Eu gosto de buracos negros.
Não sei dizer exatamente por que...
Uma vez ouvi que os buracos negros não são O nada, como pensam alguns. Que ele é algo, uma força muito grande, mas um tanto desconhecida, e por isso tão cheia de historinhas escabrosas.
Ouvi que a força que um buraco negro tem pode originar um big ben, e que pode ter sido do big ben de um buraco negro que nosso planeta nasceu...
Ou seja, o aparente nada, que todos temem, é, na verdade, uma força criadora, redentora, uma luz.
Muitas vezes identificam o buraco negro às situações complicadas da vida. E aí, de nada ele passa a caos, aquilo que todos repelem e não buscam compreender. A ciência, com a coragem que lhe é necessária, vai atrás de respostas para o que nossas visões estreitas não querem alcançar. Ela provou que o buraco negro é realmente uma força, algo vivo e que influencia na equação de harmonia do universo.
Sei que estou rodando e rodando, mas... Será, então, que para a harmonia geral - não só do universo, mas a nossa principalmente - são necessários momentos de caos e nada, para que saiamos mais fortes, para que após tudo isso nasça algo bom? Será que tememos esse algo desconhecido porque, como certas coisas/pessoas na nossa vida, não dominamos, não conhecemos por completo, não prevemos todas as ações e reações? E será que por causa desse temor não estamos perdendo a oportunidade de ter a presença ativa de uma força criadora na nossa vida, não estamos perdendo a chance de um big ben no nosso caminho...? Não precisa ser algo gigante, mas do tamanho que necessitamos para mudar a cor dos nossos dias, impulsionar um tanto mais nossa força interior, e alterar os batimentos do nosso coração...
Eu sei que é difícil se render para o desconhecido, sei o quanto nos intimida algo que não podemos controlar, dominar, medir a dimensão, o tamanho e o tempo. Não é fácil. Mas geralmente complicamos muito mais do que realmente precisamos. Colocamos exigências e pré-requesitos tão desnecessários quanto nossa vontade de controlar tudo e nosso medo de novidade.
E então, é isso? Recuamos quando encontramos algo lindo, que sempre desejamos e quisemos, como uma força que pode nos renovar, nos fazer surgir coisas belas, só porque esse algo lindo e grande não cabe na palma da nossa mão, foge às nossas estreitas definições, e desafia nossa coragem?
Fiquei sabendo que "o sentimento reorganiza a matéria na saída de um outro buraco negro"...
Que os sentimentos não são tão complicados quanto se pensa, que aquilo que não conseguimos controlar e nos amedronta não é nocivo, que guerreiros gostam de desafios, não temem o que não podem medir e avançam quando o medo diz pra recuar. Porque um guerreiro sabe dar valor a sentimentos sinceros e dispostos. Um guerreiro sabe que o sentimento sincero é corajoso, é capaz de reorganizar qualquer coisa, qualquer matéria, qualquer coração machucado e na defensiva... é capaz de construir novas fortificações e sólidas relações. Um verdadeiro guerreiro, como eu sei que você é, sabe que um afeto verdadeiro ajeita as coisas no embate com o desconhecido, com o nada, ou com o caos... sabe que, no fim, surge o amor na saída do caos.
Lembre-se: os obstáculos não existem para que desistamos, mas para testar nossa perseverança na busca do que desejamos!
Manuella Mirna
"Em busca do desvio do que é normal... mudança de rota representa a sobrevivência do que é essencial..."
sábado, 11 de agosto de 2012
Então, voltar ou seguir?
Existe um ditado chinês que diz mais ou menos assim: o passado é história, o futuro é desconhecido, o presente, como o próprio nome diz, é uma dádiva.
Infelizmente, na maioria das vezes, fazemos tudo ao contrário: nos apegamos excessivamente ao passado, tememos o futuro e não valorizamos o hoje, o dia a dia, o presente.
Ví uma história que me ajudou a pensar um pouco mais sobre isso. No filme, o mocinho não deixava que o rio do passado corresse, se pedrou em momentos passados que não pode consertar; passou a querer um futuro diferente, mas não vivia o presente com o devido valor e atenção...
O que ele entendeu no fim do filme é que "não se muda o que já foi". Quando tentamos mudar o passado e nos prendemos como loucos aos detalhes irreversíveis do tempo transcorrido, nos aprisionamos ao paradoxo do nada e nunca mais temos futuro. Ele entendeu, então, que "o passado e o futuro se entreleçam, eles precisam um do outro para acontecer". Precisam que um deixe o outro ir para que o outro possa surgir.
