sábado, 26 de janeiro de 2013

"veja bem, meu bem"

Você não pode vir.
Não vai chegar agora, nem amanhã, nem tão cedo.
Não adianta esperar grandes surpresas, a vida é real, um conto de fadas às avessas.

Então arrumei uma companhia e pus no teu lugar.
Não se preocupa, não é bem no teu lugar... é do meu outro lado, não o seu.
Ela está cada dia a mais comigo, e não posso mandá-la embora,
Se me despeço dela, digo adeus também a você, e não quero que se vão os dois.

Ela tem um bonito nome e é muito famigerada,
Alguns não podem com ela, dizem que ela os faz sofrer,
Outros a procuram, por uma certa dose de drama.
Meu caso é outro, bem diverso: ela simplesmente veio, se aboletou ao meu lado, sem pedir licença nem referências... não sei seu paradeiro, mas ela me toma com a propriedade de quem me conhece há anos.

Não se ofenda, amor...
Você não vai, não tem porque, pois quando você voltar mando ela embora.
Essa tal companhia inconveniente, te apresento: é a Saudade!
Muito fiel desde que você se foi... ela está na ausência que você deixou;
É uma ótima ouvinte... me deixa vagar livre por meus pensamentos mais sinceros;
Me faz rir muito... quando lembro do riso que você me abre;
Mas me faz ficar triste também, meu bem... por cada dia a mais que te quero e você não vem.
A Saudade nem sempre é boa comigo.
Mas ela te trouxe pra tão perto de mim desde a tua partida, que eu posso agradecê-la todos os dias e dizer, sem negar certo tom de masoquismo: "fique, ele ainda vai demorar a chegar!"

Manuella Mirna

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