domingo, 29 de julho de 2012

Ciúme: o tempero do relacionamento??!

E por que não falar de ciúme? Tempero para a maioria das pessoas, vício para todas elas, mas um verdadeiro veneno, que impossibilita a construção de "um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida..."

Sendo bem objetiva: de que relacionamento as pessoas acreditam que o ciúme é tempero? Só se for dos fracos e imaturos que não se sustentam com confiança, leveza e carinho.
Ciúme é fraqueza, não força, como pensam alguns. 
Ciúme envenena os relacionamentos, castra a segurança e mata a confiança.
Aos cimentos, digo que não se justifiquem na força ou no direito de "cuidar do que é meu". Em vez disso fortaleça sua auto-confiança, compre algum objeto e chame a ele de "meu".

Por outro lado, se a pessoa com quem você está não te deixa segura, não construiu ao redor de vocês um território confiável, que te impeça de desconfiar dela, tome uma atitude. Mas não seja ciumento. Aja com cuidado, em nome do voto de lealdade entre vocês. Pois um relacionamento, qualquer que seja ele, traz consigo, inerentemente, o compromisso da lealdade e da fidelidade, para que se construa a confiança sólida dos bons relacionamentos. E você tem direito a fazer perguntas, mas confiante e serenamente, e somente em nome desse voto de lealdade entre vocês.

Se você sabe - com algum esforço em admitir -  que a pessoa que diz te amar, não dá importância para outras pessoas, mas não deixa te "dar trela" a elas, é porque ela sofre do mal do egocentrismo...
Pessoas egocêntricas não pensam nos outros antes de agir, amam mais o ego do que o próximo, são egoístas e vaidosas. Saem "metendo os pés pelas mãos", fazendo suas bobagens sem pensar em quem dizem amar, a quem, teoricamente, devem ser fiéis e leais, ou seja, tendo a sinceridade de contar o que sente, o que anda fazendo e se quer terminar o relacionamento ou não.

Se você conhece uma pessoa egocêntrica assim, que ao seu lado diz amar, mas não pensa em você antes de fazer as bobagens dela, acredite, não vale a pena estar com ela.
E quanto a você, egocêntrico(a), que diz gostar do parceira(a), mas mesmo assim dá corda para outras(os), ou então, empurra seu relacionamento com a barriga, por não conseguir terminá-lo, e acaba se envolvendo com outras pessoas: coragem criatura, você quer olhar no espelho e ver um covarde?

Manuella Mirna

sábado, 21 de julho de 2012

Desculpe... Mas não há com que se preocupar

Desculpe, amor, eu não sei...
Eu não sei jogar bola, nem lutar karatê - sou desastrada mesmo
Não cozinho bem e ás vezes perco o ritmo - mas faço nosso doce e componho nossas canções
Eu não curto sushimi e não gosto de ar condicionado - gosto do calor, do aconchego e do teu peito
Não jogo diablo 3 e não tenho bons reflexos - mas sei bem de outros detalhes
Eu não faço poesia concreta e não sou super fã de caetano veloso - me concentro mais nas coisas invisíveis aos teus olhos
Não sou boa com datas, nem horários, quase sempre ando atrasada - mas aprendi a Viver o tempo, e contá-lo menos
Corro demais e penso demais - é como eu entro em órbita
...
Eu sei, eu não sei ser menos. Não sou simples, nem convencional.
Eu não ser outra coisa que não eu, nem você sabe ser menos você. Admitamos, somos teimosos. 
Mas pretendo ter menos ferpas e menos espinhos, menos disparos perdidos e provocações sem sentido, sem deixar de ser eu. 
Esse e o objetivo da existência, sermos o melhor de nós mesmos.
...
Meu bem, não se preocupe, eu sempre vou tentar nos descomplicar, por mais que seja uma tarefa no mínimo intrigante, eu nos desafio a isso. 
Não, não vinque a testa, eu sempre vou deixar fluir, por mais que nossas águas sejam torrenciais e saim derrubando tudo e inclusive uma a outra, eu te prometo, a gente se junta no final, e os dois vencem, porque se encontram, se reverenciam, se misturam, se influenciam e se fortalecem mutuamente, no mar. 
Então, não há motivo para se preocupar. Não há problemas, há ondas de mar: elas se batem e batem na gente, assusta, ao primeiro choque, mas há como driba-las, há como mergulhar com calma nelas, há como dois rios se entenderem nelas, há como haver nós dois.

