segunda-feira, 30 de abril de 2012

Indizível

Há momentos que deixam até escritora sem palavras...
O que dizer então, senão que sou apaixonada por você em verso e prosa; em cada rima e ritmo; em cada parágrafo; em cada palavra que te caracteriza, te faz ser, não ser e sugerir infinitas possibilidades; que sou apaixonada por você em cada metáfora que tenta te descrever sem sucesso, explicando o indizível...
Mas principalmente, sou apaixonada por você nas palavras que não são ditas, aquelas que só os teus olhos podem me dizer, e só a mim.
E é no brilho do teu olhar que eu encontro o que nem as palavras podem dizer... Ainda bem.

Manuella Mirna

Nossa eternidade

Eu nunca vou saber inteiramente quem és, 
Mas para mim basta que sejas. 
Eu soube,
"Somos eternos por sermos finitos." 
É assim com os momentos. 
Com os nossos momentos.
Mas mesmo que eles sejam breves, 
Eu procurarei outros, 
Para preencher toda a extensão dos nossos dias, 
Os de agora e os de amanhã.
Porque no nosso mundo, te vejo entrando por um tapete, linda, enquanto eu te espero para ficar comigo; te vejo dormindo enquanto penso que não precisa esforço para me apaixonar por você todos os dias; vejo nossas brigas quase inevitáveis serem esquecidas facilmente, e às vezes não; me vejo feliz amanhã e em todas as minhas memórias futuras, onde você está; te vejo declarar o amor de várias formas, principalmente sem nenhuma palavra; e sei que vou estar bem, mesmo na confusão que somos nós, sem esperar pelo momento seguinte, porque não contamos as horas quando há felicidade.


Manuella Mirna

O que é mesmo?

Muitas vezes o que se acha ser prudência é medo. 
Tantas vezes quem você acha que combina com você é um quadro sem profundidade. 
Inúmeras vezes você espera pelas próximas oportunidades, pelo ano que vem, pelo tal momento certo...

Mas quem dirá o momento certo se você não sai do lugar? 
Quanto se tem que esperar até a próxima chance? 
Quem dará o primeiro passo senão você mesmo?


Manuella Mirna

O amor é filme...?

"O amor é filme..." e o filme ensina que a gente só é feliz quando somos nós mesmos. 
Amar é ser finalmente você. 
Nunca forcem uma compatibilidade perfeita. Nem sempre o que parece perfeito o é. 
Amor é algo que não se testa, se sabe, se sente quando se encontrou.


Manuella Mirna

Rasgando o embrulho

Há um provérbio chinês que diz que o passado é história, o futuro mé sonho e o presente, como o próprio nome diz, é um presente de Deus. 
Devíamos tratar nossos dias assim... 
As crianças pegam um presente, rasgam o embrulho com entusiasmo e passam o dia agarradas com ele. Os adultos perderam essa sensação. 
Se todos fossem crianças ao abrir o presente diário, que é a vida, todo dia, ao nascer do sol, haveria mais sorrisos no mundo.


Manuella Mirna

terça-feira, 24 de abril de 2012

O fantasma se rende

... Seu argumento era a distância de volta a Goiânia e seu filho a ser operado.
Perguntei sobre Goiânia - detalhes que um nativo saberia; perguntei de seu filho, a doença dele e o olhar do menino frente a tudo isso - paisagens que só um pai saberia.
Parei aí.
Ele soube tudo me narrar, com a fidelidade de uma criança, com a proeza de um nativo, com o olhar amoroso e dolorido de um pai.
Sem chance para uma parte de mim. Aquela parte, que atende por 'fantasma da minha desconfiança', que me assombra por vários segundos, que sempre me ameça perder o mais belo e singelo da vida... ela, se convenceu e deixou a mansão por um belo instante, talvez sem hora pra voltar, quem sabe talvez não volte... ainda bem!

Manuella Mirna

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Em qual fila entrar?

