Ontem, tu de novo cruzaste o meu passo.
(Não te culpo, é mania da vida me pôr à prova para me fazer uma ninja mais hábil.)
Meio semblante teu foi o suficiente para me mostrar que minha nuvem nublada não se foi por completo.
A tarde veio com parte do peso de uma terça-feira de despedida.
Mas hoje, quando eu acordei pela manhã, tudo estava lá.
O sol brilhava como era muito tempo antes e a luz indiscreta pela janela me fazia sorrir.
As pontes tinham um colorido que eu sentira falta todo esse tempo.
Minha serenidade - que tem andado tão vacilante - quis vir outra vez.
Com algum esforço - mas ela ainda virá por completo.
É, parece que tudo estava lá novamente.
Com quase o mesmo brilho que costumava ter antes de eu começar a viver nossos capítulos em vermelho, preto e cinza.
Querendo se mostrar pra mim depois de eu rememorar mil vezes as linhas em cinza, tentando entender as linhas pretas, para (esperançosamente e iludidamente) não apagar as em vermelho.
Tudo brilhava genuinamente - talvez não com o mesmo fulgor e magia, ainda, mas brilhava.
E eu queria sentir aqui a plenitude que a vida me descortinava.
Ela fazia isso com tanta gentileza, como se fosse um espetáculo sucesso de bilheteria que só eu não fui ver.
Eu queria, queria muito.
E embora não conseguisse por completo, estava agradecida por conseguir ver algum brilho e algo da magia.
Uma parte de mim, naturalmente já via esse brilho - talvez cansada de sofrer tanto pelo que já não era mais (e talvez nunca tenha sido).
Mas infelizmente, eu sentia uma estranha dor em minhas células por entrever a primeira vez em tanto tempo essa magia de novo.
Acho que parte de mim não queria encerrar o capítulo, se recusando a aceitar as últimas páginas que se escreveram sem minha permissão.
Pois eu sabia que se aceitasse eu teria de lidar com o fato de que você não voltaria; e ver, ainda que pela fresta da janela, o brilho e a magia dos dias, novamente, era como se a vida me provasse que podia muito bem continuar a existir sem você, e eu não queria isso.
Os pés de pássaro que dançam balé, passaram tempo até demais sem fluir com a mesma graciosidade, mas pareciam voltar naturalmente a voar e dançar, sem o pesar daqueles dias.
Mas meu olhar ainda está diferente - é a parte de mim que teima (masoquistamente) em beber o gosto amargo desse café até a última gota.
Tudo bem, é só uma questão de tempo.
Em breve, tenho certeza, a janela vai abrir até a outra extremidade e o que hoje é uma fresta e ontem eram só cortinas fechadas, amanhã serão olhos bem abertos para a vida.
Manuella Mirna
"Em busca do desvio do que é normal... mudança de rota representa a sobrevivência do que é essencial..."
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Meu cravo
É, Pequeno Príncipe, tens razão, não foi o tempo que eu dediquei a minha rosa que a tornou importante... O tempo é passageiro, e foi curto, curto demais.... Mas foi a intensidade desse tempo e a pureza do sentimento dedicado que tornou meu cravo tão especial...
E não consigo dizer mais nada:
...
Manuella Mirna
E não consigo dizer mais nada:
...
Manuella Mirna
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Agora e sempre, Flor
Ainda sou Flor nascendo no asfalto. Um dia broto na relva verde e macia de uma casa segura.
Mas não é de penar o meu destino, é de luta que faço meu caminho.
(luta forte como minha raiz, discreta como minhas folhas, suave como minhas pétalas)
E enquanto ainda respiro a rocha e não a saúde que toda flor precisa, posso ao menos dizer que ainda sou Flor. Flor que na pedra também respira.
Ainda sou Flor nascendo no asfalto. Um dia broto na relva verde e macia de uma casa segura.