Manuella Mirna

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Pele, alma e papéis

Penso demais?
Você não iria querer me ver, se eu pensasse menos,
se eu falasse menos, se eu risse menos ou mais, se eu dissesse só o que você quer, se eu fosse só o que a tua personalidade inusitada me influi...
Quem seria eu?
Eu não seria!
Talvez uma garota um pouco bonita e um tanto simpática, disposta e exata.
E só.
Não seria eu...
Não seria eu, assim, nas tuas próprias palavras: sem minha bolsa de bolinhas e meus hashis que uso pra prender cabelo... sem meus livros não lidos e meus cds antigos... sem minhas arestas a reparar, sem meus olhos de espanto e meu riso de constrangimento... sem meus comentários nerds - totalmente fora de hora - ou as curvas do meu pensamento - essas não conhecem hora... sem meu malabarismo com meu tempo ou minha cabeça cheia: de fronte séria à primeira vista, serena à segunda, enigmática à terceira... sem meu lado ostra e meu sorriso secreto, nem minhas linhas e acordes... Nada disso que você gosta em mim, nada você veria. Nada eu seria.
Você me quereria?
...
Se eu pensasse menos não seria nada de mim... Eu, em pele, alma e papéis.
Eu seria mais ou menos: 'Exata, ao seu dispor'.
E mais ou menos, meu bem, não me desculpo, eu não sou!

Manuella Mirna

Carne, alma e piano

Às vezes, eu queria ouvir só meu pensamento...
Quando ele idealiza nossos momentos, e diz o que eu queria ouvir de você...
Mas não queria sempre.
Eu gosto das tuas palavras, dos teus argumentos, paramentos e ornamentos; e até gosto da tua voz, dos teus tons, dos teus timbres... e do que você diz ao piano... gosto do teu não... mas gosto muito do teu sim.

Às vezes, só às vezes, eu queria deixar meu pensamento falar por você.
Talvez fosse bom, seria pronto e sempre doce, seria conto de fadas...
Mas não seria você.
Quando é você, teu compasso encaixa no meu samba, com todo jeito e trejeito sem medida; quando você diz o que eu quero ouvir, não é doce... mas tem todos os gostos, tem ar de mogno... é macio e firme como teu peito, cintila como as teclas de um piano amadurecido pelo tempo... é como tem que ser: é você!

É melhor do que meu pensamento sobre você. É real, e gosto do real, dessa sintonia dissonante que há entre eu e você...
Ah, eu não troco isso nem por um romance happy ending com você, nem pela trilha sonora de um musical de jazz antigo; não troco por nada que não seja você: em limite e derivada, em verso e prosa, em grave e agudo, em sintonia e dissintonia... você, em carne, alma e piano!

Manuella Mirna

domingo, 10 de junho de 2012

...O cachimbo é de ouro

Domingo: um pingo na janela, um sorriso à espera, o sol que ameaça não vir. 
Domingo com cara de chuva, domingo com gosto de lua e cheiro de mato. 
Domingo... se te pedem que vá embora, eu te peço pra ficar: entre, saia da espreita, espreguiça naquela almofada, macia e cor de casa, como tu. 
Vem, domingo, espia comigo o bolo de ameixa, bebe um gole de café, conta tuas histórias de terra à volta da mesa, sem pressa de passar... se mostre, tira teu casaco, que amanhã é segunda-feira, e enquanto ela não chega, se acomode em ficar.


Manuella Mirna

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Indizível

Há momentos que deixam até escritora sem palavras...
O que dizer então, senão que sou apaixonada por você em verso e prosa; em cada rima e ritmo; em cada parágrafo; em cada palavra que te caracteriza, te faz ser, não ser e sugerir infinitas possibilidades; que sou apaixonada por você em cada metáfora que tenta te descrever sem sucesso, explicando o indizível...
Mas principalmente, sou apaixonada por você nas palavras que não são ditas, aquelas que só os teus olhos podem me dizer, e só a mim.
E é no brilho do teu olhar que eu encontro o que nem as palavras podem dizer... Ainda bem.