Por mais difícil que tenha sido o que passou, por mais insatisfeitos que tenhamos ficado com algumas situações, temos que entender que já foi. Se aprisionar a memórias é permanecer no caos dos nossos pensamentos, se impedindo de viver o presente, agradecer por ele, valorizá-lo, cuidar para que ele seja bom e recompensador. E se prendendo ao que já não é mais, deixando correr entre os dedos o que está na nossa frente, perdemos a possibilidade da vitória, da felicidade, do futuro. Que, sim, não será só de sorrisos e conquistas, mas será muito melhor do que o passado, porque aprendemos com ele e, como alunos espertos, não repetiremos os erros que já cometemos. Mas, o que é também importante e que o mocinho custou a entender, é que se não deixarmos o passado ir embora, passar, correr... se não nos despedirmos dele, nosso presente será um pesado e desnecessário fardo, e nosso futuro será de insatisfação e remorso, por ter perdido aquilo que podíamos ter valorizado e por teimosia não cuidamos para pensar num passado que já tinha se ido.
Afinal, quando tentamos mudar o passado e nos prendemos como loucos aos detalhes irreversíveis do tempo transcorrido, nos aprisionamos ao paradoxo do nada e nunca mais temos futuro!
Supere o que passou, valorize as oportunidades que gritam a sua porta e queira construir um futuro radiante, não perfeito, é claro, mas será ótimo se quiseres tentar fazê-lo ser feliz.
Manuella Mirna
Infelizmente, na maioria das vezes, fazemos tudo ao contrário: nos apegamos excessivamente ao passado, tememos o futuro e não valorizamos o hoje, o dia a dia, o presente.
Ví uma história que me ajudou a pensar um pouco mais sobre isso. No filme, o mocinho não deixava que o rio do passado corresse, se pedrou em momentos passados que não pode consertar; passou a querer um futuro diferente, mas não vivia o presente com o devido valor e atenção...
O que ele entendeu no fim do filme é que "não se muda o que já foi". Quando tentamos mudar o passado e nos prendemos como loucos aos detalhes irreversíveis do tempo transcorrido, nos aprisionamos ao paradoxo do nada e nunca mais temos futuro. Ele entendeu, então, que "o passado e o futuro se entreleçam, eles precisam um do outro para acontecer". Precisam que um deixe o outro ir para que o outro possa surgir.
Por mais difícil que tenha sido o que passou, por mais insatisfeitos que tenhamos ficado com algumas situações, temos que entender que já foi. Se aprisionar a memórias é permanecer no caos dos nossos pensamentos, se impedindo de viver o presente, agradecer por ele, valorizá-lo, cuidar para que ele seja bom e recompensador. E se prendendo ao que já não é mais, deixando correr entre os dedos o que está na nossa frente, perdemos a possibilidade da vitória, da felicidade, do futuro. Que, sim, não será só de sorrisos e conquistas, mas será muito melhor do que o passado, porque aprendemos com ele e, como alunos espertos, não repetiremos os erros que já cometemos. Mas, o que é também importante e que o mocinho custou a entender, é que se não deixarmos o passado ir embora, passar, correr... se não nos despedirmos dele, nosso presente será um pesado e desnecessário fardo, e nosso futuro será de insatisfação e remorso, por ter perdido aquilo que podíamos ter valorizado e por teimosia não cuidamos para pensar num passado que já tinha se ido.
Afinal, quando tentamos mudar o passado e nos prendemos como loucos aos detalhes irreversíveis do tempo transcorrido, nos aprisionamos ao paradoxo do nada e nunca mais temos futuro!
Supere o que passou, valorize as oportunidades que gritam a sua porta e queira construir um futuro radiante, não perfeito, é claro, mas será ótimo se quiseres tentar fazê-lo ser feliz.
Manuella Mirna
A Conversa de nossos Corpos
Você luta... Você me imagina dançando... eu gosto dessas nossas duas brincadeiras de se levar a sério...
Sua luta para mim é a melodia que faz meu corpo dançar...
Em um momento displicente, de mãos dadas, corpos juntos e olhos atentos, ambos anestesiados pela paz que sentimos na nossa fusão, eu penso... e não te digo, até agora, quando te leio o que escrevi pensando nos nossos pólos estranhamente afins:
"A dança é uma desconstrução da forma ereta do primeiro hominida da história para um eixo desforme, no qual seu corpo se torna fluido, tal como as águas que deslizam pelas rochas transportando as purezas na nascente - na sua mente, transformando-as em experiências.
Ela é uma arte e uma filosofia corporal. É uma conversa apurada, como o teu tai shi...
Relaxe, inspire... e sinta seu corpo, sua pulsação... os meus batimentos e a minha respiração... está sentindo isso? Esse campo magnético entre nós? Nossos corpos conversam, eles trocam energias e fluidos e querem estreitar essa prosa...
Então a gente dança para que eles façam isso...