Ví esta notícia já há um certo tempo, mas, por alguma razão, ela ainda é atual e será por um bom tempo, imagino:

"15/12/2011 20h47 - Atualizado em 15/12/2011 20h48

Usuário sai de casa sete horas antes para garantir iPhone 4S

(fulano) já espera para comprar o aparelho em São Paulo. Novo iPhone começa a ser vendido à 0h desta sexta-feira (16).

Ele diz que tem um iPhone 4, mas só conseguiu comprar o aparelho uma semana depois do lançamento no país, porque já havia esgotado. Com o iPhone 4S, ele afirma que não quis correr esse risco. O desenvolvedor diz ter vários aparelhos da Apple: um MacBook Pro, um iPad 2, um iPod Nano e um iPhone. Além disso, (fulano) relata ter comprado um smartphone com o sistema Android, do Google, há três meses. “Vou vender assim que comprar o iPhone 4S, porque ele é muito lento”, disse."

É né... Boa motivação.

Ok, isso não foi uma ironia.

Não sou contra a tecnologia, não saio por aí dizendo que devemos voltar à tv preto e branco, ao teleférico ou mesmo às cavernas. Não.

Cada época histórica tem seu desenvolvimento e é bom que seja assim. Muitas boas mudanças são feitas na vida individual e em sociedade por conta da tecnologia, e de qualquer outra forma de avanço.

Mas não nego, achei no mínimo curioso a motivação, a espera, a pressa, a necessidade...!!! Nunca imaginei que pudesse ser tão normal e aplaudida a nossa dependência sobre os brinquedinhos modernos.

Também não escondo o espanto quando lí "usuário". Palavra comum né?! Mas que me lembrou a expressão "usuário de drogas". Tudo bem, desculpe se estiver exagerando, mas me parece que nós passamos, sem perceber, de cidadãos para consumidores para "usuários" (viciados em novidades de consumo hi-tech).

Não quero boicotar os iPhones, smarts, tablets, ou seja lá o que venha... Só me chama atenção a espera ansiosa que se vê por aí pelos apetrechos tecnológicos; e a fila formada para a compra do iphone da notícia; e a lotação que ví durante a primeira semana da loja da Apple, aqui, no shop Recife; e a certa competição que vejo pelas ruas, do tipo "nossa, esse seu mp3 é uma relíquia, vê só esse meu mp16..." (não quero nem pensar o que ela diria do meu celular!). E muito mais me assombra o fato oculto a tudo isso: a segregação social de quem não tem acesso à alta tecnologia.

Infelizmente, isso não é um tema de redação de vestibular somente, não pára nos estudos para o Enem ou nas discussões clichês de época de campanha, é uma realidade: o desenvolvimento tem criado vários lados da mesma moeda, um deles é, sem dúvida, o aumento das diferenças e preconceitos sociais.

Não vou inflamar mais um texto, aqui é mais uma conversa de jardim... Para que nós todos pensemos um pouco mais na parte de SER humanos, para que a gente não automatize os nossos atos, se deixe levar pelos desejos da multidão, pela opinião do senso comum, pelos ditames do mercado... Para que a gente não perca o questionamento natural da parte de sermos seres PENSANTES, para que não vire modismo o "não-diálogo", para que não seja tachado de "viajado" aquele que levanta o dedo e diz não concordar.

Não acho que boicotar a hi-tech seja a solução. Mas acredito que precisamos ir menos pelas marcas, modas, marketing e coisas do tipo; que precisamos perceber os limites aceitáveis de cada situação: até onde é saudável um "luxo" e até onde esse "luxo" virou nossa prioridade, até que ponto ele nos determina, define e completa... Somos mais ou menos por sermos Nike, Apple ou Volvo? Acho que não.