Manuella Mirna

Nossa eternidade

Eu nunca vou saber inteiramente quem és, 
Mas para mim basta que sejas. 
Eu soube,
"Somos eternos por sermos finitos." 
É assim com os momentos. 
Com os nossos momentos.
Mas mesmo que eles sejam breves, 
Eu procurarei outros, 
Para preencher toda a extensão dos nossos dias, 
Os de agora e os de amanhã.
Porque no nosso mundo, te vejo entrando por um tapete, linda, enquanto eu te espero para ficar comigo; te vejo dormindo enquanto penso que não precisa esforço para me apaixonar por você todos os dias; vejo nossas brigas quase inevitáveis serem esquecidas facilmente, e às vezes não; me vejo feliz amanhã e em todas as minhas memórias futuras, onde você está; te vejo declarar o amor de várias formas, principalmente sem nenhuma palavra; e sei que vou estar bem, mesmo na confusão que somos nós, sem esperar pelo momento seguinte, porque não contamos as horas quando há felicidade.


Manuella Mirna

O que é mesmo?

Muitas vezes o que se acha ser prudência é medo. 
Tantas vezes quem você acha que combina com você é um quadro sem profundidade. 
Inúmeras vezes você espera pelas próximas oportunidades, pelo ano que vem, pelo tal momento certo...

Mas quem dirá o momento certo se você não sai do lugar? 
Quanto se tem que esperar até a próxima chance? 
Quem dará o primeiro passo senão você mesmo?


Manuella Mirna

O amor é filme...?

"O amor é filme..." e o filme ensina que a gente só é feliz quando somos nós mesmos. 
Amar é ser finalmente você. 
Nunca forcem uma compatibilidade perfeita. Nem sempre o que parece perfeito o é. 
Amor é algo que não se testa, se sabe, se sente quando se encontrou.


Manuella Mirna

Rasgando o embrulho

Há um provérbio chinês que diz que o passado é história, o futuro mé sonho e o presente, como o próprio nome diz, é um presente de Deus. 
Devíamos tratar nossos dias assim... 
As crianças pegam um presente, rasgam o embrulho com entusiasmo e passam o dia agarradas com ele. Os adultos perderam essa sensação. 
Se todos fossem crianças ao abrir o presente diário, que é a vida, todo dia, ao nascer do sol, haveria mais sorrisos no mundo.


Manuella Mirna

terça-feira, 24 de abril de 2012

O fantasma se rende

... Seu argumento era a distância de volta a Goiânia e seu filho a ser operado.
Perguntei sobre Goiânia - detalhes que um nativo saberia; perguntei de seu filho, a doença dele e o olhar do menino frente a tudo isso - paisagens que só um pai saberia.
Parei aí.
Ele soube tudo me narrar, com a fidelidade de uma criança, com a proeza de um nativo, com o olhar amoroso e dolorido de um pai.
Sem chance para uma parte de mim. Aquela parte, que atende por 'fantasma da minha desconfiança', que me assombra por vários segundos, que sempre me ameça perder o mais belo e singelo da vida... ela, se convenceu e deixou a mansão por um belo instante, talvez sem hora pra voltar, quem sabe talvez não volte... ainda bem!

Manuella Mirna

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Em qual fila entrar?

Ví esta notícia já há um certo tempo, mas, por alguma razão, ela ainda é atual e será por um bom tempo, imagino:

"15/12/2011 20h47 - Atualizado em 15/12/2011 20h48

Usuário sai de casa sete horas antes para garantir iPhone 4S

(fulano) já espera para comprar o aparelho em São Paulo. Novo iPhone começa a ser vendido à 0h desta sexta-feira (16).

Ele diz que tem um iPhone 4, mas só conseguiu comprar o aparelho uma semana depois do lançamento no país, porque já havia esgotado. Com o iPhone 4S, ele afirma que não quis correr esse risco. O desenvolvedor diz ter vários aparelhos da Apple: um MacBook Pro, um iPad 2, um iPod Nano e um iPhone. Além disso, (fulano) relata ter comprado um smartphone com o sistema Android, do Google, há três meses. “Vou vender assim que comprar o iPhone 4S, porque ele é muito lento”, disse."

É né... Boa motivação.

Ok, isso não foi uma ironia.

