quinta-feira, 22 de março de 2012

O dia de quem é "Up"

Pela primeira vez, o dia mundial da síndrome de down está sendo celebrado nas Nações Unidas!!

É sim!
Talvez isso não seja grande coisa para a maioria de nós, talvez... Mas é uma enorme conquista para a sociedade e para os "ups" que, como todos, desejam e lutam pelo sua respeitada e merecida parte na ordem das coisas.

As conquistas nossas de cada dia são difíceis e nos fazem vacilar, cansar, chorar algumas vezes... é sim, não é fácil. Mas não é impossível. E temos grandes exemplos disso ao nosso redor, como, por exemplo, os ditos deficientes de síndrome de down.

Aliás, acho realmente detestável esse nome. Acredito que ninguém goste de ser identificado pelo sobrenome de um médico que descobriu os efeitos de um cromossomo extra no corpo humano... "deficiente, com distúrbio, portador de síndrome', são nomes muitos grandes, feios e complicados para seres humanos incríveis e capazes, até mesmo com uma capacidade de amar, muitas vezes, maior que a da maioria.

Mas enfim, hoje foi um dia de vitória: de alguma forma, por mínima que seja, mostra-se que as diferenças, os preconceitos e as segregações estão diminuindo e ganhando força para reflexões sérias, públicas, oficiais e mundiais.

O mercado está mais aberto para essas diferenças, o ensino está mas pronto e receptivo, as pessoas estão mais instruídas... mudanças lentas, feitas principalmente por se estar vencendo a ignorância, mas são mudanças, e boas.

O fato de haver um dia mundial em favor de algo, para alguns, pode denotar que esse algo não é visto por todos com bons olhos, precisando-se criar um dia de consciência. Mas, independente dessa visão, constata-se os fatos e tenho certeza que muitos "ups" sorriram mais hoje e se sentiram mais fortes.
Afinal de contas, não é tão importante o fato de ser necessário um dia oficial para se discutir certos aspectos sociais, mas importa muito mais que exista hoje tal preocupação e motivação para empreender transformações.

"Impossível é uma palavra grande inventada por uma porção de gente pequena" Ch. Brown Jr.

Manuella Mirna

segunda-feira, 5 de março de 2012

Contando letras, escrevendo números

Se há algo considerado irreconciliável são as letras e os números.
Eu mesma sempre acreditei nisso...
Hoje, certas teimosias me mostraram como ter um pouco mais de carinho e atenção. Vi nas letras e nos números um verdadeiro caso de amor, um metafórico caso de amor...
A matemática tem quatro operações básicas, que se relacionam de tal forma entre si e com todo o grande conjunto dos problemas matemáticos, que não conseguimos fazer uma sem a outra... não somamos sem diminuir algo, não dividimos sem multiplicar, não diminuímos sem dividir... e assim se vai também pelas linhas da vida...

Em se falando de letras, tomo aqui a poesia. Ela também contém operações básicas de abertura, mas, diferente da matemática, não há uma resposta exata, mas a infinita possibilidade de extensão delas. Bem, essas operações podem até se apresentarem isoladamente, mas só são realmente válidas quando unidas a outras mais. E é na união de todas elas, na tensão de todas elas, que achamos as letras ocultas que encantam sem cessar.

Então, imaginem um espaço, de letras e números, em que tais operações estivessem sendo feitas, em perfeita ebulição, com conflitos entre si... até que o auge de percepção de suas existências no espaço é dada pela tensão que passa a ocorrer entre os dois polos.

Na poesia, dizemos que por trás de uma tensão está uma bela harmonia poética, só mais difícil de ser encontrada e compreendida... A tensão contém uma chave... sabendo abri-la, o resultado é surpreendente e eternamente alimentável em si mesmo.

Essa tensão, numérica ou poética ou de qualquer outro tipo de especialidade, a partir de um certo nível, só é compreendida para quem está apto a decifrá-la... Quem sabe fazer isso se mostra pronto para ir do PF (prato-feito) ao banquete na ponta da mesa. E mais importante, ele sabe quando encontrou o banquete, mesmo com tantas nuances e mistificações de outros pratos... Ele sabe pegar a chave e pode abrir a tensão.


Os números e as letras só são entendidas assim por poucos, raros, e mal vista por muitos.
Nisso existem mil metáforas para o sentimento: as muitas características que compões alguém, tal como as operações, ajudam a conhcê-la, te tal forma que com os jeitos, olhares e nuances dela, e somente dela, é que se pode ir decifrando-a, aos poucos, mas continuadamente.
E então, entre duas pessoas, diferentes, confrontantes, tal como as letras e os números, se descobrem pontos únicos e mágicos, aparentemente irreconciliáveis, mas perfeitamente encaixáveis. Até que se percebe que as pequenas divergências alimentam o interesse, para não se deixar perder tal relação rara. E as convergências, que se acreditava não existir, mas são muitas, provam a afinidade um do outro, impedindo a fuga quando a tensão se fizer presente. No no fim, só sobra a inevitável união...

Então, fugir da tensão inevitável entre qualquer bela diferença é perder o espetáculo que se segue, sempre pronto a abrir-se em mil significados.
Letras e números: você calculando minhas linhas, eu escrevendo teus cálculos: Nós, inventando nossa forma de amar.

Manuella Mirna

domingo, 4 de março de 2012

Verde e vermelho...

No corre-corre do dia a dia, nós engolimos muita coisa sem mastigar, e rejeitamos muito também sem provar. Deixamos descer goela à baixo o conhecido e aparentemente melhor, expurgando o desconhecido ou intrigavelmente incomum.

