e tão belas, compositoras de graça e sentido a muitos momentos, doadoras de respostas a tantos outros momentos especiais e inigualáveis. Sentimentos que existem à disposição no universo e em cada um de nós, como amor e inspiração, conseguem entender essas raridades que não deve se deixar à deriva. Ou ainda outros sentimentos, mas tão essenciais como esses. Só que, infelizmente poucas pessoas estão atentas ou receptivas a raros momentos e pessoas com esses pequenos detalhes, belos detalhes... imperceptíveis à praticidade superficial que as pessoas buscam sem admitir, por ''medo do oceano'', que é misterioso por ser mais profundo que os lagos e rios, mas instigante por encantar de novo a cada sol ou tempestade.
Aviso aos navegantes, não tenham medo do oceano. Naveguem no tempo dele, você com certeza vai ver mais coisas, as quais não admite precisar. Digo isso fazendo uma metáfora com a desse filme que ví: o mocinho tinha desperdiçado anos de convivência ao lado da mulher que realmente amava por ter medo do ''oceano'' que, nas palavras dele, seria ela; e preferiu ''nadar'' em algo mais prático e simples (superficial e alienado?), uma outra mulher, já que toda vez que ele ''nadava no oceano'' era incrível, mas ficava apavorado... talvez porque achasse que precisava desvendar e dominar a imensidão que era aquela mulher. Mas não precisava, nem era isso que ''o oceano'' queria, ele só queria ser navegado, descoberto aos poucos e naturalmente, liberar a cada dia encantos para o mergulhador que tanto amava. Talvez o mocinho tenha sido mesmo covarde e, agora nas palavras da mocinha, "um ato completo de covardia desqualifica uma pessoa de consideração". E depois, medo? Amor não é praga egípcia e romantismo não é doença.

Em vários filmes, livros ou nas conversas nossas de cada dia, há muitas fórmulas de um relacionamento perfeito e estável, entre elas a idealização de se procurar seu oposto com o velho argumento de que "os opostos se atraem". Uma opinião mais polêmica, mas também em grande parte verdadeira é que "Os opostos se atraem e depois eles se aborrecem até a morte", nas palavras da mocinha outra vez. O que, infelizmente ou não, é em muito verdade.
A questão irremediável é que afinidades existem. No começo pode-se fechar os olhos para isso, e alguns até engatam um relacionamento acreditando que água e óleo é uma mistura até aceitável... bem, ficam no mesmo recipiente por quanto tempo se deixar, mas nem chegam a ser uma mistura de fato; se tocam, mas não se diluem um no outro, não mergulham com tranquilidade e naturalidade naquilo que se pode chamar de ''energia familiar'', "sentir-se em casa'' ou sintonia. Depois de um tempo, curto ou longo, e este quase sempre por se fazer vista grossa para tudo, eles entendem que as diferenças não podem ser predominantes e as semelhanças pedem para ser maioria.
Diferenças, além de serem óbvias, são divertidas, necessárias e saudáveis. Por se crescer ao ceder a favor do outro, por conhecer e aceitar coisas novas, com as quais se tinha até preconceito, por entender mais ''o que'' e ''porque'' você gosta do que gosta, por admirar o outro pelas escolhas e também por poder influenciar quando as escolhas não forem das melhores... Diferenças são imprescindíveis, mas se não ocorrem entre pessoas na mesma sintonia fica impossível administrá-las ou achá-las positivas. E então, sintonizados, "em casa", à vontade, a frase "eu entendo" flui naturalmente, dando uma forcinha para os momentos de confusão, discordância e desentendimento de um curto e frio "nada a ver". Além de que, quando há afinidade cada situação é nova magia, nova experiência, decifradas na língua que é entendida pelos navegantes e somadas num cômodo de harmonia. E é entusiasmante, afinal de contas é estimulante compartilhar um mundo o qual é abrigo de pessoas que você ama. E no vai e vem de compassos ritmados, vocês descobrem acordes desconhecidos aos ouvidos até alí, mas muito compreensíveis a partitura de cada um a partir de então.
Encontro sentido nisso quando Anitelli diz que "os opostos se distraem e os dispostos se atraem": aqueles se perdem acomodados que estão no clichê da atração magnética ou aborrecidos com tantos "nada a ver", e estes se encaixam à vontade que estão de negarem, afirmarem ou ficarem em silêncio, sabendo que o cenário é adaptável na clareira, na falta de energia elétrica ou à meia luz. Só não se deixe acomodar no cenário aconchegante, porque mesmo nele coisas novas chegam todos os dias vindo dos bastidores ou da fábrica e nesta hora se permita conhecer e entender, não se deixando cair no extremo do tédio pelo conforto.
No meio de todo esse papo sobre o ser romântico e o se permitir para os sentimentos independentemente da trilha de rosas e bombons, me deparo com a visão de que, tal qual a concepção mais simples do divino como algo de que se tem latente a crença de ser algo superior e necessário, fiel e intacto, todos têm em si a centelha dos mais belos sentimentos e com eles a inspiração de colocá-los em voga, em caixa alta, na direção das pessoas que de alguma forma são especiais, para você ou para o mundo. Ser romântico é ser humano, se a primeira palavra incomoda ela é só uma nomeação cor de rosa para um ato multi-racial, feliz dos que conseguem ativá-lo. Alguns atos são meigos e silenciosos, outros são indiscretos e efusivos ("cheguei!!", mesmo), mas todos escolheram se emocionar e emocionar, inspirar e ser inspirado, entenderam que isso é imperativo.