Não sou contra a tecnologia, não saio por aí dizendo que devemos voltar à tv preto e branco, ao teleférico ou mesmo às cavernas. Não.

Cada época histórica tem seu desenvolvimento e é bom que seja assim. Muitas boas mudanças são feitas na vida individual e em sociedade por conta da tecnologia, e de qualquer outra forma de avanço.

Mas não nego, achei no mínimo curioso a motivação, a espera, a pressa, a necessidade...!!! Nunca imaginei que pudesse ser tão normal e aplaudida a nossa dependência sobre os brinquedinhos modernos.

Também não escondo o espanto quando lí "usuário". Palavra comum né?! Mas que me lembrou a expressão "usuário de drogas". Tudo bem, desculpe se estiver exagerando, mas me parece que nós passamos, sem perceber, de cidadãos para consumidores para "usuários" (viciados em novidades de consumo hi-tech).

Não quero boicotar os iPhones, smarts, tablets, ou seja lá o que venha... Só me chama atenção a espera ansiosa que se vê por aí pelos apetrechos tecnológicos; e a fila formada para a compra do iphone da notícia; e a lotação que ví durante a primeira semana da loja da Apple, aqui, no shop Recife; e a certa competição que vejo pelas ruas, do tipo "nossa, esse seu mp3 é uma relíquia, vê só esse meu mp16..." (não quero nem pensar o que ela diria do meu celular!). E muito mais me assombra o fato oculto a tudo isso: a segregação social de quem não tem acesso à alta tecnologia.

Infelizmente, isso não é um tema de redação de vestibular somente, não pára nos estudos para o Enem ou nas discussões clichês de época de campanha, é uma realidade: o desenvolvimento tem criado vários lados da mesma moeda, um deles é, sem dúvida, o aumento das diferenças e preconceitos sociais.

Não vou inflamar mais um texto, aqui é mais uma conversa de jardim... Para que nós todos pensemos um pouco mais na parte de SER humanos, para que a gente não automatize os nossos atos, se deixe levar pelos desejos da multidão, pela opinião do senso comum, pelos ditames do mercado... Para que a gente não perca o questionamento natural da parte de sermos seres PENSANTES, para que não vire modismo o "não-diálogo", para que não seja tachado de "viajado" aquele que levanta o dedo e diz não concordar.

Não acho que boicotar a hi-tech seja a solução. Mas acredito que precisamos ir menos pelas marcas, modas, marketing e coisas do tipo; que precisamos perceber os limites aceitáveis de cada situação: até onde é saudável um "luxo" e até onde esse "luxo" virou nossa prioridade, até que ponto ele nos determina, define e completa... Somos mais ou menos por sermos Nike, Apple ou Volvo? Acho que não.

Fica a dica: se fôssemos um poco mais competitivos e influenciáveis para ouvir mais o outro, ter mais paciência, sermos mais gentis, sentir mais, compreender mais, fazer mais e melhor... Enfim, se fôssemos alvos-fáceis também para pegar a moda do bom exemplo, no dia de amanhã o Sol brilharia mais forte e os sorrisos seriam menos materialistas, seriam dados sem medo ou pretensão, seriam dados de graça.

Manuella Mirna

quinta-feira, 22 de março de 2012

O dia de quem é "Up"

Pela primeira vez, o dia mundial da síndrome de down está sendo celebrado nas Nações Unidas!!

É sim!
Talvez isso não seja grande coisa para a maioria de nós, talvez... Mas é uma enorme conquista para a sociedade e para os "ups" que, como todos, desejam e lutam pelo sua respeitada e merecida parte na ordem das coisas.

As conquistas nossas de cada dia são difíceis e nos fazem vacilar, cansar, chorar algumas vezes... é sim, não é fácil. Mas não é impossível. E temos grandes exemplos disso ao nosso redor, como, por exemplo, os ditos deficientes de síndrome de down.

Aliás, acho realmente detestável esse nome. Acredito que ninguém goste de ser identificado pelo sobrenome de um médico que descobriu os efeitos de um cromossomo extra no corpo humano... "deficiente, com distúrbio, portador de síndrome', são nomes muitos grandes, feios e complicados para seres humanos incríveis e capazes, até mesmo com uma capacidade de amar, muitas vezes, maior que a da maioria.