Fica a dica: se fôssemos um poco mais competitivos e influenciáveis para ouvir mais o outro, ter mais paciência, sermos mais gentis, sentir mais, compreender mais, fazer mais e melhor... Enfim, se fôssemos alvos-fáceis também para pegar a moda do bom exemplo, no dia de amanhã o Sol brilharia mais forte e os sorrisos seriam menos materialistas, seriam dados sem medo ou pretensão, seriam dados de graça.

Manuella Mirna

quinta-feira, 22 de março de 2012

O dia de quem é "Up"

Pela primeira vez, o dia mundial da síndrome de down está sendo celebrado nas Nações Unidas!!

É sim!
Talvez isso não seja grande coisa para a maioria de nós, talvez... Mas é uma enorme conquista para a sociedade e para os "ups" que, como todos, desejam e lutam pelo sua respeitada e merecida parte na ordem das coisas.

As conquistas nossas de cada dia são difíceis e nos fazem vacilar, cansar, chorar algumas vezes... é sim, não é fácil. Mas não é impossível. E temos grandes exemplos disso ao nosso redor, como, por exemplo, os ditos deficientes de síndrome de down.

Aliás, acho realmente detestável esse nome. Acredito que ninguém goste de ser identificado pelo sobrenome de um médico que descobriu os efeitos de um cromossomo extra no corpo humano... "deficiente, com distúrbio, portador de síndrome', são nomes muitos grandes, feios e complicados para seres humanos incríveis e capazes, até mesmo com uma capacidade de amar, muitas vezes, maior que a da maioria.

Mas enfim, hoje foi um dia de vitória: de alguma forma, por mínima que seja, mostra-se que as diferenças, os preconceitos e as segregações estão diminuindo e ganhando força para reflexões sérias, públicas, oficiais e mundiais.

O mercado está mais aberto para essas diferenças, o ensino está mas pronto e receptivo, as pessoas estão mais instruídas... mudanças lentas, feitas principalmente por se estar vencendo a ignorância, mas são mudanças, e boas.

O fato de haver um dia mundial em favor de algo, para alguns, pode denotar que esse algo não é visto por todos com bons olhos, precisando-se criar um dia de consciência. Mas, independente dessa visão, constata-se os fatos e tenho certeza que muitos "ups" sorriram mais hoje e se sentiram mais fortes.
Afinal de contas, não é tão importante o fato de ser necessário um dia oficial para se discutir certos aspectos sociais, mas importa muito mais que exista hoje tal preocupação e motivação para empreender transformações.

"Impossível é uma palavra grande inventada por uma porção de gente pequena" Ch. Brown Jr.

Manuella Mirna

segunda-feira, 5 de março de 2012

Contando letras, escrevendo números

Se há algo considerado irreconciliável são as letras e os números.
Eu mesma sempre acreditei nisso...
Hoje, certas teimosias me mostraram como ter um pouco mais de carinho e atenção. Vi nas letras e nos números um verdadeiro caso de amor, um metafórico caso de amor...
A matemática tem quatro operações básicas, que se relacionam de tal forma entre si e com todo o grande conjunto dos problemas matemáticos, que não conseguimos fazer uma sem a outra... não somamos sem diminuir algo, não dividimos sem multiplicar, não diminuímos sem dividir... e assim se vai também pelas linhas da vida...

Em se falando de letras, tomo aqui a poesia. Ela também contém operações básicas de abertura, mas, diferente da matemática, não há uma resposta exata, mas a infinita possibilidade de extensão delas. Bem, essas operações podem até se apresentarem isoladamente, mas só são realmente válidas quando unidas a outras mais. E é na união de todas elas, na tensão de todas elas, que achamos as letras ocultas que encantam sem cessar.

Então, imaginem um espaço, de letras e números, em que tais operações estivessem sendo feitas, em perfeita ebulição, com conflitos entre si... até que o auge de percepção de suas existências no espaço é dada pela tensão que passa a ocorrer entre os dois polos.

Na poesia, dizemos que por trás de uma tensão está uma bela harmonia poética, só mais difícil de ser encontrada e compreendida... A tensão contém uma chave... sabendo abri-la, o resultado é surpreendente e eternamente alimentável em si mesmo.

