quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Pulsos


Uma luz amarela entra pela fresta da janela 
Há um contato temperado do meu braço em tua pele macia
Hoje vejo com claridade o que antes não via
Seus olhos me abrem
Frestas, janelas, portas, bocas, braços, pernas


A luz esverdejante dos teus olhos penetra tudo
Em mim
Inebria minhas fechaduras me fazendo pulsar
Pulsar a um ritmo novo
Instaurando teoremas e axiomas
Belamente, me é inexplicável


Pulso que rompe barreiras e atravessa fronteiras
Hoje vejo mais do que antes via
Seus olhos
Essa luz esverdejante
Por eles, para eles, com eles
Eu   v e j o
Eu   s  in  to
Eu   p
    u
 l
s
o...

M&H
Manuella Mirna




segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Nós (1)

Vejo castelos e cores de anil
Estrelas e os pincéis que o pintaram.

Vejo teus dedos e tua expectativa
Traços e sonhos que me oferece.

Vejo o primeiro dia, do primeiro olhar, do primeiro olá, do primeiro adeus.

Vejo os outros dias como uma consequência destinada desse nosso olhar
Cada mão e beijo e abraço e palavra
Cada castelo e cores e estrelas que desenhamos pra nós.

Tudo, tudo aquilo, tudo isso e tudo disto
O ontem, o hoje e o amanhã
Se anunciam para nós como atos encadeados de um destino sinfônico.

Nenhum passo em falso
Tudo em improviso e surpresa harmonicamente combinadas.

Dados lançados
Quem age não é o acaso 
As peças estão marcadas pra nos dar.

Peças que se encaixam entre si
Do destino nasce "eu & você"
Não dois, mas um
Um pronome plural monossilábico, indestrutível e indivisível.

Eu & você se confunde no plano de um só
"Nós"
É o que somos, é do que se trata: dois em um
Em harmonia e consonância de uma sinfonia autoral, irrepetível e inédita.

Nós, Manugo, como nasceu pra ser e não se desfazer.

Nós bem dados no laço invisível que nos atou para nunca mais soltar.


M&H
Manuella Mirna

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

... quero teu outro no meu eu.

Se me dissessem que eu conheceria um cara de olhos verdes e fiéis, de sorriso de encanto e romance, que nossa vontade seria a mesma, nossa sintonia seria simples, nossa entrega natural e nosso amor seria sinônimo de paz, eu esperaria o tempo que fosse pra encontrar.
Ninguém me disse, mas mesmo assim esperei o cara certo. No fundo eu acreditava que encontraria e, quando te ví, eu sabia, era você!
Tão inesperado, tão inacreditável, tão simples e doce...
Eu ví acontecer nos filmes que me faziam sonhar o que tenho contigo, mas que isso seja real é divino... é meu sorriso matinal e meu suspiro no meio da tarde, é meu sonho acordada e dormindo, é nosso direito de amar e sermos amados se tornando fato todo dia.
Entre tantos outros, entre tantos olhos e vozes, entre tantos desencontros, eu fui encontrar logo o teu outro, os teus olhos e a tua voz.
O teu outro me trouxe a conhecer um sentimento profundo e lindo que eu não conhecia.
Me deu a conhecer sensações e prazeres que eu tinha escolhido não conhecer ainda.
Teu outro me deu tu, inteiro, dia após dia, em mãos, olhares, palavras e gestos, para mim.
Eu achei em teu outro muito do que há no meu eu e em ninguém em achava.
Eu me achei em ti e te encontrei em mim.
Há coisas que só eu sinto e só eu vejo, e em ninguém eu encontrava refúgio.
Há coisas que só tua vias e sentias e em pessoa nenhuma encontrava compreensão.
Quando nos vimos, oh meu bem, soubemos instantaneamente que o encontro não foi dado ao acaso, sabíamos ao nos olhar o quanto eramos raros e especiais um pro outro, e em pouco tempo ficou claro: estávamos de frente a nossos reflexos no espelho, você era eu e eu era você.
Mudados e transformados pelo tempo e pela vida individual, em molduras, formas e novos ângulos, mas ainda tão parecidos a ponto de nos identificarmos, de encontrarmos eco e reflexo no próprio sentimento e pensamento.
Ao mesmo tempo, ao teu lado conheci coisas e situações que não estavam em mim ou no meu mundo, coisas que me fizeram perder o prumo, mas não o rumo.
Por tentar controlar e entender, resolver o que precisava e não precisava de resolução, eu me perdi de mim. Com tanto desconhecido batendo contra minhas armaduras, não tardou para eu me sentir impotente, de impotente a insegura; insegura com o que não conhecia e nem entendia, com o que não imaginava e não queria. 
Mas me importei demais, explodi com água com olhos.
A suposta heroína aprendeu mais do que imaginava sobre si e o mundo, e aprendeu o principal: não importa o que, nós sempre estaremos bem, juntos.
e assim, em ti, meu espelho, conheço mais de mim e descubro mais de ti.
Mesmo nas nossas molduras diferentes, formas diferentes, ângulos diversos, ainda é a mesma imagem, a mesma essência, o mesmo reflexo no espelho em novos e diferentes ângulos.
E dos vário ângulos tu me viste, eu te ví, nos enxergamos, nos identificamos. 
Através.
Passamos a enriquecer nosso entendimento sobre as imagens do espelho, a tua e a minha, e criamos uma outra com o passar de cada dia: a nossa, de nós dois. 
Desde o primeiro olhar, sem demora; desde o primeiro cruzamento do destino feito para nos enlaçar, invisivelmente laçados para nunca mais soltar.
Sei que temos muito ainda a conhecer - porque no amor nunca cessa a descoberta, e com ela o encanto. São muitos ângulos de cada espelho, molduras disponíveis e as formas todas que, talvez, ainda não vimos. 
Mas nisso não há agonia ou engano, sinto conforto, me sinto abrigada. 
Sei que tu também.
Pois é a mesma imagem se refletindo, diferentemente, o mesmo reflexo irradiando em vários ângulos.
Um prisma, um caleidoscópio perfeito.
E eu sei, mais que antes, que quado outros feixes de luz e sombra incidir sobre nossos espelhos, não preciso temer, pois sei que ainda seremos nós, eu e você, juntos, os mesmos e melhores, com a vontade sintonizada e cada vez maior de se amar.
Outras sombras nunca apagarão nosso reflexo encantadoramente combinado.
E eu só sei que quero teu outro no meu eu, cada dia mais.
Quero que a gente se reflita, se reveja, se conheça, se reconheça, se misture.
Eu quero teu outro no meu eu.
Te conheço melhor do que ninguém, pois vejo teu reflexo em mim e te amo hoje como sempre quis que alguém merecesse este amor, e sinto que te amarei mais, por todo o nosso sempre.
Eu quero teu outro no meu eu, ontem, hoje e para todo o nosso infinito jeito de amar.

M&H

Manuella Mirna