Mas enfim, hoje foi um dia de vitória: de alguma forma, por mínima que seja, mostra-se que as diferenças, os preconceitos e as segregações estão diminuindo e ganhando força para reflexões sérias, públicas, oficiais e mundiais.

O mercado está mais aberto para essas diferenças, o ensino está mas pronto e receptivo, as pessoas estão mais instruídas... mudanças lentas, feitas principalmente por se estar vencendo a ignorância, mas são mudanças, e boas.

O fato de haver um dia mundial em favor de algo, para alguns, pode denotar que esse algo não é visto por todos com bons olhos, precisando-se criar um dia de consciência. Mas, independente dessa visão, constata-se os fatos e tenho certeza que muitos "ups" sorriram mais hoje e se sentiram mais fortes.
Afinal de contas, não é tão importante o fato de ser necessário um dia oficial para se discutir certos aspectos sociais, mas importa muito mais que exista hoje tal preocupação e motivação para empreender transformações.

"Impossível é uma palavra grande inventada por uma porção de gente pequena" Ch. Brown Jr.

Manuella Mirna

segunda-feira, 5 de março de 2012

Contando letras, escrevendo números

Se há algo considerado irreconciliável são as letras e os números.
Eu mesma sempre acreditei nisso...
Hoje, certas teimosias me mostraram como ter um pouco mais de carinho e atenção. Vi nas letras e nos números um verdadeiro caso de amor, um metafórico caso de amor...
A matemática tem quatro operações básicas, que se relacionam de tal forma entre si e com todo o grande conjunto dos problemas matemáticos, que não conseguimos fazer uma sem a outra... não somamos sem diminuir algo, não dividimos sem multiplicar, não diminuímos sem dividir... e assim se vai também pelas linhas da vida...

Em se falando de letras, tomo aqui a poesia. Ela também contém operações básicas de abertura, mas, diferente da matemática, não há uma resposta exata, mas a infinita possibilidade de extensão delas. Bem, essas operações podem até se apresentarem isoladamente, mas só são realmente válidas quando unidas a outras mais. E é na união de todas elas, na tensão de todas elas, que achamos as letras ocultas que encantam sem cessar.

Então, imaginem um espaço, de letras e números, em que tais operações estivessem sendo feitas, em perfeita ebulição, com conflitos entre si... até que o auge de percepção de suas existências no espaço é dada pela tensão que passa a ocorrer entre os dois polos.

Na poesia, dizemos que por trás de uma tensão está uma bela harmonia poética, só mais difícil de ser encontrada e compreendida... A tensão contém uma chave... sabendo abri-la, o resultado é surpreendente e eternamente alimentável em si mesmo.

Essa tensão, numérica ou poética ou de qualquer outro tipo de especialidade, a partir de um certo nível, só é compreendida para quem está apto a decifrá-la... Quem sabe fazer isso se mostra pronto para ir do PF (prato-feito) ao banquete na ponta da mesa. E mais importante, ele sabe quando encontrou o banquete, mesmo com tantas nuances e mistificações de outros pratos... Ele sabe pegar a chave e pode abrir a tensão.


Os números e as letras só são entendidas assim por poucos, raros, e mal vista por muitos.
Nisso existem mil metáforas para o sentimento: as muitas características que compões alguém, tal como as operações, ajudam a conhcê-la, te tal forma que com os jeitos, olhares e nuances dela, e somente dela, é que se pode ir decifrando-a, aos poucos, mas continuadamente.
E então, entre duas pessoas, diferentes, confrontantes, tal como as letras e os números, se descobrem pontos únicos e mágicos, aparentemente irreconciliáveis, mas perfeitamente encaixáveis. Até que se percebe que as pequenas divergências alimentam o interesse, para não se deixar perder tal relação rara. E as convergências, que se acreditava não existir, mas são muitas, provam a afinidade um do outro, impedindo a fuga quando a tensão se fizer presente. No no fim, só sobra a inevitável união...

Então, fugir da tensão inevitável entre qualquer bela diferença é perder o espetáculo que se segue, sempre pronto a abrir-se em mil significados.
Letras e números: você calculando minhas linhas, eu escrevendo teus cálculos: Nós, inventando nossa forma de amar.

Manuella Mirna