Essa tensão, numérica ou poética ou de qualquer outro tipo de especialidade, a partir de um certo nível, só é compreendida para quem está apto a decifrá-la... Quem sabe fazer isso se mostra pronto para ir do PF (prato-feito) ao banquete na ponta da mesa. E mais importante, ele sabe quando encontrou o banquete, mesmo com tantas nuances e mistificações de outros pratos... Ele sabe pegar a chave e pode abrir a tensão.


Os números e as letras só são entendidas assim por poucos, raros, e mal vista por muitos.
Nisso existem mil metáforas para o sentimento: as muitas características que compões alguém, tal como as operações, ajudam a conhcê-la, te tal forma que com os jeitos, olhares e nuances dela, e somente dela, é que se pode ir decifrando-a, aos poucos, mas continuadamente.
E então, entre duas pessoas, diferentes, confrontantes, tal como as letras e os números, se descobrem pontos únicos e mágicos, aparentemente irreconciliáveis, mas perfeitamente encaixáveis. Até que se percebe que as pequenas divergências alimentam o interesse, para não se deixar perder tal relação rara. E as convergências, que se acreditava não existir, mas são muitas, provam a afinidade um do outro, impedindo a fuga quando a tensão se fizer presente. No no fim, só sobra a inevitável união...

Então, fugir da tensão inevitável entre qualquer bela diferença é perder o espetáculo que se segue, sempre pronto a abrir-se em mil significados.
Letras e números: você calculando minhas linhas, eu escrevendo teus cálculos: Nós, inventando nossa forma de amar.

Manuella Mirna

domingo, 4 de março de 2012

Verde e vermelho...

No corre-corre do dia a dia, nós engolimos muita coisa sem mastigar, e rejeitamos muito também sem provar. Deixamos descer goela à baixo o conhecido e aparentemente melhor, expurgando o desconhecido ou intrigavelmente incomum.

Em palavras curtas, somos bobos e medrosos.

Quantos acordes de escalas diversas perdemos de desfrutar por escolher aquele testado mil vezes, ou que te testou tanto que você não quis mais arriscar.

Céus, penso o que teria sido da música se todos tivessem sido convencionais e pouco confiantes. Se não tivessem dado chance à vida se de expressar através dos seus sentidos. O que teria sido de nós se mais ninguém coordenasse nossos sentidos, que não o cômodo e o passivo.

Sabe, só se sabe que o verde é verde porque se tem o vermelho. Assim é com o Sol menor e o Lá maior da escala de Dó. Assim é na vida. Só se existe em função da diferença, das incongruências tão perfeitamente traçadas. Eu não seria eu se não existisse você. E o que me representa não me serviria se não tivessem as suas coisas. E assim é também para você.


Eu quero continuar sendo eu, e me diferenciando de você. Eu quero que exista verde e vermelho, Sol menor e Lá maior, e todas as cores e acordes mais que forem necessários.
Eu quero que exista algo mais do que o que conheço, vivencio, confio. Quero que exista mais do que o chão que piso, a cor que colore meu quarto e a música que tanto ouço. Quero mais que o meu e o seu, e também quero os dois, o meu e o seu:


A aventura da vida é querer sair do arroz e feijão... Por mais gostosos que sejam, é bom também um baião de dois.
Eu quero saborear o mundo. Meu mundo, e mais isso ou aquilo.
E conhecer para sentir mais. Do mesmo e do novo.
Sentir mais e conhecer de novo. Do mesmo e do novo.
Saber do mesmo e do novo, e saber escolher o que me apetece.

E o certo é que não sei o que virá.
Só posso te pedir que nunca se leve tão à sério. Mas também não se deixe levar.
É, porque a vida é parte do mistério; decerto ela pede para ser desvendada todos os dias... Mas não é bom viver só de mistério, como não é de arroz e feijão somente.

