quinta-feira, 22 de março de 2012

O dia de quem é "Up"

Pela primeira vez, o dia mundial da síndrome de down está sendo celebrado nas Nações Unidas!!

É sim!
Talvez isso não seja grande coisa para a maioria de nós, talvez... Mas é uma enorme conquista para a sociedade e para os "ups" que, como todos, desejam e lutam pelo sua respeitada e merecida parte na ordem das coisas.

As conquistas nossas de cada dia são difíceis e nos fazem vacilar, cansar, chorar algumas vezes... é sim, não é fácil. Mas não é impossível. E temos grandes exemplos disso ao nosso redor, como, por exemplo, os ditos deficientes de síndrome de down.

Aliás, acho realmente detestável esse nome. Acredito que ninguém goste de ser identificado pelo sobrenome de um médico que descobriu os efeitos de um cromossomo extra no corpo humano... "deficiente, com distúrbio, portador de síndrome', são nomes muitos grandes, feios e complicados para seres humanos incríveis e capazes, até mesmo com uma capacidade de amar, muitas vezes, maior que a da maioria.

Mas enfim, hoje foi um dia de vitória: de alguma forma, por mínima que seja, mostra-se que as diferenças, os preconceitos e as segregações estão diminuindo e ganhando força para reflexões sérias, públicas, oficiais e mundiais.

O mercado está mais aberto para essas diferenças, o ensino está mas pronto e receptivo, as pessoas estão mais instruídas... mudanças lentas, feitas principalmente por se estar vencendo a ignorância, mas são mudanças, e boas.

O fato de haver um dia mundial em favor de algo, para alguns, pode denotar que esse algo não é visto por todos com bons olhos, precisando-se criar um dia de consciência. Mas, independente dessa visão, constata-se os fatos e tenho certeza que muitos "ups" sorriram mais hoje e se sentiram mais fortes.
Afinal de contas, não é tão importante o fato de ser necessário um dia oficial para se discutir certos aspectos sociais, mas importa muito mais que exista hoje tal preocupação e motivação para empreender transformações.

"Impossível é uma palavra grande inventada por uma porção de gente pequena" Ch. Brown Jr.

Manuella Mirna

segunda-feira, 5 de março de 2012

Contando letras, escrevendo números

Se há algo considerado irreconciliável são as letras e os números.
Eu mesma sempre acreditei nisso...
Hoje, certas teimosias me mostraram como ter um pouco mais de carinho e atenção. Vi nas letras e nos números um verdadeiro caso de amor, um metafórico caso de amor...
A matemática tem quatro operações básicas, que se relacionam de tal forma entre si e com todo o grande conjunto dos problemas matemáticos, que não conseguimos fazer uma sem a outra... não somamos sem diminuir algo, não dividimos sem multiplicar, não diminuímos sem dividir... e assim se vai também pelas linhas da vida...

Em se falando de letras, tomo aqui a poesia. Ela também contém operações básicas de abertura, mas, diferente da matemática, não há uma resposta exata, mas a infinita possibilidade de extensão delas. Bem, essas operações podem até se apresentarem isoladamente, mas só são realmente válidas quando unidas a outras mais. E é na união de todas elas, na tensão de todas elas, que achamos as letras ocultas que encantam sem cessar.

Então, imaginem um espaço, de letras e números, em que tais operações estivessem sendo feitas, em perfeita ebulição, com conflitos entre si... até que o auge de percepção de suas existências no espaço é dada pela tensão que passa a ocorrer entre os dois polos.

Na poesia, dizemos que por trás de uma tensão está uma bela harmonia poética, só mais difícil de ser encontrada e compreendida... A tensão contém uma chave... sabendo abri-la, o resultado é surpreendente e eternamente alimentável em si mesmo.

Essa tensão, numérica ou poética ou de qualquer outro tipo de especialidade, a partir de um certo nível, só é compreendida para quem está apto a decifrá-la... Quem sabe fazer isso se mostra pronto para ir do PF (prato-feito) ao banquete na ponta da mesa. E mais importante, ele sabe quando encontrou o banquete, mesmo com tantas nuances e mistificações de outros pratos... Ele sabe pegar a chave e pode abrir a tensão.


Os números e as letras só são entendidas assim por poucos, raros, e mal vista por muitos.
Nisso existem mil metáforas para o sentimento: as muitas características que compões alguém, tal como as operações, ajudam a conhcê-la, te tal forma que com os jeitos, olhares e nuances dela, e somente dela, é que se pode ir decifrando-a, aos poucos, mas continuadamente.
E então, entre duas pessoas, diferentes, confrontantes, tal como as letras e os números, se descobrem pontos únicos e mágicos, aparentemente irreconciliáveis, mas perfeitamente encaixáveis. Até que se percebe que as pequenas divergências alimentam o interesse, para não se deixar perder tal relação rara. E as convergências, que se acreditava não existir, mas são muitas, provam a afinidade um do outro, impedindo a fuga quando a tensão se fizer presente. No no fim, só sobra a inevitável união...

Então, fugir da tensão inevitável entre qualquer bela diferença é perder o espetáculo que se segue, sempre pronto a abrir-se em mil significados.
Letras e números: você calculando minhas linhas, eu escrevendo teus cálculos: Nós, inventando nossa forma de amar.

Manuella Mirna

domingo, 4 de março de 2012

Verde e vermelho...

No corre-corre do dia a dia, nós engolimos muita coisa sem mastigar, e rejeitamos muito também sem provar. Deixamos descer goela à baixo o conhecido e aparentemente melhor, expurgando o desconhecido ou intrigavelmente incomum.

Em palavras curtas, somos bobos e medrosos.

Quantos acordes de escalas diversas perdemos de desfrutar por escolher aquele testado mil vezes, ou que te testou tanto que você não quis mais arriscar.

Céus, penso o que teria sido da música se todos tivessem sido convencionais e pouco confiantes. Se não tivessem dado chance à vida se de expressar através dos seus sentidos. O que teria sido de nós se mais ninguém coordenasse nossos sentidos, que não o cômodo e o passivo.

Sabe, só se sabe que o verde é verde porque se tem o vermelho. Assim é com o Sol menor e o Lá maior da escala de Dó. Assim é na vida. Só se existe em função da diferença, das incongruências tão perfeitamente traçadas. Eu não seria eu se não existisse você. E o que me representa não me serviria se não tivessem as suas coisas. E assim é também para você.


Eu quero continuar sendo eu, e me diferenciando de você. Eu quero que exista verde e vermelho, Sol menor e Lá maior, e todas as cores e acordes mais que forem necessários.
Eu quero que exista algo mais do que o que conheço, vivencio, confio. Quero que exista mais do que o chão que piso, a cor que colore meu quarto e a música que tanto ouço. Quero mais que o meu e o seu, e também quero os dois, o meu e o seu:


A aventura da vida é querer sair do arroz e feijão... Por mais gostosos que sejam, é bom também um baião de dois.
Eu quero saborear o mundo. Meu mundo, e mais isso ou aquilo.
E conhecer para sentir mais. Do mesmo e do novo.
Sentir mais e conhecer de novo. Do mesmo e do novo.
Saber do mesmo e do novo, e saber escolher o que me apetece.

E o certo é que não sei o que virá.
Só posso te pedir que nunca se leve tão à sério. Mas também não se deixe levar.
É, porque a vida é parte do mistério; decerto ela pede para ser desvendada todos os dias... Mas não é bom viver só de mistério, como não é de arroz e feijão somente.

