Já faz um tempo, que assisti num programa, historinhas de sofrimento e superação de criaturinhas que não falam e se expressam como nós, mas parecem ter sentimentos muitas vezes mais humanos que os de muita gente: os animais.
O programa tratava da defesa aos animais, dando exemplos de pessoas que são tocadas pela lealdade e relativa passividade dos animais e os protegem dos maus tratos. Brasileiros que
"protegem cavalos do chicote e do excesso de carga. Acolhem em suas próprias casas cachorros e gatos abandonados. Constroem abrigos para aves, macacos e outros mamíferos expulsos das florestas por traficantes e pelo desmatamento. [...] E (eles) já conseguiram mudar hábitos antigos, vencer tradições de mais de duzentos anos e até abrir todas as gaiolas de uma cidade, só para devolver às ruas e praças o canto do pássaros que viviam presos." Globo Repórter
*Os vídeos do programa estão protegidos, mas aí está um link -
http://www.youtube.com/watch?v=qpmcewUeS8s -, este mostra pessoas de uma ONG que na alta madrugada vão caçar animais de rua para socorrer os adoentados, feridos e famintos e castrá-los, para diminuir a prole de animais que passariam pelas mesmas más condições da rua e dos maus tratos aleatórios dos passantes impiedosos.
Vendo o quanto eles só precisam de cuidado e atenção, é revoltante pensar que tantas pessoas maltratam todo tipo de animais, muitas vezes por pura maldade, mal hábito ou insensibilidade. Penoso pensar que tantos animais são abandonados e criados pelas ruas e adversidades, sendo vítimas de fome e doenças. Revoltante saber da existência das carrocinhas¹ e pensar nos animais muito maltratados, mesmo sendo domésticos.
É por "negligência, imperícia e imprudência", nas palavras do Ministério Público, que acontecem casos como o incêndio que destruiu parte do acervo de répteis do Instituto Butantã no ano passado. Quando aí, os próprios funcionários, cinco denunciados pela MP, foram os responsáveis pelo ocorrido. Entre outros casos de tráfico de animais silvestres, criação de animais em cativeiro particular com interesses mesquinhos, ONGs que se passam por defensora dos animais e se apropriam das doações às "necessidades" dos participantes e não fazem o que dizem ter por ideal. Sem contar os casos ocultos de maus tratos domésticos, nos zoológicos e mesmo em "esportes" como a vaquejada, que muitos adoram assistir e por muitos atributos é uma festa ótima, mas nas quais é difícil alguém pensar ou fazer algo pelos animais que ali sofrem, pois tradição ou cultura não podem justificar imprudência com vidas. Casos, e mais casos que só ilustram e refletem a mesquinhes, insensibilidade e primitividade da raça humana. Nunca generalizando, mas direcionando às criaturas inumanas que abusam dessas vidas.
*E em vez de mostrar vídeos mostrando essas situações tristes que só fazem as pessoas quererem fechar a tela e, muitas vezes, fazem alimentar a desesperança na raça humana, coloco aí o link de mais um vídeo de defensores do ideal de cuidar dessas vidas -
http://www.youtube.com/watch?v=x69t1y0qE_Q. No caso são duas mulheres que por conta própria decidiram mudar a realidade de maus tratos a cavalos de carroceiros em sua cidade. E, de fato, mudaram, agindo com as próprias mãos, tirando das mãos dos carroceiros o chicote, trocando-o pela sensibilidade e tentando colocar nas suas cabeças mais consciência.

Mas, infelizmente, o que se vê é que são poucas as pessoas a se preocuparem com essas vidas, e muitos os que pensam que isso não lhes diz respeito. Já ouvi alguns que dizem "são só animais, temos que cuidar das nossas crianças abandonadas". Paradoxo pensamento. Creio que nenhuma das pessoas que cuidam dos animais ou trabalham a favor deles dizem para descuidar das crianças ou de qualquer outro problema do país. Por que parece tão difícil tentar uma harmonia geral do ser humano com o mundo? Por que a maioria das pessoas só conseguem se engajar em uma ou duas coisas boas e necessárias?
