quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Desapego

Chega!
Não vou mais atrás de quem some por conta própria. 
Fiz e faço o que posso e acho que devo para manter quem gosto e me importo ao meu lado ou na minha vida. 
Mas se vai ou some é porque quer e o querer de cada um eu não posso mexer. 
Que seja assim então.


Manuella Mirna

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A menina dos pés de pássaro

[E ao olhar fundo nos seus olhos pela eterna vez, ele disse:]

Se eu soubesse que eu te encontraria, que um dia estaria com você, 
eu teria saído pelo mundo a tua procura muito antes.
Sairia pelas ruas e lugares perguntando às pessoas por você...

Perguntaria a elas sobre a garota dos pés de pássaro,
que anda como quem dançasse voando em pensamentos.
Sempre inquieta a busca de novos caminhos,
e do seu próprio ninho.
Ia dizer que ela morde a gengiva quando tá desconcentrada.
Abre a boca suavemente quando concentrada.
Abaixa a cabeça quando fica constrangida.
Arqueia as sobrancelhas com os olhos abaixados se se nota constrangida.
E morde os lábios se lhe percebem constrangida.
Juntas as sobrancelhas e franzi os lábios para demonstrar rir de algo com um doce e perfeito sarcasmo.
A risada dela é como sinetas tocando numa manhã clara após a madrugada, 
com o vento ainda frio balançando nossa alma.
Ela ri e tudo aqui dentro acorda.
As árvores agradecem batendo suas folhas em resposta.
É mágico a ressonância que isso tem a mim, a harmonia que ela tem com o universo...
Ela tem olhos castanhos, enigmáticos e fieis...
...e beija como se tocasse o céu:
com calma, surpresa e... entrega.

Manuella Mirna

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pensar sem dor, sem nó

É tão bom sentir saudade de quem faz bem a gente... 
dá um gosto bom (finalmente) pensar sem dor!




Manuella Mirna

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O velho dominó com teu nome

Uma folha caiu em minha frente,
quando ví teu nome escrito diante de mim.
Independente de ti, eu sei, mas ela caiu.
Caiu ela como despencou [as batidas do] meu coração.
E de um assalto a minha respiração parou,
quando do teu nome eu pude ver a tua face, 
dentro de mim.
Não me tocando suavemente (como antes),
mas fazendo tudo despencar, 
aqui, por ti, 
de novo.

Manuella Mirna

Não sonho nem sonhei, mas durmo ainda

Lí em um poema seco que os pensamentos falham quando querem exprimir alguma realidade, como falham as palavras para exprimí-los.
É que existe o que existe e o resto é um sono apenas.
Então o que sinto agora não é nem o resquício do que senti e realmente tive com você. Não existe. É simplesmente nada, um sono de uma lunática acordada.

Tu um sono? E eu que durmo acordada pensando em ti sou o que?

Me disseram que só existe o que existe.
Se você não está agora ao meu lado é porque não existe? E quanto a quando você esteve? E quanto a você continuar aqui dentro?

Você não pode existir no meu mundo agora, disso eu sei.
Mas eu sei e todos sabem que você já viveu aqui, comigo (e foi feliz, e me fez feliz), enquanto eu estava acordada e não sonhava ou dormia.

Hoje você não é um sonho, nunca foi, foi real.
Mas talvez hoje o poema seco e essas pessoas tenham razão,
talvez hoje eu durma e precise, de uma vez por todas, acordar de você,
que é, hoje, só um sono.

Manuella Mirna

Figurante ruim

E o mundo passa como se eu não estivesse nele...
Como uma figurante ruim: que tem os pés no palco, os olhos no ar vago sobre ele, o pensamento em seu próprio cenário particular e o coração... este vaga furtivamente para perto a ti...
Quando volto ao mundo, é por alto senso de representação.
Porque preciso estar nele.
Não posso deixar meu corpo e viver os meus pensamentos.
Até porque eles têm sido só lembranças e dúvidas.
São cor de cinza, como eu não esperava que ainda fossem a esta altura.
Não são mais reais. 
São a poeira imprecisa (não sem dor) de você ainda em mim.

Manuella Mirna