Penso demais?
Você não iria querer me ver, se eu pensasse menos,
se eu falasse menos, se eu risse menos ou mais, se eu dissesse só o que você quer, se eu fosse só o que a tua personalidade inusitada me influi...
Quem seria eu?
Eu não seria!
Talvez uma garota um pouco bonita e um tanto simpática, disposta e exata.
E só.
Não seria eu...
Não seria eu, assim, nas tuas próprias palavras: sem minha bolsa de bolinhas e meus hashis que uso pra prender cabelo... sem meus livros não lidos e meus cds antigos... sem minhas arestas a reparar, sem meus olhos de espanto e meu riso de constrangimento... sem meus comentários nerds - totalmente fora de hora - ou as curvas do meu pensamento - essas não conhecem hora... sem meu malabarismo com meu tempo ou minha cabeça cheia: de fronte séria à primeira vista, serena à segunda, enigmática à terceira... sem meu lado ostra e meu sorriso secreto, nem minhas linhas e acordes... Nada disso que você gosta em mim, nada você veria. Nada eu seria.
Você me quereria?
...
Se eu pensasse menos não seria nada de mim... Eu, em pele, alma e papéis.
Eu seria mais ou menos: 'Exata, ao seu dispor'.
E mais ou menos, meu bem, não me desculpo, eu não sou!
Manuella Mirna
"Em busca do desvio do que é normal... mudança de rota representa a sobrevivência do que é essencial..."
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Carne, alma e piano
Às vezes, eu queria ouvir só meu pensamento...
Quando ele idealiza nossos momentos, e diz o que eu queria ouvir de você...
Mas não queria sempre.
Eu gosto das tuas palavras, dos teus argumentos, paramentos e ornamentos; e até gosto da tua voz, dos teus tons, dos teus timbres... e do que você diz ao piano... gosto do teu não... mas gosto muito do teu sim.
Às vezes, só às vezes, eu queria deixar meu pensamento falar por você.
Talvez fosse bom, seria pronto e sempre doce, seria conto de fadas...
Mas não seria você.
Quando é você, teu compasso encaixa no meu samba, com todo jeito e trejeito sem medida; quando você diz o que eu quero ouvir, não é doce... mas tem todos os gostos, tem ar de mogno... é macio e firme como teu peito, cintila como as teclas de um piano amadurecido pelo tempo... é como tem que ser: é você!
É melhor do que meu pensamento sobre você. É real, e gosto do real, dessa sintonia dissonante que há entre eu e você...
Ah, eu não troco isso nem por um romance happy ending com você, nem pela trilha sonora de um musical de jazz antigo; não troco por nada que não seja você: em limite e derivada, em verso e prosa, em grave e agudo, em sintonia e dissintonia... você, em carne, alma e piano!
Manuella Mirna
Quando ele idealiza nossos momentos, e diz o que eu queria ouvir de você...
Mas não queria sempre.
Eu gosto das tuas palavras, dos teus argumentos, paramentos e ornamentos; e até gosto da tua voz, dos teus tons, dos teus timbres... e do que você diz ao piano... gosto do teu não... mas gosto muito do teu sim.
Às vezes, só às vezes, eu queria deixar meu pensamento falar por você.
Talvez fosse bom, seria pronto e sempre doce, seria conto de fadas...
Mas não seria você.
Quando é você, teu compasso encaixa no meu samba, com todo jeito e trejeito sem medida; quando você diz o que eu quero ouvir, não é doce... mas tem todos os gostos, tem ar de mogno... é macio e firme como teu peito, cintila como as teclas de um piano amadurecido pelo tempo... é como tem que ser: é você!
É melhor do que meu pensamento sobre você. É real, e gosto do real, dessa sintonia dissonante que há entre eu e você...
Ah, eu não troco isso nem por um romance happy ending com você, nem pela trilha sonora de um musical de jazz antigo; não troco por nada que não seja você: em limite e derivada, em verso e prosa, em grave e agudo, em sintonia e dissintonia... você, em carne, alma e piano!
Manuella Mirna
domingo, 10 de junho de 2012
...O cachimbo é de ouro
Domingo: um pingo na janela, um sorriso à espera, o sol que ameaça não vir.
Domingo com cara de chuva, domingo com gosto de lua e cheiro de mato.
Domingo... se te pedem que vá embora, eu te peço pra ficar: entre, saia da espreita, espreguiça naquela almofada, macia e cor de casa, como tu.
Vem, domingo, espia comigo o bolo de ameixa, bebe um gole de café, conta tuas histórias de terra à volta da mesa, sem pressa de passar... se mostre, tira teu casaco, que amanhã é segunda-feira, e enquanto ela não chega, se acomode em ficar.
Manuella Mirna
Domingo com cara de chuva, domingo com gosto de lua e cheiro de mato.
Domingo... se te pedem que vá embora, eu te peço pra ficar: entre, saia da espreita, espreguiça naquela almofada, macia e cor de casa, como tu.
Vem, domingo, espia comigo o bolo de ameixa, bebe um gole de café, conta tuas histórias de terra à volta da mesa, sem pressa de passar... se mostre, tira teu casaco, que amanhã é segunda-feira, e enquanto ela não chega, se acomode em ficar.
Manuella Mirna
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