O orçamento do Estado deve ser administrado para cuidar de todas as necessidades da Nação, e a atenção dos seres humanos deve ser também administrada para tratar dos "perrengues" que surgirem. E assim vamos nós todos, um pouco de cada vez, como um conta gotas, em "atitudes homeopáticas para trazer a paz e a harmonia para este universo".

Ao escrever sobre este tema, ainda uma vez, não quis fechar a janela para não ver os outros tipos de mal tratos que nossa humanidade apresenta, como a mulheres em certos países, moradores de rua, menores "trabalhadores", loucos em sanatórios, idosos em asilos e nas próprias casas... entre outros tipos de desumanidades em relação a raças, credos e sexualidade. Todos frutos do preconceito, da ignorância, do egoísmo, do fanatismo, da razão própria desmedida que cada homem atribui a si em detrimento de outras mentes. Mas, sem desmerecer nenhuma das outras chagas que precisam de atenção, hoje foi para os animais. Se entrasse aqui em todas essas questões, não caberia no texto e, na minha humildade de aprendiz, não sei se conseguiria.
*Aí vai um site que trabalha com adoções, esclarecimentos, campanhas, doações e tudo o mais que possa ajudar o mundo animal de alguma forma:
http://www.pea.org.br/
Espero que o coração de cada leitor ou de a quem quer que chegue este texto, tenha sido tocado por uma parte das vidas que nosso Planeta abriga, tocado pela noção de responsabilidade e harmonia universal, porque cada pequena ação irradia seu foco, estimulando outras várias ações e mudando realidades.
Manuella Mirna
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¹ "Carrocinha é o nome popular dado aos veículos que os Canis Municipais ou os Centros de Controle de Zoonoses usam para capturar animais errantes. As instalações da grande maioria desses canis públicos são precárias e esse fato, por si, já configura maus tratos aos animais apreendidos. O cambão (instrumento usado para laçar os animais), quando usado por pessoal sem preparo - o que representa a grande maioria dos casos - pode deslocar o maxilar, quebrar dentes ou mesmo causar danos na coluna, fraturas nas patas e até mesmo a morte do animal. Os CCZs também fazem o encaminhamento de animais para laboratórios e faculdades de ciências biológicas, contrariando completamente a legislação brasileira, onde servem como cobaias em experimentos, testes de drogas ou aulas. Estes animais terminam por ter uma morte lenta e dolorosa.
Os Centros de Controle de Zoonose, em várias cidades do Brasil, ainda praticam o extermínio sistemático e indiscriminado de cães e gatos sadios sob o pretexto da prevenção de transmissão de doenças de animais para os seres humanos. Muitas vezes, adotam métodos dolorosos e não humanitários, como tiro de pistola; eletrocussão; câmara de gás e/ou de descompressão rápida; pauladas; enforcamento e injeções letais. Vale salientar que, nos casos das injeções letais, é necessário aplicar um pré-anestésico no animal, o que muitas vezes não é feito porque as autoridades municipais consideram essa medida dispendiosa.Além das questões éticas e morais envolvidas no extermínio de animais sadios e inocentes, estamos falando de dinheiro público sendo jogado no lixo sistematicamente. O extermínio de animais sadios é um método ineficaz e oneroso para os cofres públicos, conforme concluiu a Organização Mundial de Saúde (OMS) na década de 80. Em informe de 1992, a OMS declara que "a renovação das populações caninas é muito rápida e a taxa de sobrevivência delas se sobrepõe facilmente à taxa de eliminação (a mais elevada registrada até hoje gira em torno de 15% da população canina)". Em substituição a este método, a OMS recomenda como principal estratégia a vacinação sistemática nas áreas de risco de zoonoses e o controle populacional por meio de captura e esterilização, aliados à educação para a posse responsável de animais.
Como se pode ver, matar está longe de ser a solução. O extermínio de animais serve apenas para esconder o problema e alimenta uma indústria criminosa e corrupta nos bastidores dos canis."
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