Lembre-se de você e de mim, e do comum e do intrigável, conheça, sinta, desvende... Mas faça as suas escolhas.
Sair da redoma segura dos seus mandamentos e sentimentos contidos não quer dizer se perder na imensidão do universo, quer dizer achar a medida certa para você, a escala que você mais gosta, a cor que mais te deslumbra. Quer dizer ver melhor a mim e a você.

Manuella Mirna

sábado, 3 de março de 2012

50%

Outra vez, um filme.
É, como se diz por aí, a vida imita o filme ou o filme imita a vida... Bem, dos dois jeitos me parece interessante. Mas neste caso, se a vida imitar, em parte, o filme, seremos bem melhores que agora.

Para quem não sabe, 50/50 é um filme que conta a história de um jovem de 27 anos que, em um momento um tanto sem graça de sua vida, é "agitado" por uma novidade, um câncer raro do qual ele tem 50% de chance de curar-se, ou seja, 50% de chance de morrer.
Bem, sendo bem objetiva, ele teria todos os motivos para desesperar-se... Mas sabe, por alguma razão, ele se manteve firme... Só teve uma crise, na madrugada anterior à cirurgia que definiria sua vida, já que a quimio não tinha surtido efeito.

Não irei contar a história dele aqui, nem pretendo ser crítica de cinema, apenas digo que - talvez eu perca um pouco pela comparação generalista - como toda coisa boooa da vida, nem tempo se gasta para assistir.

* Em coisas boas, a gente investe tempo. E com as coisas - por favor, estenda essa palavra - impagáveis e insubstituíveis, a gente tem o privilégio de não contar o tempo... *

Mas então, pela mesma razão já aqui irreconhecida, ele consegue ir retomando a rédea e o sentido de sua vida no meio do caos que vivenciava com seu câncer...
Ao fim, o jovem sai vivo e bem da cirurgia.
Depois de transcorrido alguns dias da recuperação, uma pessoa chave na sua vida, durante a doença e daquele dia em diante, faz a seguinte pergunta final do filme: "E agora?"

E como não podia deixar de ser, jogo no ar: E agora?
O que vem depois?
...
O que veio antes?
...
Importa?
...
O que fazer?
Parar, repensar?
Será que se foge disso?
Ou não?
...
E aí?
Como viver de hoje em diante?

Não quero responder a isso tudo, não me reservo tanta audácia...
Talvez poderia me atrever dar unas dicas atemporais:

- não parar necessariamente, mas repensar.

- não ser impiedoso, mas queimar tudo que atravanca o seu caminho, os seus sentimentos e você enquanto realidade e projetos.

(não repita isto em casa, ok?! O "queime" é metafórico!)

- não fazer alarde sobre, mas fazer de uma vez por todas aquilo que você quer e sabe que deve tentar.

- não vai ser fácil, mas sorria.


Principalmente quando nada parece fazer sentido, quando você estiver cansado de insistir, quando não estiver encontrando as respostas... Sorria. Vai ser gostoso. Isso vai te ajudar a cumprir um importante passo:

- cruzar o rio! Mudar de fase, derrotar algum temido chefão. Passar de uma margem a outra e perceber que também há felicidade do outro lado do rio para você.

Ah, já ia esquecendo, enquanto à razão irreconhecida pela qual ele sempre viveu e vivenciou seu câncer... acredito que cada um a nomeou segundo o sentido que faz para si... eu a chamo Sonho.

E lembrando, sem fugir do clichê, que cabe a nós as escolhas sobre nossa vida.

E agora?

Manuella Mirna

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sunrise


... E como é bom saber que o Sol vai nascer de novo... amanhã... outra vez.



M. Mirna

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Precisa-se de Heróis

Definitivamente, precisa-se de heróis. Nós precisamos.
Já tivemos de todos os tipos, épocas, credos e nacionalidades: Jesus Cristo, Buda, Gandhi, Mater Luter King, Mandela, Abraham Lincoln, Pelé, Ayrton Senna, Lula... Cada um desses marcou a humanidade de alguma forma. Em proporções diferentes, claro, mas deixaram suas mensagens e sua assinatura na mente coletiva.

Infelizmente, de uns anos para cá, tenho ouvido que o mundo precisa de mais heróis, que esta atual juventude é acomodada e passiva, que ninguém acredita em ninguém, e outras coisas mais que parecem ter ajudado a enviar os heróis para o mundo perdido de Atlântida.
É, ouve-se muito por aí...
Mas, talvez, as coisas não estejam tão remotas assim, talvez o herói não seja só um mito romântico das mentes de humanos ingênuos... talvez eles só precisem ser observados pelos nossos olhares desatentos, gulosos e individualistas do dia a dia.

Bem, trago um exemplo discreto pra vocês. Vi no jornal uma história:

Dia 30 de dezembro de 2012 estava chovendo muito em Minas Gerais... Em BH as ruas alagaram-se e houve várias enxurradas... Numa delas, Dona Cláudia perdia as forças para segurar o carro e não deixar a água levar ela e seu neto pequeno, e surdo, que não conseguia entender muito bem o que se passava.
Daí o pedreiro, Charles Pereira da Silva, avistou a aflição e foi socorrer os dois.
“Tinha uma mulher dentro de um carro, depois que eu tirei o rapaz de dentro do primeiro. Ela levantou a criança, eu vi a criança, e aí não teve jeito de não ir. Eu pensei nos chiquinhos que eu tenho em casa. Chiquinhos são meus sobrinhos”, disse Silva, que tem 13 sobrinhos.
Dia 2 de janeiro de 2012 eles se reencontraram, para agradecerem depois do sufoco...
“Se não fosse pelo Charles eu poderia estar morta. Eu estava perdendo a força. Tinha que segurar o volante com uma mão e sinalizar para o meu neto, que não escuta, o que estava acontecendo”, disse Cláudia. O pedreiro ainda resgatou outra pessoa no mesmo local, na Avenida Bernardo Vasconcelos, Região Nordeste da capital.
Charles Pereira da Silva disse que ganhou um presente antecipado. “Estou feliz só de ver eles vivos e bem. Faço aniversário este mês e esse é o meu presente. Com certeza, ganhei novos amigos”.



É, parece que a lenda não está tão longe. Simbolicamente, 2011 ia terminando num sufoco para Cláudia e seu sobrinho, mas, por ainda existir flores no asfalto, como diria Drummond, 2012 começou sorrindo... E aí não só para eles, mas para todos nós. Como uma flor de esperança plantada no coração.

Acreditar. É isso que não se pode deixar.
Deixar de ser o figurante passivo. É isso que se precisa tentar.
Ser herói(na). É essa a meta de hoje, para amanhã, e todos os dias.

Manuella Mirna

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Aparência

"Aparência é a corporificação expressiva e temporária de uma personagem existente, na personalidade que não existe" (Dr. Marco)


É. Aparência é o que não é!
É uma coisa esquisita. Aparência reúne sentimentos e ações que a maioria das pessoas repudiam, outras correm atrás... Vai entender né?!
Mas, no que eu acho que todos concordamos é que quando somos aparência ou agimos com ela não somos a parte mais importante de nós mesmos. É, porque eu acho que todos concordamos que a parte mais importante, embora seja também importante, não é a aparência.

... Esses dias, tive situações desagradáveis em que vivenciei a aparência. E foi quando notei que essa palavra diz mais do que ela parece dizer. Ela pode dizer demonstrar o que não se sente ou sentir e não se demonstrar! Essa última me parece mais difícil.