No fim, do filme The Romantics, deste texto incerto, da minha paciência ou da minha vontade, dessa onda de pensamentos ''vai e vem'', entendo algumas coisas e aceito outras, me desfaço de outras tantas. Mas entro em consenso aqui dentro que o que salta mais, pede mais, é mais imperante, é o afeto que se sinta e que nenhuma covardia, ''incoragem'', timidez, pensamento demorado, indecisão, procissão ou prosa prolongada deve calar a voz que salta em sinfonia de acordes maiores, lá de dentro, daqui, da gente. Os românticos sabem disso, e todos podiam entender que os humanos sentem isso. Os quais, por algum motivo esquisito, se enganam, tropeçam, teimam de forma não explicada (que não quer dizer inexplicável) com o que sabem ser a tal casa aconchegante que andam procurando.
Não é que se deva dar vazão a todos os sentimentos, porque há os maus. Nem é que a qualquer pulo do coração se é apontado o caminho. Quase sempre não é pulo que diz a certeza, é algo mais sutil e mais inspirador que um taquicardia, exige um auto-conhecimento e certo dicernimento por parte do sujeito. Acontece que geralmente se sabe quando algo raro bateu à porta, cantou bem de perto ou tocou à beira da piscina... O raro não é rotineiro, é especial, incomum, um diferente que aguça os sentidos, se intromete nos pensamentos de leve e tem um brilho inesperado no olhar, uma verdade simples no sorriso... Apenas não tenha medo, não desvie os olhos, tape os ouvidos ou se vire para a paisagem mais fácil de entender ao seu redor. Realmente o raro pede algo a mais de você, mas se você é capaz de reconhecer a chegada dele, tenha certeza, você é capaz de encontrar o encaixe entre vocês, não é um impossível quebra-cabeça, vai ser mais espontâneo que imagina. Porque "o amor é como o oceano: vasto, aparentemente sem fim. Algumas vezes tortuoso... tranquilo em outras. Assustador por todas as suas profundezas não exploradas, mas uma fonte constante de maravilhas e admiração".

Manuella Mirna
"A fantasia é véu que não encobre
Tanto como se diz [...]
A música se foi – durmo ou estou desperto?" J. Keats
quarta-feira, 20 de julho de 2011
"Procura-se um Amigo"

| "Procura-se um Amigo Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive." (autor desconhecido) |
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Bons ventos sempre chegam
terça-feira, 28 de junho de 2011
Cidade de ironias
Há visões que não nos deixa fechar os olhos.



sexta-feira, 3 de junho de 2011
Devaneios permitidos
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O peso de um "e se..." - abra suas janelas

Tua face, Minha face... na face do Mundo
Como um dia comum.