quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Último latim pra ele

Foram lágrimas e decepções com ele. As alegrias não tinham mais vez.
Ele não quer deixá-la ir. Não quer vê-la ir. Quer ela ali, para sempre.
Mas não pode estar ali para ela...
Relação profissional?

Ela esbraveja dentro de si (e depois em seus ouvidos e olhos surpresos de sinceridade):
"Relação profissional? Antes de ser profissional ou pessoal eu sou humana. Eu não sei evitar minha humanidade.
Eu não saberia olhar para você sem me lembrar daquela garota e daquele garoto que estavam alí meses atrás, com brilho nos olhos, meio bobos e apaixonados; sem me lembrar da pessoa que você era aos meus olhos; do amor e da pureza que eu te dedicava. É um cenário que não preciso reviver ou estar [para sentir a dor que já me abrasa.]
E não porque me faz sofrer, porque não faz. Mas porque é um cenário que não se encaixa mais nas minhas memórias, que não condiz com a minha realidade. A história que você escreveu tão lindamente e não viveu, me deixou viver sozinha, não cabe mais na vida real. Sim, porque essa história que você pintou pra mim não é mais real, talvez nunca tenha sido.
Você não está mais na minha vida e não tem porque essa figuração mal ensaiada entre o nós, do papéis que costumávamos ser. Sejamos realistas e verdadeiros, não 'profissionais' - e falsos. Não estou mais na sua vida. Você quis assim, então me deixe ir embora de vez e não me faça ficar revisitando as memórias de um cenário que não pode caber mais em mim."

Manuella Mirna

sábado, 26 de janeiro de 2013

"veja bem, meu bem"

Você não pode vir.
Não vai chegar agora, nem amanhã, nem tão cedo.
Não adianta esperar grandes surpresas, a vida é real, um conto de fadas às avessas.

Então arrumei uma companhia e pus no teu lugar.
Não se preocupa, não é bem no teu lugar... é do meu outro lado, não o seu.
Ela está cada dia a mais comigo, e não posso mandá-la embora,
Se me despeço dela, digo adeus também a você, e não quero que se vão os dois.

Ela tem um bonito nome e é muito famigerada,
Alguns não podem com ela, dizem que ela os faz sofrer,
Outros a procuram, por uma certa dose de drama.
Meu caso é outro, bem diverso: ela simplesmente veio, se aboletou ao meu lado, sem pedir licença nem referências... não sei seu paradeiro, mas ela me toma com a propriedade de quem me conhece há anos.

Não se ofenda, amor...
Você não vai, não tem porque, pois quando você voltar mando ela embora.
Essa tal companhia inconveniente, te apresento: é a Saudade!
Muito fiel desde que você se foi... ela está na ausência que você deixou;
É uma ótima ouvinte... me deixa vagar livre por meus pensamentos mais sinceros;
Me faz rir muito... quando lembro do riso que você me abre;
Mas me faz ficar triste também, meu bem... por cada dia a mais que te quero e você não vem.
A Saudade nem sempre é boa comigo.
Mas ela te trouxe pra tão perto de mim desde a tua partida, que eu posso agradecê-la todos os dias e dizer, sem negar certo tom de masoquismo: "fique, ele ainda vai demorar a chegar!"

Manuella Mirna