Fomos condicionados durante a vida a não mostrar o que sentimos ou quem somos, pelo menos não na íntegra. Pois, agindo com reservas estaríamos nos guardando do indesejado sofrimento de não sermos aceitos, vistos ou correspondidos.
Assim, as pessoas aprenderam a não dizer quando sentem afeto ou mostrar bem menos do que realmente sentem. Aprenderam a ser políticas e polidas... Em geral, aprenderam a ser superficiais. Nada de muito profundo, nada de muito íntimo, nada de muito EU ou VOCÊ. Aprenderam que sofrer é para os fracos e que os espertos não se envolvem. Aprenderam a fazer relações à base de vidro e parafina. Frágil combinação, como medo e egoísmo.


Esses "ensinamentos" fazem parte das dicas de vida diárias de milhões de pessoas. Talvez seja por isso que estamos na ditadura da beleza e não da verdade. Talvez seja por isso que os relacionamentos estão cada dia mais relâmpagos ou durando com o comodismo. Talvez seja por isso que a publicidade tem faturado bilhões vendendo mulheres perfeitas, produtos mágicos, psicólogos movidos à bateria, solidão à banda larga e sexo à primeira vista, e só vista mesmo. Talvez seja por isso que os psicoterapeutas estão tratando cada vez mais de pessoas que apenas precisam conversar e dividir suas verdades. Talvez seja por isso que a verdade dói, a sinceridade assusta e os sentimentos foram trancafiados numa caixa por medo que seus donos têm do sol.
Como Caetano diz, "Narciso acha feio o que não é espelho" e o ser humano teme o que não lhe é recorrente.

Tudo bem, tudo bem, eu sei... Ninguém quer se expor, ninguém quer sofrer e ser o melhor que possa para depois ser passado para trás na primeira oportunidade. Mas só acho que devia ser incluído nas dicas de vida diárias que os melhores momentos, oportunidades e pessoas são vivenciados com alguns riscos, e alguma coragem e ousadia... Além disso, acho que todos preferimos vivenciar verdadeiras emoções do que não vivenciar ou, pior, ter emoções inventadas. Até onde pude checar o ser humano tem alma, e não uma máscara de tragédia/comédia grega no lugar dela ou um vidro preto e oco no lugar do coração.


Então o lema é: seja verdadeiro. Medo? Tenso? Bem, me ensinaram a perceber esses dias que há outras formas de entender ser verdadeiro. Como tenho dito, a maioria pensa que é sinônimo de ser um "otário". Mas depende de quem você seja e no que acredite. O que quero dizer é que, quando você tem certeza de pelo menos alguma parte de você - já que o processo do auto-conhecimento requer uma vida inteira - e de pelo menos algumas coisas em que acredita, você até teme, como todos, mas age com coragem em ser você mesmo. Pois nada nem ninguém vai pôr a perder essa joia verdadeira que você tem. Por mais mesquinhas ou imaturas que sejam as pessoas que pisem na sua verdade, ela não será diminuída ou apagada. Porque, afinal de contas, ela é você. E você não é uma folha de papel manteiga que possa ser facilmente esmagada e jogada fora.

Conclusão: não tema sentir e demonstrar o que sente, e não demonstre o que não sente.
Por que? Porque nós temos o direito de vivenciar as coisas boas que somos e desejamos. Porque ninguém consegue mentir pra se mesmo e ser feliz. Porque nada pode abalar a melhor parte de nós. Porque, não é só direito, temos o dever de vivenciar a vida com toda a mágica que ela possui, aparte de toda adversidade. Porque se o que todos buscamos é a tal da felicidade, não dá para ser feliz sendo e sentindo pela metade, ou uma metade que nem sequer existe.

Como a gente conversou no começo, a aparência sufoca a parte mais importante de nós: a essência. Não se trata de soltar a fera que há em nós, não, pois no texto anterior a gente fez um pacto de melhora em 2012... ;D Estou falando daquela parte que até nós mesmos nos surpreendemos quando pomos em prática, a bela e corajosa parte de Ser, você...

Então, faça um favor pra você:

(mantenha a calma e siga em frente)

Manuella Mirna

2012?

Ano novo é?!

Bem depois de tanto tempo desaparecida, eu me achei e aqui estou de novo... =D Então, antes de tudo: oiiii, pessoas! Feliz mais um ano pra todo mundo!!!

Hoje, para este momento de novo ano e tal... eu não tenho muito a dizer, preferi não dizer nada, mesmo no facebook... Eu optei uma coisa: ação.
Percebi que todos já sabem de tudo, as mensagens estão lindas e completas, as fórmulas estão decoradas, as metas escritas, os olhos direcionados e o povo todo está animado. Graças \o/ Estou feliz demais com isso!
E só desejo uma coisa para nós todos: que nossos braços também estejam a postos.
Isso quer dizer, que estejamos dispostos ao trabalho, superando a mensagem, saindo do papel, vendo a paisagem em movimento e as lindas fotos refletindo como estamos por dentro.
Eu não quero escrever mais um texto com mais fórmulas e frases... Em vez disso, proponho um trato. Todos juntos: Eu prometo para mim mesmo que serei este ano melhor do que fui ano passado e começo agora. Pronto! Já foi dada a largada. Agora prove a cada parte de si mesmo(a) que você é o(a) cara!


Mafalda sabe das coisas, hein?!
Então o negócio é o seguinte: independente do número que agora esteja depois do zero no nosso calendário anual, o que interessa é que NÓS devemos ser NOVOS, todos os dias. E a virada é a data em que, por motivos ocultos mas compartilhados por todos, temos a necessidade de desejar tudo novo. Mas de nada adianta mudar o cenário se os atores esquecerem as falas ou atuarem mal, a peça não irá ser mais bonita por causa do cenário. Lembremos disso, ok?!
Enfim, queira olhar no espelho e ver uma pessoa nova, com a mesma incrível e especial essência que só você tem, mas alguém melhor (mais maduro, humano, sensível, compreensivo, paciente, determinado, alegre, forte, corajoso...).
Não esqueçamos: "Grandes planos exigem grandes atos!" (G.Behrendt)

E FELIZ TUDO NOVO PRA TODOS!

Dica do dia: Comece colocando entusiasmo em tudo! Entusiasmo é uma palavra de origem grega que significa com espírito divino dentro de si. Sim. Por que não? Fiquei sabendo por aí que cada um tem uma mágica interna e, para mim, tudo que é mágico é divino de alguma forma. Então, coloquemos nossa "mágica divina" em cada coisa que fazemos! Difícil? Difícil é ver a vida passar diante de nós sem que se possa fazer nada. Mas nós podemos. ;)

Manuella Mirna

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dias ruins x vidas que saltam

O dia começa com uma enchaqueca que não passa desde a tarde do dia anterior. Hora marcada. Vontade zero. Ônibus lotado. A dor persiste. Você está atrasada. Trânsito. Você chega ao seu destino. Ouve o que não quer ouvir. Estresse. Descompasso. Movimento. Água desce dos olhos.

- Descrição típica de dias não tão bons. Mas que todos, uma vez ou outra, tem que passar. Coisas da Vida. Ela sabe o que faz.

Você crê. A água pára. Você se acalma. A hora se ajusta. Você vai para outro lugar. Não se atrasa. Você persiste. A vida nunca desiste de você. Você sorri. O dia se ajeita. As horas passam. Chegam notícias não tão boas. Você está melhor. Você controla a situação. Você crê. Você persiste. Tudo vai ficar bem...