Deixe que a música penetre pelos teus poros em forma de energia. Energia esta que coordenará seus movimentos, que são nada menos que fluidos pelos quais se comunicam teus sentimentos. Então... dance, sinta isso... converse comigo, se comunique com o som e deixe que ele transporte teus pensamentos, que ele te transforme em movimentos, em um fluir constante de sensações e vontades.
...É uma desconstrução da forma ereta do primeiro hominida da história para um eixo desforme, no qual seu corpo se torna fluido, tal como as águas que deslizam pelas rochas transportando as purezas da nascente - sua mente, transformando-as em experiências."
Manuella Mirna
Sua luta para mim é a melodia que faz meu corpo dançar...
Em um momento displicente, de mãos dadas, corpos juntos e olhos atentos, ambos anestesiados pela paz que sentimos na nossa fusão, eu penso... e não te digo, até agora, quando te leio o que escrevi pensando nos nossos pólos estranhamente afins:
"A dança é uma desconstrução da forma ereta do primeiro hominida da história para um eixo desforme, no qual seu corpo se torna fluido, tal como as águas que deslizam pelas rochas transportando as purezas na nascente - na sua mente, transformando-as em experiências.
Ela é uma arte e uma filosofia corporal. É uma conversa apurada, como o teu tai shi...
Relaxe, inspire... e sinta seu corpo, sua pulsação... os meus batimentos e a minha respiração... está sentindo isso? Esse campo magnético entre nós? Nossos corpos conversam, eles trocam energias e fluidos e querem estreitar essa prosa...
Então a gente dança para que eles façam isso...
Deixe que a música penetre pelos teus poros em forma de energia. Energia esta que coordenará seus movimentos, que são nada menos que fluidos pelos quais se comunicam teus sentimentos. Então... dance, sinta isso... converse comigo, se comunique com o som e deixe que ele transporte teus pensamentos, que ele te transforme em movimentos, em um fluir constante de sensações e vontades.
...É uma desconstrução da forma ereta do primeiro hominida da história para um eixo desforme, no qual seu corpo se torna fluido, tal como as águas que deslizam pelas rochas transportando as purezas da nascente - sua mente, transformando-as em experiências."
Manuella Mirna
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Sim, lutar, por nós
É difícil amar, mas mais difícil é deixar-se ser amado...
E como é.
Deixar-se ser amado é deixar alguém entrar na sua caverna, na sua redoma protegida, no seu santuário, que você tanto cuidou para que agora estivesse simples e arejado, como nos tempos de paz...
Mas o que é a paz, então?
Será que é ficar protegido por fora, mas com o coração trêmulo de medo e desejo ao mesmo tempo, de vontade e receio... Essa proteção, tão segura nas horas certas, nas horas erradas não seria "a prudência egoísta que nada arrisca"?... Nessas horas, erradas para se proteger, esquivar-se do sofrimento não é perder a felicidade?
É com Drummond que me pergunto, mas é por nós que eu penso.
Afinal, não será que estamos perdendo o sorriso de amanhã? Deixando de sentir a brisa, as gotas serenas de água que minha voz e tua espada tentam dominar. Deixando de segurar um na mão do outro com firmeza... desconfiados, sim, mas dispostos acima de tudo! Dispostos a se superar e a construir nosso forte. Dessa vez não em volta de mim ou de você, mas em volta de nós...
Nós contra as dores do mundo, contra a superficialidade do mundo, protegendo a nós e aos outros, abrindo as portas para nós e para os outros, cuidando de nós e dos outros.
Sozinhos somos fortes sim, eu sei, somos guerreiros, e fazemos tudo isso. Só que acredito que "sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe".
Juntos. Por que não? Eu sei que pensamos em todo medo que isso representa, toda insegurança que sentimos e todo sofrimento que queremos evitar... mas não acho que esse seja o caminho. Pois estamos nos esquecendo dos sorrisos que vamos fazer juntos, das lágrimas que não vamos deixar cair, do poder que vamos adquirir na doce e simples transfusão da minha coragem para você, e da sua força para mim. Esquecendo do quão fascinante são para nós as tuas particularidades, as minhas singularidades e as nossas semelhanças, tão raras. Por medo, estamos esquecendo de tudo isso, que vai nos fazer mais vivos, e mais guerreiros, e mais felizes!
Tentando evitar as lágrimas que podemos ter juntos, deixamos de ganhar tantas coisas mais juntos... cumplicidade, apoio, maturidade, carinho, atenção, olho no olho - logo os nossos que se entendem tão bem... Deixamos de ter eu e você. Deixamos de ter, enfim, a palavra que tanto gostamos: Nós.
Sim, lutar! Porque o auge do afeto é quando conseguimos nos fazer o melhor que podemos ser.
Manuella Mirna
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