Lembre-se de você e de mim, e do comum e do intrigável, conheça, sinta, desvende... Mas faça as suas escolhas.
Sair da redoma segura dos seus mandamentos e sentimentos contidos não quer dizer se perder na imensidão do universo, quer dizer achar a medida certa para você, a escala que você mais gosta, a cor que mais te deslumbra. Quer dizer ver melhor a mim e a você.

Manuella Mirna

sábado, 3 de março de 2012

50%

Outra vez, um filme.
É, como se diz por aí, a vida imita o filme ou o filme imita a vida... Bem, dos dois jeitos me parece interessante. Mas neste caso, se a vida imitar, em parte, o filme, seremos bem melhores que agora.

Para quem não sabe, 50/50 é um filme que conta a história de um jovem de 27 anos que, em um momento um tanto sem graça de sua vida, é "agitado" por uma novidade, um câncer raro do qual ele tem 50% de chance de curar-se, ou seja, 50% de chance de morrer.
Bem, sendo bem objetiva, ele teria todos os motivos para desesperar-se... Mas sabe, por alguma razão, ele se manteve firme... Só teve uma crise, na madrugada anterior à cirurgia que definiria sua vida, já que a quimio não tinha surtido efeito.

Não irei contar a história dele aqui, nem pretendo ser crítica de cinema, apenas digo que - talvez eu perca um pouco pela comparação generalista - como toda coisa boooa da vida, nem tempo se gasta para assistir.

* Em coisas boas, a gente investe tempo. E com as coisas - por favor, estenda essa palavra - impagáveis e insubstituíveis, a gente tem o privilégio de não contar o tempo... *

Mas então, pela mesma razão já aqui irreconhecida, ele consegue ir retomando a rédea e o sentido de sua vida no meio do caos que vivenciava com seu câncer...
Ao fim, o jovem sai vivo e bem da cirurgia.
Depois de transcorrido alguns dias da recuperação, uma pessoa chave na sua vida, durante a doença e daquele dia em diante, faz a seguinte pergunta final do filme: "E agora?"

E como não podia deixar de ser, jogo no ar: E agora?
O que vem depois?
...
O que veio antes?
...
Importa?
...
O que fazer?
Parar, repensar?
Será que se foge disso?
Ou não?
...
E aí?
Como viver de hoje em diante?

Não quero responder a isso tudo, não me reservo tanta audácia...
Talvez poderia me atrever dar unas dicas atemporais:

- não parar necessariamente, mas repensar.

- não ser impiedoso, mas queimar tudo que atravanca o seu caminho, os seus sentimentos e você enquanto realidade e projetos.

(não repita isto em casa, ok?! O "queime" é metafórico!)

- não fazer alarde sobre, mas fazer de uma vez por todas aquilo que você quer e sabe que deve tentar.

- não vai ser fácil, mas sorria.


Principalmente quando nada parece fazer sentido, quando você estiver cansado de insistir, quando não estiver encontrando as respostas... Sorria. Vai ser gostoso. Isso vai te ajudar a cumprir um importante passo:

- cruzar o rio! Mudar de fase, derrotar algum temido chefão. Passar de uma margem a outra e perceber que também há felicidade do outro lado do rio para você.

Ah, já ia esquecendo, enquanto à razão irreconhecida pela qual ele sempre viveu e vivenciou seu câncer... acredito que cada um a nomeou segundo o sentido que faz para si... eu a chamo Sonho.

E lembrando, sem fugir do clichê, que cabe a nós as escolhas sobre nossa vida.

E agora?

Manuella Mirna

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sunrise


... E como é bom saber que o Sol vai nascer de novo... amanhã... outra vez.