- Descrição de quando você retoma o controle de si, a fé, a coragem, a ousadia, a força, a tenacidade. Descrição de dias na vida, em que você decide não deixar de acreditar nela e ela mostra que nunca desacreditou de você.


Aliás, mais uma vez me dou conta disso, quando achamos que as coisas vão mal, até devem estar mesmo, mas nunca as piores. O teu mal é pequeno para outros males de outras pessoas. Por outro lado, o teu bem rotineiro é, muitas vezes, o bem que outras pessoas tanto precisam.

E no fim do dia, quando você se esforçou o dia todo para não desanimar com seus males, para ver os teus valiosos e impagáveis bens, a vida te traz de bandeja mais motivos para acreditar nela: um homem deficiente, quase não anda, pernas e mãos tortas... Podia ter coragem torta, dignidade torta... Mas não são coisas comparáveis. Problemas no corpo não determinam problemas na alma. Mas dificuldades que se passe, quando bem administradas, são argamassa para uma personalidade fortalecida. Patente. O homenzinho me mostrou isso, sua dignidade, sua humildade, sua resignação, banho de coragem. Outro homem, andar feito de aço, mochila e farda do governo, cabelo cinza. Ia estudar, à noite, com seu andar condicionado por esse quadrado de aço. O quadrado lhe dá o suporte que precisa para ir aonde deseja, mas sua determinação e capacidade de acreditar é que o movem para ir além.

E o dia anuncia terminar. Véspera de feriado. A enchaqueca passou. As costas agora reclamam do peso da mochila. Mas a água não voltará aos olhos. Ônibus demora até demais. Parada cheia. Pessoas. Desejos diferentes, mundos diferentes. Cidade toda engarrafada. Amanhã mais um dia. Novo brilho de sol, nova luz da lua. E nessa épica parada lotada de uma rua movimentada, uma visão de quadro anuncia que a vida sorri para todos nós. A 3 metros de altura as árvores de um lado e d'outro na rua se juntam. As folhas esculpidas estrategicamente abrem um espaço acima delas. Nele, lá, a lua. É crescente. Crescente como a fonte dos desejos de cada um, como fim de novela anunciando que agora quem faz a história somos nós, como quem espreita lá do alto nossas vidas intrigavelmente apaixonantes.

Lição do dia: paixão pela vida. E o resto? Você continua.

Manuella Mirna

"Canta Maria
A melodia singela
Canta que a vida é um dia
Que a vida é bela, minha Maria"

domingo, 4 de setembro de 2011

Em defesa dos animais


Já faz um tempo, que assisti num programa, historinhas de sofrimento e superação de criaturinhas que não falam e se expressam como nós, mas parecem ter sentimentos muitas vezes mais humanos que os de muita gente: os animais.
O programa tratava da defesa aos animais, dando exemplos de pessoas que são tocadas pela lealdade e relativa passividade dos animais e os protegem dos maus tratos. Brasileiros que "protegem cavalos do chicote e do excesso de carga. Acolhem em suas próprias casas cachorros e gatos abandonados. Constroem abrigos para aves, macacos e outros mamíferos expulsos das florestas por traficantes e pelo desmatamento. [...] E (eles) já conseguiram mudar hábitos antigos, vencer tradições de mais de duzentos anos e até abrir todas as gaiolas de uma cidade, só para devolver às ruas e praças o canto do pássaros que viviam presos." Globo Repórter

*Os vídeos do programa estão protegidos, mas aí está um link - http://www.youtube.com/watch?v=qpmcewUeS8s -, este mostra pessoas de uma ONG que na alta madrugada vão caçar animais de rua para socorrer os adoentados, feridos e famintos e castrá-los, para diminuir a prole de animais que passariam pelas mesmas más condições da rua e dos maus tratos aleatórios dos passantes impiedosos.

Vendo o quanto eles só precisam de cuidado e atenção, é revoltante pensar que tantas pessoas maltratam todo tipo de animais, muitas vezes por pura maldade, mal hábito ou insensibilidade. Penoso pensar que tantos animais são abandonados e criados pelas ruas e adversidades, sendo vítimas de fome e doenças. Revoltante saber da existência das carrocinhas¹ e pensar nos animais muito maltratados, mesmo sendo domésticos.
É por "negligência, imperícia e imprudência", nas palavras do Ministério Público, que acontecem casos como o incêndio que destruiu parte do acervo de répteis do Instituto Butantã no ano passado. Quando aí, os próprios funcionários, cinco denunciados pela MP, foram os responsáveis pelo ocorrido. Entre outros casos de tráfico de animais silvestres, criação de animais em cativeiro particular com interesses mesquinhos, ONGs que se passam por defensora dos animais e se apropriam das doações às "necessidades" dos participantes e não fazem o que dizem ter por ideal. Sem contar os casos ocultos de maus tratos domésticos, nos zoológicos e mesmo em "esportes" como a vaquejada, que muitos adoram assistir e por muitos atributos é uma festa ótima, mas nas quais é difícil alguém pensar ou fazer algo pelos animais que ali sofrem, pois tradição ou cultura não podem justificar imprudência com vidas. Casos, e mais casos que só ilustram e refletem a mesquinhes, insensibilidade e primitividade da raça humana. Nunca generalizando, mas direcionando às criaturas inumanas que abusam dessas vidas.

*E em vez de mostrar vídeos mostrando essas situações tristes que só fazem as pessoas quererem fechar a tela e, muitas vezes, fazem alimentar a desesperança na raça humana, coloco aí o link de mais um vídeo de defensores do ideal de cuidar dessas vidas - http://www.youtube.com/watch?v=x69t1y0qE_Q. No caso são duas mulheres que por conta própria decidiram mudar a realidade de maus tratos a cavalos de carroceiros em sua cidade. E, de fato, mudaram, agindo com as próprias mãos, tirando das mãos dos carroceiros o chicote, trocando-o pela sensibilidade e tentando colocar nas suas cabeças mais consciência.


Mas, infelizmente, o que se vê é que são poucas as pessoas a se preocuparem com essas vidas, e muitos os que pensam que isso não lhes diz respeito. Já ouvi alguns que dizem "são só animais, temos que cuidar das nossas crianças abandonadas". Paradoxo pensamento. Creio que nenhuma das pessoas que cuidam dos animais ou trabalham a favor deles dizem para descuidar das crianças ou de qualquer outro problema do país. Por que parece tão difícil tentar uma harmonia geral do ser humano com o mundo? Por que a maioria das pessoas só conseguem se engajar em uma ou duas coisas boas e necessárias?
O orçamento do Estado deve ser administrado para cuidar de todas as necessidades da Nação, e a atenção dos seres humanos deve ser também administrada para tratar dos "perrengues" que surgirem. E assim vamos nós todos, um pouco de cada vez, como um conta gotas, em "atitudes homeopáticas para trazer a paz e a harmonia para este universo".


Ao escrever sobre este tema, ainda uma vez, não quis fechar a janela para não ver os outros tipos de mal tratos que nossa humanidade apresenta, como a mulheres em certos países, moradores de rua, menores "trabalhadores", loucos em sanatórios, idosos em asilos e nas próprias casas... entre outros tipos de desumanidades em relação a raças, credos e sexualidade. Todos frutos do preconceito, da ignorância, do egoísmo, do fanatismo, da razão própria desmedida que cada homem atribui a si em detrimento de outras mentes. Mas, sem desmerecer nenhuma das outras chagas que precisam de atenção, hoje foi para os animais. Se entrasse aqui em todas essas questões, não caberia no texto e, na minha humildade de aprendiz, não sei se conseguiria.

