Definitivamente, precisa-se de heróis. Nós precisamos.
Já tivemos de todos os tipos, épocas, credos e nacionalidades: Jesus Cristo, Buda, Gandhi, Mater Luter King, Mandela, Abraham Lincoln, Pelé, Ayrton Senna, Lula... Cada um desses marcou a humanidade de alguma forma. Em proporções diferentes, claro, mas deixaram suas mensagens e sua assinatura na mente coletiva.
Infelizmente, de uns anos para cá, tenho ouvido que o mundo precisa de mais heróis, que esta atual juventude é acomodada e passiva, que ninguém acredita em ninguém, e outras coisas mais que parecem ter ajudado a enviar os heróis para o mundo perdido de Atlântida.
É, ouve-se muito por aí...
Mas, talvez, as coisas não estejam tão remotas assim, talvez o herói não seja só um mito romântico das mentes de humanos ingênuos... talvez eles só precisem ser observados pelos nossos olhares desatentos, gulosos e individualistas do dia a dia.
Bem, trago um exemplo discreto pra vocês. Vi no jornal uma história:
Dia 30 de dezembro de 2012 estava chovendo muito em Minas Gerais... Em BH as ruas alagaram-se e houve várias enxurradas... Numa delas, Dona Cláudia perdia as forças para segurar o carro e não deixar a água levar ela e seu neto pequeno, e surdo, que não conseguia entender muito bem o que se passava.
Daí o pedreiro, Charles Pereira da Silva, avistou a aflição e foi socorrer os dois.
“Tinha uma mulher dentro de um carro, depois que eu tirei o rapaz de dentro do primeiro. Ela levantou a criança, eu vi a criança, e aí não teve jeito de não ir. Eu pensei nos chiquinhos que eu tenho em casa. Chiquinhos são meus sobrinhos”, disse Silva, que tem 13 sobrinhos.
Dia 2 de janeiro de 2012 eles se reencontraram, para agradecerem depois do sufoco...
“Se não fosse pelo Charles eu poderia estar morta. Eu estava perdendo a força. Tinha que segurar o volante com uma mão e sinalizar para o meu neto, que não escuta, o que estava acontecendo”, disse Cláudia. O pedreiro ainda resgatou outra pessoa no mesmo local, na Avenida Bernardo Vasconcelos, Região Nordeste da capital.
Charles Pereira da Silva disse que ganhou um presente antecipado. “Estou feliz só de ver eles vivos e bem. Faço aniversário este mês e esse é o meu presente. Com certeza, ganhei novos amigos”.
É, parece que a lenda não está tão longe. Simbolicamente, 2011 ia terminando num sufoco para Cláudia e seu sobrinho, mas, por ainda existir flores no asfalto, como diria Drummond, 2012 começou sorrindo... E aí não só para eles, mas para todos nós. Como uma flor de esperança plantada no coração.
Acreditar. É isso que não se pode deixar.
Deixar de ser o figurante passivo. É isso que se precisa tentar.
Ser herói(na). É essa a meta de hoje, para amanhã, e todos os dias.
Manuella Mirna
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