M. Mirna

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Precisa-se de Heróis

Definitivamente, precisa-se de heróis. Nós precisamos.
Já tivemos de todos os tipos, épocas, credos e nacionalidades: Jesus Cristo, Buda, Gandhi, Mater Luter King, Mandela, Abraham Lincoln, Pelé, Ayrton Senna, Lula... Cada um desses marcou a humanidade de alguma forma. Em proporções diferentes, claro, mas deixaram suas mensagens e sua assinatura na mente coletiva.

Infelizmente, de uns anos para cá, tenho ouvido que o mundo precisa de mais heróis, que esta atual juventude é acomodada e passiva, que ninguém acredita em ninguém, e outras coisas mais que parecem ter ajudado a enviar os heróis para o mundo perdido de Atlântida.
É, ouve-se muito por aí...
Mas, talvez, as coisas não estejam tão remotas assim, talvez o herói não seja só um mito romântico das mentes de humanos ingênuos... talvez eles só precisem ser observados pelos nossos olhares desatentos, gulosos e individualistas do dia a dia.

Bem, trago um exemplo discreto pra vocês. Vi no jornal uma história:

Dia 30 de dezembro de 2012 estava chovendo muito em Minas Gerais... Em BH as ruas alagaram-se e houve várias enxurradas... Numa delas, Dona Cláudia perdia as forças para segurar o carro e não deixar a água levar ela e seu neto pequeno, e surdo, que não conseguia entender muito bem o que se passava.
Daí o pedreiro, Charles Pereira da Silva, avistou a aflição e foi socorrer os dois.
“Tinha uma mulher dentro de um carro, depois que eu tirei o rapaz de dentro do primeiro. Ela levantou a criança, eu vi a criança, e aí não teve jeito de não ir. Eu pensei nos chiquinhos que eu tenho em casa. Chiquinhos são meus sobrinhos”, disse Silva, que tem 13 sobrinhos.
Dia 2 de janeiro de 2012 eles se reencontraram, para agradecerem depois do sufoco...
“Se não fosse pelo Charles eu poderia estar morta. Eu estava perdendo a força. Tinha que segurar o volante com uma mão e sinalizar para o meu neto, que não escuta, o que estava acontecendo”, disse Cláudia. O pedreiro ainda resgatou outra pessoa no mesmo local, na Avenida Bernardo Vasconcelos, Região Nordeste da capital.
Charles Pereira da Silva disse que ganhou um presente antecipado. “Estou feliz só de ver eles vivos e bem. Faço aniversário este mês e esse é o meu presente. Com certeza, ganhei novos amigos”.



É, parece que a lenda não está tão longe. Simbolicamente, 2011 ia terminando num sufoco para Cláudia e seu sobrinho, mas, por ainda existir flores no asfalto, como diria Drummond, 2012 começou sorrindo... E aí não só para eles, mas para todos nós. Como uma flor de esperança plantada no coração.

Acreditar. É isso que não se pode deixar.
Deixar de ser o figurante passivo. É isso que se precisa tentar.
Ser herói(na). É essa a meta de hoje, para amanhã, e todos os dias.

Manuella Mirna

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Aparência

"Aparência é a corporificação expressiva e temporária de uma personagem existente, na personalidade que não existe" (Dr. Marco)


É. Aparência é o que não é!
É uma coisa esquisita. Aparência reúne sentimentos e ações que a maioria das pessoas repudiam, outras correm atrás... Vai entender né?!
Mas, no que eu acho que todos concordamos é que quando somos aparência ou agimos com ela não somos a parte mais importante de nós mesmos. É, porque eu acho que todos concordamos que a parte mais importante, embora seja também importante, não é a aparência.

... Esses dias, tive situações desagradáveis em que vivenciei a aparência. E foi quando notei que essa palavra diz mais do que ela parece dizer. Ela pode dizer demonstrar o que não se sente ou sentir e não se demonstrar! Essa última me parece mais difícil.