Em palavras curtas, somos bobos e medrosos.

Quantos acordes de escalas diversas perdemos de desfrutar por escolher aquele testado mil vezes, ou que te testou tanto que você não quis mais arriscar.

Céus, penso o que teria sido da música se todos tivessem sido convencionais e pouco confiantes. Se não tivessem dado chance à vida se de expressar através dos seus sentidos. O que teria sido de nós se mais ninguém coordenasse nossos sentidos, que não o cômodo e o passivo.

Sabe, só se sabe que o verde é verde porque se tem o vermelho. Assim é com o Sol menor e o Lá maior da escala de Dó. Assim é na vida. Só se existe em função da diferença, das incongruências tão perfeitamente traçadas. Eu não seria eu se não existisse você. E o que me representa não me serviria se não tivessem as suas coisas. E assim é também para você.


Eu quero continuar sendo eu, e me diferenciando de você. Eu quero que exista verde e vermelho, Sol menor e Lá maior, e todas as cores e acordes mais que forem necessários.
Eu quero que exista algo mais do que o que conheço, vivencio, confio. Quero que exista mais do que o chão que piso, a cor que colore meu quarto e a música que tanto ouço. Quero mais que o meu e o seu, e também quero os dois, o meu e o seu:


A aventura da vida é querer sair do arroz e feijão... Por mais gostosos que sejam, é bom também um baião de dois.
Eu quero saborear o mundo. Meu mundo, e mais isso ou aquilo.
E conhecer para sentir mais. Do mesmo e do novo.
Sentir mais e conhecer de novo. Do mesmo e do novo.
Saber do mesmo e do novo, e saber escolher o que me apetece.

E o certo é que não sei o que virá.
Só posso te pedir que nunca se leve tão à sério. Mas também não se deixe levar.
É, porque a vida é parte do mistério; decerto ela pede para ser desvendada todos os dias... Mas não é bom viver só de mistério, como não é de arroz e feijão somente.

Lembre-se de você e de mim, e do comum e do intrigável, conheça, sinta, desvende... Mas faça as suas escolhas.
Sair da redoma segura dos seus mandamentos e sentimentos contidos não quer dizer se perder na imensidão do universo, quer dizer achar a medida certa para você, a escala que você mais gosta, a cor que mais te deslumbra. Quer dizer ver melhor a mim e a você.

Manuella Mirna

sábado, 3 de março de 2012

50%

Outra vez, um filme.
É, como se diz por aí, a vida imita o filme ou o filme imita a vida... Bem, dos dois jeitos me parece interessante. Mas neste caso, se a vida imitar, em parte, o filme, seremos bem melhores que agora.

Para quem não sabe, 50/50 é um filme que conta a história de um jovem de 27 anos que, em um momento um tanto sem graça de sua vida, é "agitado" por uma novidade, um câncer raro do qual ele tem 50% de chance de curar-se, ou seja, 50% de chance de morrer.
Bem, sendo bem objetiva, ele teria todos os motivos para desesperar-se... Mas sabe, por alguma razão, ele se manteve firme... Só teve uma crise, na madrugada anterior à cirurgia que definiria sua vida, já que a quimio não tinha surtido efeito.

Não irei contar a história dele aqui, nem pretendo ser crítica de cinema, apenas digo que - talvez eu perca um pouco pela comparação generalista - como toda coisa boooa da vida, nem tempo se gasta para assistir.

* Em coisas boas, a gente investe tempo. E com as coisas - por favor, estenda essa palavra - impagáveis e insubstituíveis, a gente tem o privilégio de não contar o tempo... *

Mas então, pela mesma razão já aqui irreconhecida, ele consegue ir retomando a rédea e o sentido de sua vida no meio do caos que vivenciava com seu câncer...
Ao fim, o jovem sai vivo e bem da cirurgia.
Depois de transcorrido alguns dias da recuperação, uma pessoa chave na sua vida, durante a doença e daquele dia em diante, faz a seguinte pergunta final do filme: "E agora?"

E como não podia deixar de ser, jogo no ar: E agora?
O que vem depois?
...
O que veio antes?
...
Importa?
...
O que fazer?
Parar, repensar?
Será que se foge disso?
Ou não?
...
E aí?
Como viver de hoje em diante?

Não quero responder a isso tudo, não me reservo tanta audácia...
Talvez poderia me atrever dar unas dicas atemporais:

- não parar necessariamente, mas repensar.

- não ser impiedoso, mas queimar tudo que atravanca o seu caminho, os seus sentimentos e você enquanto realidade e projetos.

(não repita isto em casa, ok?! O "queime" é metafórico!)

- não fazer alarde sobre, mas fazer de uma vez por todas aquilo que você quer e sabe que deve tentar.

- não vai ser fácil, mas sorria.


Principalmente quando nada parece fazer sentido, quando você estiver cansado de insistir, quando não estiver encontrando as respostas... Sorria. Vai ser gostoso. Isso vai te ajudar a cumprir um importante passo:

- cruzar o rio! Mudar de fase, derrotar algum temido chefão. Passar de uma margem a outra e perceber que também há felicidade do outro lado do rio para você.

Ah, já ia esquecendo, enquanto à razão irreconhecida pela qual ele sempre viveu e vivenciou seu câncer... acredito que cada um a nomeou segundo o sentido que faz para si... eu a chamo Sonho.

E lembrando, sem fugir do clichê, que cabe a nós as escolhas sobre nossa vida.

E agora?

Manuella Mirna