*Aí vai um site que trabalha com adoções, esclarecimentos, campanhas, doações e tudo o mais que possa ajudar o mundo animal de alguma forma: http://www.pea.org.br/

Espero que o coração de cada leitor ou de a quem quer que chegue este texto, tenha sido tocado por uma parte das vidas que nosso Planeta abriga, tocado pela noção de responsabilidade e harmonia universal, porque cada pequena ação irradia seu foco, estimulando outras várias ações e mudando realidades.

Manuella Mirna
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¹ "Carrocinha é o nome popular dado aos veículos que os Canis Municipais ou os Centros de Controle de Zoonoses usam para capturar animais errantes. As instalações da grande maioria desses canis públicos são precárias e esse fato, por si, já configura maus tratos aos animais apreendidos. O cambão (instrumento usado para laçar os animais), quando usado por pessoal sem preparo - o que representa a grande maioria dos casos - pode deslocar o maxilar, quebrar dentes ou mesmo causar danos na coluna, fraturas nas patas e até mesmo a morte do animal. Os CCZs também fazem o encaminhamento de animais para laboratórios e faculdades de ciências biológicas, contrariando completamente a legislação brasileira, onde servem como cobaias em experimentos, testes de drogas ou aulas. Estes animais terminam por ter uma morte lenta e dolorosa.
Os Centros de Controle de Zoonose, em várias cidades do Brasil, ainda praticam o extermínio sistemático e indiscriminado de cães e gatos sadios sob o pretexto da prevenção de transmissão de doenças de animais para os seres humanos. Muitas vezes, adotam métodos dolorosos e não humanitários, como tiro de pistola; eletrocussão; câmara de gás e/ou de descompressão rápida; pauladas; enforcamento e injeções letais. Vale salientar que, nos casos das injeções letais, é necessário aplicar um pré-anestésico no animal, o que muitas vezes não é feito porque as autoridades municipais consideram essa medida dispendiosa.

Além das questões éticas e morais envolvidas no extermínio de animais sadios e inocentes, estamos falando de dinheiro público sendo jogado no lixo sistematicamente. O extermínio de animais sadios é um método ineficaz e oneroso para os cofres públicos, conforme concluiu a Organização Mundial de Saúde (OMS) na década de 80. Em informe de 1992, a OMS declara que "a renovação das populações caninas é muito rápida e a taxa de sobrevivência delas se sobrepõe facilmente à taxa de eliminação (a mais elevada registrada até hoje gira em torno de 15% da população canina)". Em substituição a este método, a OMS recomenda como principal estratégia a vacinação sistemática nas áreas de risco de zoonoses e o controle populacional por meio de captura e esterilização, aliados à educação para a posse responsável de animais.

Como se pode ver, matar está longe de ser a solução. O extermínio de animais serve apenas para esconder o problema e alimenta uma indústria criminosa e corrupta nos bastidores dos canis."

terça-feira, 9 de agosto de 2011

As margens ocultas do rio

Sexta passada, vendo um telejornal, me dei conta de coisas que, muitas vezes, durante nossa "dura" vida a gente se esquece: de que há vidas, realmente, mais difíceis que as nossas, e nem por isso mais amargas ou sem sentido.

A reportagem era uma trilha, feita pela equipe de reportagem, em busca da foz e da nascente mais distante do rio Amazonas, tentando mostrar as vidas que se relacionavam com cada cenário desses.

O curso do rio me fez lembrar o curso da vida, cheia de altos e baixos, partes rasas e partes profundas, calmas e muito agitadas, povoadas e sós, perigosas e aconchegantes... mas totalmente inundadas de encanto.


Já nós parecemos a pequena e firme balsa a desbravar as suas águas e as suas margens, seus percalços e todas as suas graças.


E não há como negar que mesmo com todos os meandros e as águas inquietas, a vida é fascinante e sempre reserva uma lição, uma surpresa boa, um sorriso, um aprendizado, ou várias mostragens de tudo isso.

De um lado, as partes boas todos digerem muito bem.


Por outro lado, as partes não tão boas, aquelas que primeiro assustam, para depois melhorar sem tempo determinado (mas creiam, melhora!), não são tão facilmente digeridas por nós.


Acho que porque não são compreendidas na sua razão de ser, na sua finalidade, no seu por quê. Mas, independente das respostas, dentre todos que passam por esses momentos, os sábios conseguem encarar com maturidade e até com certa graça as diferentes margens da vida, ou do rio, literalmente..

Sábios anônimos, como os que ví no programa (Globo Repórter) e não imaginava ser assim:

Uns, moram numa margem perigosa e vivem atentos às mudanças do rio:

"No baixo Amazonas, o rio é navegável, mas a vida em muitas comunidades é regulada pelas marés. Não são nem três da manhã e a dona de casa Maria Luíza dos Santos já prepara o café. Depois, chama os filhos Romário e Simone. Eles precisam se arrumar para ir à escola. Rotina? Até pode ser, mas uma rotina que muda todo dia. “De um dia para outro, a maré atrasa uma hora, todo dia tem um horário”, declara o pescador Pedro dos Santos. Às vezes, eles saem às onze da noite para assistir à aula no dia seguinte [...] Romário vai pela primeira vez à escola neste horário. A irmã já faz isso há anos e não se acostuma. “É complicado acordar essa hora, mas pelo estudo a gente faz tudo”, diz a filha, e estudante, Simone dos Santos.

São três e meia da madrugada, maré alta, hora de viajar. E o barco que faz o transporte escolar tem que sair antes das águas baixarem. Para quem estuda de manhã, não há outro jeito de chegar à escola. Os jovens se acomodam no barco e, dependendo dá para dormir um pouco. Mas, com o mar agitado e o vento forte, ninguém consegue. “Tem a fé que não acontece nada”, diz Simone. O piloto Joniel Lopes leva os alunos para a escola há quatro anos. Em dia de temporal forte, o barco pode até ficar à deriva no Rio Amazonas. ”É muita responsabilidade, inclusive a gente carrega o futuro, não é”, diz o piloto.

A tempestade passou longe, e o barco chegou antes de a escola abrir. Dá para dormir mais um pouquinho. Mas, logo, eles começam a se arrumar ali mesmo e desembarcam para assistir às aulas. Uma tarefa difícil depois da noite que tiveram. Para o professor, eles são guerreiros. “Coisa que muitos brasileiros não fariam, eles fazem para estar aqui todos os dias”, fala o professor.

São oito filhos e muita noite de sono perdido. “Mesmo assim eles tiram nota boa. Graças a deus ainda não desistiram. Está valendo a pena”, relata a mãe de Simone e Romário."

Pois é. Enquanto alguns reclamam ter de acordar cedo demais para ir escola, porque moram longe, ou do ônibus lotado e até mesmo do professor ou da escola, outros "acordam" às onze da noite, viajam um rio imprevisível, numa balsa gasta que não é mais potente do que nenhum carro popular, enfrentam chuva ou não, apreensão sempre e sono irreparável para assistir aula de manhãzinha. E é inspirador que, mesmo com tudo contra, eles não desistem, são de exemplo para o professor e motivo de responsabilidade para o piloto, que diz com toda segurança que carrega o futuro! Não digo que as primeiras situações mão sejam chatas, são sim, mas, às vezes, antes de levantar o dedo para reclamar ou abaixar o dedo para desistir da jornada, temos que olhar para mais adiante, para o outro lado da margem, para outras vidas mais difíceis que as nossas que continuam sonhando e lutando... E continuar sonhando e lutando também.