Fomos condicionados durante a vida a não mostrar o que sentimos ou quem somos, pelo menos não na íntegra. Pois, agindo com reservas estaríamos nos guardando do indesejado sofrimento de não sermos aceitos, vistos ou correspondidos.
Assim, as pessoas aprenderam a não dizer quando sentem afeto ou mostrar bem menos do que realmente sentem. Aprenderam a ser políticas e polidas... Em geral, aprenderam a ser superficiais. Nada de muito profundo, nada de muito íntimo, nada de muito EU ou VOCÊ. Aprenderam que sofrer é para os fracos e que os espertos não se envolvem. Aprenderam a fazer relações à base de vidro e parafina. Frágil combinação, como medo e egoísmo.


Esses "ensinamentos" fazem parte das dicas de vida diárias de milhões de pessoas. Talvez seja por isso que estamos na ditadura da beleza e não da verdade. Talvez seja por isso que os relacionamentos estão cada dia mais relâmpagos ou durando com o comodismo. Talvez seja por isso que a publicidade tem faturado bilhões vendendo mulheres perfeitas, produtos mágicos, psicólogos movidos à bateria, solidão à banda larga e sexo à primeira vista, e só vista mesmo. Talvez seja por isso que os psicoterapeutas estão tratando cada vez mais de pessoas que apenas precisam conversar e dividir suas verdades. Talvez seja por isso que a verdade dói, a sinceridade assusta e os sentimentos foram trancafiados numa caixa por medo que seus donos têm do sol.
Como Caetano diz, "Narciso acha feio o que não é espelho" e o ser humano teme o que não lhe é recorrente.

Tudo bem, tudo bem, eu sei... Ninguém quer se expor, ninguém quer sofrer e ser o melhor que possa para depois ser passado para trás na primeira oportunidade. Mas só acho que devia ser incluído nas dicas de vida diárias que os melhores momentos, oportunidades e pessoas são vivenciados com alguns riscos, e alguma coragem e ousadia... Além disso, acho que todos preferimos vivenciar verdadeiras emoções do que não vivenciar ou, pior, ter emoções inventadas. Até onde pude checar o ser humano tem alma, e não uma máscara de tragédia/comédia grega no lugar dela ou um vidro preto e oco no lugar do coração.


Então o lema é: seja verdadeiro. Medo? Tenso? Bem, me ensinaram a perceber esses dias que há outras formas de entender ser verdadeiro. Como tenho dito, a maioria pensa que é sinônimo de ser um "otário". Mas depende de quem você seja e no que acredite. O que quero dizer é que, quando você tem certeza de pelo menos alguma parte de você - já que o processo do auto-conhecimento requer uma vida inteira - e de pelo menos algumas coisas em que acredita, você até teme, como todos, mas age com coragem em ser você mesmo. Pois nada nem ninguém vai pôr a perder essa joia verdadeira que você tem. Por mais mesquinhas ou imaturas que sejam as pessoas que pisem na sua verdade, ela não será diminuída ou apagada. Porque, afinal de contas, ela é você. E você não é uma folha de papel manteiga que possa ser facilmente esmagada e jogada fora.

Conclusão: não tema sentir e demonstrar o que sente, e não demonstre o que não sente.
Por que? Porque nós temos o direito de vivenciar as coisas boas que somos e desejamos. Porque ninguém consegue mentir pra se mesmo e ser feliz. Porque nada pode abalar a melhor parte de nós. Porque, não é só direito, temos o dever de vivenciar a vida com toda a mágica que ela possui, aparte de toda adversidade. Porque se o que todos buscamos é a tal da felicidade, não dá para ser feliz sendo e sentindo pela metade, ou uma metade que nem sequer existe.

Como a gente conversou no começo, a aparência sufoca a parte mais importante de nós: a essência. Não se trata de soltar a fera que há em nós, não, pois no texto anterior a gente fez um pacto de melhora em 2012... ;D Estou falando daquela parte que até nós mesmos nos surpreendemos quando pomos em prática, a bela e corajosa parte de Ser, você...

Então, faça um favor pra você:

(mantenha a calma e siga em frente)

Manuella Mirna