Manuella Mirna
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Pura e displicentemente, amei
(Me dizem que não te amei. Não respondo para eles, não digo para ninguém, mas eu ví de perto a face do que entendo por amor. Só não fui a própria face porque nos faltou uma tarde de terça-feira a mais)
Eu te amei.
Em uma semana.
Por ditos dois meses.
Mas amei.
Amei como a relva em frente a minha janela que se ariça com o abanar do vento.
Amei como as pétalas do malmequer que fiz pra você e saíram voando por esse mesmo abanar antes que eu pudesse decretar o nosso bem-me-quer.
Amei como a água que correu dançando pelo lago quando o vento abanou assim forte.
Amei como os fios do teu cabelo se movendo displicentemente nesse vento e inocentemente te deixando mais bonito.
Amei como as últimas folhas de outono que começaram a cair em frente à minha porta quando o abanar anunciou da esquina que vinha.
Amei.
Assim, no embalo do vento, na dança das coisas, na luta para que os meus olhos resistissem aos teus.
(Luta anunciada antes do começo, decidida antes do fim.
Não perdi, me rendi.)
Amei.
Assim, natural, pura e simplesmente.
(Sem me pedir licença, displicente e inocentemente.)
Amei.
Talvez ainda ame.
Talvez nunca deixe de amar.
Manuella Mirna
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Criação no meio de um nada
A notícia que saiu no jornal online:
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/09/buraco-negro-na-lactea-ameaca-engolir-estrela-e-planetas-diz-estudo.html
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/09/buraco-negro-na-lactea-ameaca-engolir-estrela-e-planetas-diz-estudo.html
A notícia que Me saiu do Meu Mundo:
Era
uma vez um lugar, muito escuro e muito frio, considerado muito
inóspito para a formação de planetas - ou seja, qualquer tipo de vida - por estar repleto de estrelas,
radiação e intensas forças gravitacionais.
Mas um dia,inesperadamente,
sem se saber bem como ou porquê, apareceu uma estrela com uma nuvem. A nuvem funcionava como a capa protetora dessa estrela, um envoltório que alguns homens muito inteligentes e entendidos chamavam de disco protoplanetário.
Havia um buraco negro nesse lugar, juntinho da estrela. Buraco negro é um vácuo que pode existir em qualquer lugar do universo e é muito escuro e muito frio, e sempre se acreditou que ele tivesse o poder misterioso de engolir as coisas e fazer desaparecer várias outras. Ele seria, então, um símbolo da destruição.
Os cientistas observaram que aquele disco estava caminhando para a destruição, sendo atraído pelo buraco negro.
Mas, misteriosamente, o buraco negro poderia destruir o
disco protoplanetário, mas não teria força para destruir a estrela!
Além
do mais, desafiando a ciência e as expectativas de todos, a simples
existência desse disco e a presença, na mesma região, de estrelas
semelhantes a essa linda e pequenina estrela, já sugerem que planetas
ainda podem ser criados nesse lugar muito escuro e muito frio, o centro
da Via Láctea, a galáxia que abriga esse nosso Planeta azul.
Um dos homens muito inteligentes e entendidos disse, então, "É fascinante pensar que planetas estejam se formando tão
perto de um buraco negro"
... fascinante, sim, é isso.
Porque representa a luta de uma força criadora extraordinária frente à força misteriosa e
amedrontadora de um buraco negro...
É mágico saber que tantas coisas consideradas impossíveis acontecem tão perto do símbolo maior da destruição do universo...
Bem, só me resta pensar e concluir que se isso pode, ah, tudo pode!
Acredite, você tem a força de um planeta!
É mágico saber que tantas coisas consideradas impossíveis acontecem tão perto do símbolo maior da destruição do universo...
Bem, só me resta pensar e concluir que se isso pode, ah, tudo pode!
Acredite, você tem a força de um planeta!
Manuella Mirna
Assinar:
Comentários (Atom)
.jpg)