Outros, fazem arte da lama que encontram nas margens:

"Ao nível do mar, na Foz do Amazonas, os conhecimentos dos primeiros habitantes das margens do maior rio do mundo ainda passam de pai para filho. A cerâmica, que teve origem nas tribos marajoaras, hoje é fonte de sustento dos caboclos no local.
A equipe do Globo Repórter vai até o lugar onde os ribeirinhos tiram a matéria-prima das cerâmicas: a argila das margens dos afluentes do Rio Amazonas. “São quatro horas de trabalho, entre a saída, a extração da matéria-prima e o retorno”, conta o artesão Rosemiro Pereira.
Eles são barreiros profissionais e buscam a argila nos igarapés para vender para olarias e ceramistas. A equipe vai até o local onde é feita a extração de argila. Os barreiros retiram uma camada de terra com folhas e tudo e estão em busca do barro mais uniforme, de cor mais clara. Com a pá afiada, eles vão cortando os blocos de barro. Parecem barras gigantes de chocolate. Os artesões exigentes escolhem o barro com cuidado para fazer cerâmica de melhor qualidade.
As voadeiras ficam carregadas com mais de 100 bolas de barro cada uma. Cada bloco vai ser vendido a R$ 1,20. Depois, nos ceramistas, o barro vai virar jarros, vasos, pratos para decoração. A família toda do artesão Rosemiro está no negócio. Mas cada um cuida da sua produção.
A artesã Rosemaria da Silva gosta de pintar e consegue fazer um vaso em apenas um dia. “Perfeito, perfeição mesmo não existe porque é artesanal, então a gente tenta fazer o melhor possível’, revela a artesã.
E o que era sedimento, barro das barrancas do amazonas, vira arte nas mãos dos ribeirinhos."

Os economistas que viram isso devem ter se remexido na cadeira: 4 horas de viagem, numa canoinha pequena e frágil, para buscar uma determinada argila na margem dos igarapés, cavando com toda atenção, voltar com perigo da canoa partir de tanto peso e vendem o bloco por R$ 1,20; ao chegar, mais tempo para preparar o barro, dar forma, pintar... imagina o quão barato eles vendem esses jarros! Vidas simples, empenhadas, fortes e persistentes. Do inacreditável esforço eles fazem arte, para sobreviver. Delicados e firmes gestos que compõem histórias de exemplo para qualquer um que pense em reclamar da distância do trabalho, do trânsito, ou do computador lento.

Não consegui pensar no valor do super homem ou da mulher maravilha, antigos heróis da nossa infância, quando ví essas histórias. Tantos e tantos heróis da vida, do nosso Brasil, da nossa história... ocultos, anônimos, simplórios... mas de coração aberto, mãos dispostas e olhos atentos à vida, aos planos, para não perder o ânimo, o entusiasmo e a fé.

Não há muito mais a ser dito, tem coisas que falam por nós. Só sei que não pude não compartilhar isso aqui, para que essas vidas, essas margens ocultas do rio falassem por mim e, de alguma forma, tocassem nosso coração e impulsionassem mudanças de atitude.

E, como não podia deixar de ser, um apelo aos cuidados com nossa Floresta, com nosso Brasil e, consequentemente, com nosso Povo: (placa indígena)

Manuella Mirna

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Diminua as distâncias, aproxime as emoções

Dia desses, numa palestra de terça, nasceu um assunto que dorme no inconsciente e nos anseios de cada um:
- Você prefere se comunicar, diante de uma situação difícil ou fácil, por escrita (incluindo e-mail e net em geral), por telefone ou pessoalmente? Faça a pergunta você mesmo.
Pensei sobre isso... e percebi o quão estamos todos gradeando nossos muros e nos isolando do mundo, de tudo e todos que amamos. Mesmo os que, como eu, preferem o olho no olho, pecam quando se acomodam com as distâncias físicas e curtem a ideia de que a tecnologia encurta as distâncias. Em alguns casos não podemos negar que realmente ajuda. Mas em muitos outros ela só aumenta e ainda cria abismos que antes não existiam. É preciso avaliar se ela trouxe comodidade ou covardia, quem sabe os dois.


Excluindo as situações em que internet é realmente a melhor opção, temos as que simplesmente nos acomodamos. Quando preferimos conversar horas pelo bate-papo do facebook, ou do msn; quando mandamos e-mails agradecendo algo, convidando ou se declarando; quando mandamos os desculpáveis sms, que alguns fingem que não recebem para não se comprometerem em algo; sem falar nos incontáveis programas de jogo virtual, nos quais se tem oponentes virtuais e uma solidão ensurdecedora no quarto. São situações em que perdemos o aconchego de ouvir a voz de uma pessoa querida, o calor no timbre da voz, a verdade na hesitação dela; em que perdemos o brilho no olhar, a expressão de surpresa ou de dúvida na face, de alegria ou de dor; a sinceridade de um olho que fala e a boca silencia; em que perdemos o calor das mãos, a energia do abraço, o apelo da carícia, a confissão do toque.

Pouco tempo atrás, quando você buscava uma imagem para "contato" o google vinha com fotos de abraços apertados, figuras de mãos dadas. Fiquei tristemente surpresa agora, ao fazer a busca, de só ver "arrobas", logotipos de e-mail, figuras de eletrônicos e moças de telemarketing.

Uma questão parece apontar como rainha nesse cenário todo: um problema hoje, na Era da Informação, é a falta de comunicação. As pessoas querem participar do processo revolucionário das tecnologias de informação, compartilhando a todo instante todo tipo de conteúdos que se imaginar. Mas, ao mesmo tempo, parecem evitar o retorno, seja por sociofobia, falta de hábito, negligência, falta de educação, qualquer sentimento auto-destrutivo ou desvalorização do outro e do contato pessoal. O fato é que se comunicar face a face deixou de ser uma necessidade devido as facilidades tecnológicas e o mundo se acostumou a vidas mais solitárias, independentes e mesmo individualistas. Cada um no seu notebook ou blackberry pensam ter o mundo nas mãos, mas na falta de bateria ou energia elétrica isso se perde, e será que nessas ocasiões as mãos deles serão preenchidas por outras mãos, dadas? Será que, primeiro, eles estão de mãos abertas, dispostas, a postos para o contato real?


Esquecem-se de que comunicação, desde o início de seu entendimento, trata de interação, integração, conectividade. De compartilhamento na convivência, e daí por que não conflitos e dissenções? Com isso há o aprendizado. Trata de colaboração, apoio, calorosidade, afeto, expressão. Trata sobretudo de relacionamento, de compromisso. Será por isso que as pessoas se excluem do contato? Não querem se comprometer com nada ou ninguém além do seu exclusivo interesse pessoal, assegurando que ganhem em troca ou não percam nada na troca? Se for, nada justificável perto do valor que tem uma interação e a sinceridade do olho no olho, mão na mão, face na face. Só deixam de ganhar os que não percebem que isso é imperativo, é mágico, é não negociável, é único. Percepção e sensibilidade, de fato, parece ser para os fortes e corajosos, amantes da vida e das relações.

Houve uma pesquisa sobre comunicação que procurava responder por onde há mais impacto da mensagem no ouvinte. O resultado foi surpreendente e revelador: 7% pelas palavras; 38% pelo tom de voz e inflexão - curvas na fala; 55% pelas expressões, atitudes e gestos. Por dedução, todos os percentuais juntos refletem que a comunicação face a face tem impacto muito significativo sobre as pessoas, ímpar e incomparável. Ralfh Wando devia saber das coisas quando disse que "os olhos conversam tanto quanto as línguas que utilizamos, com a vantagem de que o dialeto ocular, embora não precise de dicionário, é entendido no mundo todo".

