sexta-feira, 17 de maio de 2013

Não é brincadeira,nunca foi

Toda brincadeira tem um fundo de verdade"... aprendemos isso desde garotinhos.
Mas quando somos adultos e continuamos dizendo brincadeiras, elas são a forma que o inconsciente arranjou de dizer as nossas verdades não admitidas. São coisas que não assumimos para nós mesmos, que temos medo de tomar como verdade e é por isso que brincamos com elas, na velha brincadeira de criança de dizer verdades.
Um dia, talvez, se estará pronto para assumir essas verdades e elas vão passar de brincadeiras a realidades assumidas. Mas na hora certa, quando os adultos estiverem maduros como as crianças, que dizem as verdades que  nunca pensamos ouvir.
Não sei se é sempre assim, nós brincando de dizer verdades, provavelmente não é, tudo tem suas exceções e suas relatividades... o tempo, o momento certo, o sentimento, tudo - ou quase tudo, se não se quer aqui construir absolutismos. Que seja assim: só um pensamento, da vida que passa, um sentimento de um momento, uma verdadezinha no vão de várias outras, não uma opinião imutável sobre tudo.

Manuella Mirna

Sou-Eu-Arte

Algumas pessoas pensam que só podemos falar de algo que efetivamente e absolutamente praticamos. Mas o que seria do mundo se todos esperassem ser experts para falar de alguma coisa ou apreciar algo? Seria um buraco oco e mudo infinitamente melancólico.

Eu mesma, não sei se sou artista no sentido lato do termo, com todos os pré-requisitos e parâmetros que o ofício em teoria exigiria... Também não sei se para ser artista é preciso tanta oficialidade assim... O mundo já é todo tão caixinha e burocrático... Penso que a Arte é justamente aquilo que vai contra a corrente, desafia as leis e ordens, as regras de decifração do mundo; desafia o mundo e a nós próprios, nos desafinando para que melhor nos afinemos; desafia o próprio artista que a pôs em circulação. Ela jamais se fecha, ela tem vida própria depois que criada e isso nenhuma lei oficial ou carteira de trabalho pode conter!

Bem, acho que ser artista vai além desse título oficial, bem como a Arte vai além de mais uma profissão institucionalizada que acaba na descrição paragrafal de uma universidade.

Então, sem pedir licença nem nada, eu falo Arte! Não sei se certo ou errado e acho que não há isso. Acredito que sou artista sim, não sei se boa ou ruim, mas isso não me importa, não mesmo. O que me importa é o que Sou a partir da Arte; o que me encontro sendo; o que me defino com ela; o que crio a partir dela; como sou mais completa com ela; como meu olhar através da Arte é mais Meu, pois quando olho para algo, não sei como é olhar somente, sem pôr Arte nisso. Digo, sem aquela Sensibilidade inata ao Ser que é tão vital quanto a respiração, que se me falta eu sufoco, que envolve e influencia a tantos - como a música -, que vê além do que existe trivialmente - como meus olhos!

Necessito da Arte e me misturo com ela. Primeiro por mim, para satisfazer a minha própria crise identitária de encontro com meu ser, de satisfação do meu ser, que nem sempre as coisas lá fora conseguem suprir. Depois pelo Outro: penso em arte como a tentativa de um ser humano fazer sorrir a outro ser humano, a tentativa de um elevar ao outro, a tentativa de um ser humano despertar as coisas mais belas no outro, mesmo que se faça isso a partir de uma estética bruta ou grotesca - nos termos de V. Hugo -, o objetivo final é o Belo, se não esteticamente, sim interiormente, na Alma do sujeito, a busca da Transcendência do que há de melhor no ser. A arte aspira a elevar a espécie! Nós precisamos disso. Precisamos dela. É o que o homem quer e mais deseja de si, mesmo que ele não saiba e não busque isso conscientemente, ele quer o melhor protótipo de si mesmo. Para que ele possa Ser Arte também, para que ele possa inspirar e ser inspirado pela própria espécie!

A prática da Arte advém desses pré-requisitos, não da formação acadêmica, da assinatura da carteira de trabalho, do reconhecimento em outdoors e top-5 das rádios, a Arte está aí, para (se) dar de graça, para ser em Essência, para se doar para quem tenha capacidade de recebê-la, de Sê-la e Doá-la novamente ao mundo, num ciclo Encantado de Vida e Arte.

Manuella Mirna