No final das contas, deveríamos admitir nossas capacidades de humanos e sermos razão e emoção, mas principalmente emoção; admitir que nós precisamos no contato mais estreito, precisamos uns dos outros mais de perto, não pela tela fria de um aparelho eletrônico. Como me disse uma amiga, a emoção é o retrato da sinceridade, ela resolve muitos pontos de dúvida ou conflito. Chega uma hora em que é preciso estar para sentir, olhos nos olhos, confronto necessário e inigualável. É preciso entender que caneta seca, internet falha, telefone perde a área... à distância os ruídos prevalecem, mas pessoalmente apontam-se as arestas e estabelecem-se as certezas.
O desafio lançado é se desarmar, procurar diminuir as distâncias, aproximando as emoções. Há distâncias físicas que são irremediáveis, com as quais não se pode lutar, mas se tal contato é importante para você, não interessa a quilometragem que os separa, o fundamental é não deixar a distância física virar uma distância espiritual ou sentimental. E quem vivencia caso semelhante sabe que tem como lidar com as distâncias para aproximar um do outro. É a velha história de que o interessado dá um jeito, porque jeito sempre há.
O fundamental, para todos os casos, é dar valor e atenção aos contatos humanos, momentos que não voltam e dos quais deve-se fazer pedras preciosas. Porque "na era do e-mail, do poder do supercomputador, da internet e da globalização, a atenção constitui o melhor presente que podemos dar a alguém".
E o mágico dessas relações afetivas é aprender a interpretar os gestos, o silêncio, um olhar, porque, como diz Quintana, "quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação". Quanta troca se tem num contato pessoal, tempo incomparável que deve ser levado a sério... poder falar, no dialeto que seja; poder ouvir, na sensibilidade e paciência que aparece nas capacidades humanas.

E enfim, administrar a saudade que se sinta, a vontade que peça passagem, a ousadia que deva realizar-se... em prol de ceder ao que realmente importa: você, os te tocam o coração e todo o resto que compõe esse cenário, e só quem o vive entende e sente a mágica que há nele. Não perca a oportunidade de se declarar, de ver os olhos brilharem, de ouvir o timbre da voz, de sentir o calor do abraço, o suar das mãos, o titubear de certas frases... as surpresas, receios e encantos de cada um que te toca de alguma forma. Levante daí, diminua a distância que no fundo te incomoda e aproxime as emoções, para que 'quando você olhar pro lado, possa estar cercado, só do que te interessa'.

Manuella Mirna

"Anunciamos uma vida melhor.
As condições para isso?
Conversando, agente se entende." Drummond

"[...] Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá tua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa." Lenine


terça-feira, 26 de julho de 2011

Os Romãnticos

Romantismo para o dicionário significa predominância da imaginação, do sentimentalismo, do poético. Para os "fortes" significa fraqueza. Para o filme The Romantics significa o ato incorrigível de exalar pelos poros o amor que porventura se sinte. Para os amargurados, bobagens mentirosas. Para os apaixonados, um artifício a mais para mostrar o que se sente. Para os românticos significa que nada é bobo desde que seja justificado com amor, ou uma característica tão necessária e involuntária quanto o ato de respirar, ou um ato que os seres humanos criaram porque inconscientemente admitem que sentir e demonstrar o amor que sentem é o que dá sentido à existência. Para mim romantismo é... bem, para que falarmos de mim. Para o google imagens é isso , isso , ou isso , ou outras coisas mais.

Sem pensar se é certo ou errado, bom ou mau, descartável ou necessário. A verdade é que amor é o sentimento mais importante do mundo e o mais necessário também. Amor em todos os sentidos, amplos e irrestritos. E como não podia ser diferente, para toda causa surgem efeitos. O romantismo é um dos efeitos de quem ama. Não de todos os amantes, pois há os que amam alguém ou algo e sentem que o mundo funciona melhor graças a existência disso, mas diz não ser romântico, o que pode ser ou não questionável. Mas é o efeito de muitas pessoas, efeito geralmente não escolhido ou forçado, mas natural e necessário, como flores de primavera.

Recentemente ví um filme intitulado The Romantics. E eu realmente me questionei sobre o que isso - romantismo - seria. Porque para alguns não há nada de romântico nesse filme. Para outros, e principalmente para a escola literária do século18/19, é totalmente romântico, num sentido que, para quem conhece ou já ouviu falar no ultrarromantismo ou mal-do-século, não é muito positivo.

Na verdade, sem querer ser influenciadora, romantismo é uma qualidade que, como qualquer outra coisa, em excesso causa danos terríveis e muitas vezes irremediáveis; que, como a maioria das coisas, na dose certa é capaz de curar doenças e resgatar valores adormecidos, estabelecer laços e estremecer a gente de uma forma única.

Mas ele parece ser mais revelador do que importante. Digo, quando você é romântico com alguém ou por algum motivo, na maioria das vezes seu ato incrivelmente, meigamente ou até loucamente romântico não tem muita importância, mas o motivo que te levou a fazer tão linda ou, em alguns casos, tão absurda ação de amor responde muitas coisas sobre você.

Às vezes diz que você realmente deseja algo e é capaz de tudo para conseguir, mesmo que seja usar os sentimentos de alguém como alavanca, o que não é bom. Às vezes demonstra que alguém é realmente importante para você e ser meigo ou sem noção é apenas uma consequência, esquisita para alguns, do seu sentimento. Uma outra hipótese, a pior delas, é que alguém ser romântico não diz imediatamente que ele/ela ama você ou que saiba que quer você ao lado dele/dela. Romantismo não é sinônimo de amor sincero ou relacionamento perfeito. Mas, uma parece certa, romantismo é uma consequência, a causa é o sentimento. E se ele é verdadeiro não importa quão inacreditável ou discreta seja a consequência desse afeto, ela vai fazer belas impressões digitais na sua vida.

Explicações ou respostas a parte... É que antes se trata de saber cuidar da causa para então entender, ou não, as possíveis consequências. Amor, eis a causa, que a maioria dos humanos não sabe cuidar. Como disse o filme, "somos todos tão sem inspiração. Somos tão cegos às coisas muito pequenas, mas belas. Pequenas coisas belas que fazem a vida valer a pena [...] O jeito como alguém despretenciosamente atravessa a grama, é lindo. O silêncio que se faz depois de uma declaração inesperada e só se pode ouvir garfos e pratos, é mágico. Que tal o som que se faz vindo até aqui. É cascalho, capim, oceano. É verso, verso, refrão. [...] Nós compartilhamos um objetivo: inspirar e ser inspirado. Isso, meus amigos, é imperativo".

E realmente não há mentiras em se dizer que se deixa de lado coisas pequenas e tão belas, compositoras de graça e sentido a muitos momentos, doadoras de respostas a tantos outros momentos especiais e inigualáveis. Sentimentos que existem à disposição no universo e em cada um de nós, como amor e inspiração, conseguem entender essas raridades que não deve se deixar à deriva. Ou ainda outros sentimentos, mas tão essenciais como esses. Só que, infelizmente poucas pessoas estão atentas ou receptivas a raros momentos e pessoas com esses pequenos detalhes, belos detalhes... imperceptíveis à praticidade superficial que as pessoas buscam sem admitir, por ''medo do oceano'', que é misterioso por ser mais profundo que os lagos e rios, mas instigante por encantar de novo a cada sol ou tempestade.

Aviso aos navegantes, não tenham medo do oceano. Naveguem no tempo dele, você com certeza vai ver mais coisas, as quais não admite precisar. Digo isso fazendo uma metáfora com a desse filme que ví: o mocinho tinha desperdiçado anos de convivência ao lado da mulher que realmente amava por ter medo do ''oceano'' que, nas palavras dele, seria ela; e preferiu ''nadar'' em algo mais prático e simples (superficial e alienado?), uma outra mulher, já que toda vez que ele ''nadava no oceano'' era incrível, mas ficava apavorado... talvez porque achasse que precisava desvendar e dominar a imensidão que era aquela mulher. Mas não precisava, nem era isso que ''o oceano'' queria, ele só queria ser navegado, descoberto aos poucos e naturalmente, liberar a cada dia encantos para o mergulhador que tanto amava. Talvez o mocinho tenha sido mesmo covarde e, agora nas palavras da mocinha, "um ato completo de covardia desqualifica uma pessoa de consideração". E depois, medo? Amor não é praga egípcia e romantismo não é doença.

Em vários filmes, livros ou nas conversas nossas de cada dia, há muitas fórmulas de um relacionamento perfeito e estável, entre elas a idealização de se procurar seu oposto com o velho argumento de que "os opostos se atraem". Uma opinião mais polêmica, mas também em grande parte verdadeira é que "Os opostos se atraem e depois eles se aborrecem até a morte", nas palavras da mocinha outra vez. O que, infelizmente ou não, é em muito verdade.

A questão irremediável é que afinidades existem. No começo pode-se fechar os olhos para isso, e alguns até engatam um relacionamento acreditando que água e óleo é uma mistura até aceitável... bem, ficam no mesmo recipiente por quanto tempo se deixar, mas nem chegam a ser uma mistura de fato; se tocam, mas não se diluem um no outro, não mergulham com tranquilidade e naturalidade naquilo que se pode chamar de ''energia familiar'', "sentir-se em casa'' ou sintonia. Depois de um tempo, curto ou longo, e este quase sempre por se fazer vista grossa para tudo, eles entendem que as diferenças não podem ser predominantes e as semelhanças pedem para ser maioria.

Diferenças, além de serem óbvias, são divertidas, necessárias e saudáveis. Por se crescer ao ceder a favor do outro, por conhecer e aceitar coisas novas, com as quais se tinha até preconceito, por entender mais ''o que'' e ''porque'' você gosta do que gosta, por admirar o outro pelas escolhas e também por poder influenciar quando as escolhas não forem das melhores... Diferenças são imprescindíveis, mas se não ocorrem entre pessoas na mesma sintonia fica impossível administrá-las ou achá-las positivas. E então, sintonizados, "em casa", à vontade, a frase "eu entendo" flui naturalmente, dando uma forcinha para os momentos de confusão, discordância e desentendimento de um curto e frio "nada a ver". Além de que, quando há afinidade cada situação é nova magia, nova experiência, decifradas na língua que é entendida pelos navegantes e somadas num cômodo de harmonia. E é entusiasmante, afinal de contas é estimulante compartilhar um mundo o qual é abrigo de pessoas que você ama. E no vai e vem de compassos ritmados, vocês descobrem acordes desconhecidos aos ouvidos até alí, mas muito compreensíveis a partitura de cada um a partir de então.

Encontro sentido nisso quando Anitelli diz que "os opostos se distraem e os dispostos se atraem": aqueles se perdem acomodados que estão no clichê da atração magnética ou aborrecidos com tantos "nada a ver", e estes se encaixam à vontade que estão de negarem, afirmarem ou ficarem em silêncio, sabendo que o cenário é adaptável na clareira, na falta de energia elétrica ou à meia luz. Só não se deixe acomodar no cenário aconchegante, porque mesmo nele coisas novas chegam todos os dias vindo dos bastidores ou da fábrica e nesta hora se permita conhecer e entender, não se deixando cair no extremo do tédio pelo conforto.

No meio de todo esse papo sobre o ser romântico e o se permitir para os sentimentos independentemente da trilha de rosas e bombons, me deparo com a visão de que, tal qual a concepção mais simples do divino como algo de que se tem latente a crença de ser algo superior e necessário, fiel e intacto, todos têm em si a centelha dos mais belos sentimentos e com eles a inspiração de colocá-los em voga, em caixa alta, na direção das pessoas que de alguma forma são especiais, para você ou para o mundo. Ser romântico é ser humano, se a primeira palavra incomoda ela é só uma nomeação cor de rosa para um ato multi-racial, feliz dos que conseguem ativá-lo. Alguns atos são meigos e silenciosos, outros são indiscretos e efusivos ("cheguei!!", mesmo), mas todos escolheram se emocionar e emocionar, inspirar e ser inspirado, entenderam que isso é imperativo.

No fim, do filme The Romantics, deste texto incerto, da minha paciência ou da minha vontade, dessa onda de pensamentos ''vai e vem'', entendo algumas coisas e aceito outras, me desfaço de outras tantas. Mas entro em consenso aqui dentro que o que salta mais, pede mais, é mais imperante, é o afeto que se sinta e que nenhuma covardia, ''incoragem'', timidez, pensamento demorado, indecisão, procissão ou prosa prolongada deve calar a voz que salta em sinfonia de acordes maiores, lá de dentro, daqui, da gente. Os românticos sabem disso, e todos podiam entender que os humanos sentem isso. Os quais, por algum motivo esquisito, se enganam, tropeçam, teimam de forma não explicada (que não quer dizer inexplicável) com o que sabem ser a tal casa aconchegante que andam procurando.

Não é que se deva dar vazão a todos os sentimentos, porque há os maus. Nem é que a qualquer pulo do coração se é apontado o caminho. Quase sempre não é pulo que diz a certeza, é algo mais sutil e mais inspirador que um taquicardia, exige um auto-conhecimento e certo dicernimento por parte do sujeito. Acontece que geralmente se sabe quando algo raro bateu à porta, cantou bem de perto ou tocou à beira da piscina... O raro não é rotineiro, é especial, incomum, um diferente que aguça os sentidos, se intromete nos pensamentos de leve e tem um brilho inesperado no olhar, uma verdade simples no sorriso... Apenas não tenha medo, não desvie os olhos, tape os ouvidos ou se vire para a paisagem mais fácil de entender ao seu redor. Realmente o raro pede algo a mais de você, mas se você é capaz de reconhecer a chegada dele, tenha certeza, você é capaz de encontrar o encaixe entre vocês, não é um impossível quebra-cabeça, vai ser mais espontâneo que imagina. Porque "o amor é como o oceano: vasto, aparentemente sem fim. Algumas vezes tortuoso... tranquilo em outras. Assustador por todas as suas profundezas não exploradas, mas uma fonte constante de maravilhas e admiração".

Manuella Mirna

"Amar sem sentir-se amado é um desafio mais difícil que a fome.
Encontrar amor na simplicidade do dia a dia é para quem sabe se alimentar da mágica da
vida e da superação de si mesmo.
Para o insaciável, nem todas as cores preencherão o seu vazio.
Para aquele que já sofreu, que já perdeu, que já aceitou seus erros e assumiu as emoções de suas lágrimas, a aquarela começa agora, em cada gesto, a cada manhã, a cada cor nova em possibilidades que a vida oferece para quem não deseja inverter os papéis de aluno e professor com ela." Espalhe o Amor

"A fantasia é véu que não encobre

Tanto como se diz [...]

A música se foi – durmo ou estou desperto?" J. Keats